Star Wars: A Ascenção de Skywalker | J.J. Abrams explica aparição póstuma de Carrie Fisher

Em 2016, todos foram pegos de surpresa com o repentino falecimento de Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia, quando a sua carreira estava no início de uma resurgência. Isso deixou o futuro da personagem, e até mesmo do episódio IX, em dúvida. Da mesma forma que o Despertar da Força focara em Han SoloOs Ultimos Jedi em Luke Skywalker, o nono filme iria focar na General Organa.

Após a demissão do diretor Colin TrevorrowJ.J. Abrams foi chamado de volta para encerrar a trilogia que começara. Isso o deixou numa posição difícil, pois precisava da personagem de Leia pra contar a história. Porém, tanto reescalar a personagem quanto  recriar a atriz usando CG, como foi feito em Rogue One, estavam fora de cogitação.

Abrams então decidiu revisar o material não utilizado dos dois filmes anteriores, cenas que foram refilmadas ou removidas totalmente dos filmes VII e VIII, e começou a ver formas de reintegrar essas material no ultimo filme. “É difícil falar sobre isso sem parecer uma coincidência cósmica espiritual, mas a sensação era que tinhamos achado a solução improvável para uma charada impossível“. Para contornar as limitações desse material, Abrams foi minucioso. Escrevendo cenas a partir do diálogo de Fisher, recriando enquadramentos e iluminação para combinar com os de arquivo, tudo para fazer a participação póstuma a mais natural possível. No filme, a Rey usa um penteado idêntico ao de O Despertar da Força. Isso foi feito para facilitar as cenas em que as duas interagem. “Foi um exercício mental de como  montar o quebra cabeça a partir dos recursos que você têm.

Além de proporcionar ao público a chance de ver a ultima performance da atriz, o processo teve uma consequência muito mais íntima. Inicialmente, Abrams havia removido a Tenente Connix, personagem de Billie Lourd, das cenas com a mãe, pois achava que seria doloroso demais. Mas ela mesma pediu para poder contracenar com a mãe mais uma vez. “Ela disse que queria estar em cenas com ela. Eu quero poder mostrar isso quando eu tiver filhos. Eu quero que eles vejam“. Os personagens não só interagem, como conversam e se tocam, e em alguns momentos isso foi demais para Lourd. “Ela ficava emocionada e precisava ficar a sós por um tempo. Eu sei que foi difícil pra ela“.

Mas, no fim das contas, Abrams está confiante que as “gambiarras” digitais não serão uma distração para o público “Eu espero que quando eles verem eles não vão estar pensando nisso. É claro que alguns vão, mas é o tipo de coisa que passa depois de um tempo. Porque não é exatamente um truque de mágica, é um truque de edição“.

Mesmo assim, ele reconhece quanta sorte teve de conseguir fazer esse processo dar certo “Tem um elemento meio inesperado, espiritual. É a cara da Carrie as coisas acontecerem desse jeito, porque de alguma forma funcionou. E eu nunca pensaria que daria certo“.

Star Wars: A Ascenção de Skywalker estreia no Brasil dia 18 de Dezembro.