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Análise | Fury Unleashed – A regra é simples: Se está vivo, tem que morrer

 

Já pensou você ser um personagem de uma historia em quadrinho em que o personagem vai fazer de tudo para ajudar o  próprio criador? É assim que somos apresentados ao Fury Unleashed, onde iremos desbravar os capítulos, pulando de quadro em quadro derrotando todos os inimigos que encontramos pelo caminho, provando assim o seu valor como um personagem memorável e poderoso.

Produzido pela Awesome Games Studio, o game é um prato cheio para os amantes de plataforma. Claramente inspirado em Rogue Legacy e Dead Cells, o jogador precisa provar suas habilidades nesse roguelite desafiador, e claro, contar com a sorte em vários momentos. Seguindo a premissa de que quanto mais vezes morrer, mais longe for pelo jogo, mais forte você será na próxima jogada.

Visualmente lindo e sangrento 

Os produtores do jogo tiveram todo um capricho na hora de produzi-lo, e isso fica bem visível já nos primeiros momentos em que assumimos o controle. Com um arte rica em detalhes, todo o cenário apresentado pelos capítulos possui um nível de beleza que eu diria, único. O personagem segue pelo ambiente e cada canto dele teve sua atenção, desde a grama por onde pisamos, como a floresta por trás de nós. Pulamos de um lado para o outro atirando em tudo que se move, sendo legal observar como os gráficos cartunescos dos jogos também podem ser bonitos. Você pode escolher com qual personagem quer jogar e temos a ainda opção de customizar algumas coisas nele, deixando o visual do seu agrado. Durante o jogo passamos por alguns lugares em que encontramos itens que vão nos auxiliar em nossa jornada, como armas e armaduras. É muito legal ver as variações de itens que pegamos nos baús espalhados pelo jogo, e como cada item equipado muda o visual do nosso querido personagem. Eu mesmo começo com um cara de aparência velha, com um cabelo legal e uma barba grande, mas com o tempo já se pode ver que estou usando um colete comum, botas de algum tipo de armadura e na cabeça um crânio de uma criatura que agora serve como capacete para mim. Minha jornada começa simples, mas a medida que vou evoluindo durante a jogatina, vou adquirindo armamentos poderosos e destruindo meus inimigos com mais facilidade. Com um arsenal bem variado, as armas possui um poder letal bem variado e único. Temos pistolas, submetralhadoras, metralhadoras, rifles de precisão, laçadores de misseis e uma boa quantidade de armas exóticas que disparam desde raios laser, como armas que disparam almas. Apesar de ser em uma quantidade menor, as armas brancas estão presentes no jogo e fazem um bom estrago, deixando um rastro de sangue em cada golpe dado. Claro, em cada tiroteio que acontece, é gerado uma boa quantidade de sangue dos inimigos, e isso varia um pouco de como a arma elimina eles. Dependendo da arma, vemos uma explosão de sangue caso ela seja de um calibre bastante explosivo, ou até mesmo de corte como espadas que cortam tudo que toca.

No meio disso tudo, somos agraciado por uma boa e excelente trilha sonora que age conforma o gameplay. Ela possui um ritmo tranquilo, mas que entra em aceleração quando atingimos um nível especifico do combo, que deixa as trocas de tiro bastante animadas. Mas não pode esperar menos do que isso, já que a trilha épica foi composta por Adam Skorupa e Krzysztof Wierzynkiewicz, os criadores das música para The Witcher, Bulletstorm e Shadow Warrior 2.

Um pouco disso, um pouco daquilo…

A premissa de Fury Unleashed é ser um roguelite de ação e plataforma, e com bastante sangue, claro. Os desenvolvedores fizeram exatamente isso, mas acrescentaram mais alguns elementos para reforçar o conteúdo do jogo. Vamos prosseguindo pelos capítulos e adquirindo experiência ao matar os inimigos, que são bolhas de tintas preta. Cada morte gera um pouco de tinta e ouro, que pode ser usado para comprar equipamentos com alguns personagens que encontramos pelo caminho. Além de poder comprar alguns itens para nos fortalecer, podemos cumprir alguns desafios que funcionam como uma espécie  de missão secundaria que ao concluir o objetivo estabelecido, somos recompensados com um bom armamento que vai fazer a diferença em nossa luta, ou ganhar uma habilidade poderosa.

A variedade de NPC’s que encontramos é bem variado, porque ao mesmo tempo que encontramos alivio em alguma situação, como por exemplo ao encontrar o Dr. Bloodstein que por uns trocados, podemos recuperar uma pequena parcela da nossa saúde e ter uma chance maior de sobreviver. Mas claro, podemos passar por sufoco e deparar com o próprio diabo, que claro, pode nos oferecer algum tipo de equipamento em troca de uma parcela de nosso sangue, entrando assim em um tipo de situação que precisamos pensar se vale a pena ou não. Essa variedade de personagens é implantado de forma simplória ali no jogo, mas que torna os momentos da gameplay, algo bem variado para cada jogada. E não esquecendo, cada vez que você morre, as fases são geradas de forma randômica e faz com que cada vez que inicie uma nova partida, ela seja única e diferente. Não espere que os mesmos itens encontrados em certos lugares estarão lá no mesmo lugar pronto para serem encontrados.

A mecânica do jogo é bem feita e fluída. Os comandos são simples, que se baseia em pular e atirar, mas usando vários botões para isso. De inicio pode ser estranho, mas facilmente pegamos o jeito de como funciona e percebemos o quanto ela é bem feita. Você percebe que por várias vezes somos surpreendidos com uma boa quantidade de inimigos na tela e precisamos agir rapidamente para sair dela. São nesses momentos que vemos que tudo responde bem, você tá ali pulando de um lado para o outro atirando em tudo e em vários ângulos diferentes, no ar você acerta golpes de espadas e lá de cima cai com tudo em um inimigo que estava distraído lá em baixo, matando-o na mesma hora. Essa velocidade em comandar vários golpes, sai com tanta naturalidade que você não percebe que saiu tanta pirueta no meio desse combate, desviando de balas e matando seus oponentes ao mesmo tempo.

Com uma dificuldade um pouco elevada, encontramos com a morte por tantas vezes no jogo que chega uma hora que a gente já se sente familiarizada com ela. Cada fim que encontramos, voltamos para o menu principal onde podemos fazer upgrade no nosso personagem para deixar ele mais forte e tornar a luta um pouco menos difícil. A medida que vamos avançando, são desbloqueados novos quadrinhos que possuem cenários totalmente únicos e permitem que iniciemos diretamente neles na próxima vez que for começar a jogar de novo, o que não recomendo. Infelizmente nem tudo são flores, mas que nesse caso são pequenos detalhes como o fato de alguns equipamentos parecem não fazer diferença ao ser equipado, que dão a sensação de impotência mesmo a descrição dizendo que ele dará uma boa defesa. A linguagem ainda é em inglês, o que pode espantar alguns jogadores que preferem jogos no nosso idioma, mas segunda a empresa, um atualização virá no dia do lançamento para adicionar a tradução para o português na versão de PC, mas que provavelmente virá também para a versão dos consoles.

Fury Unleashed é o tipo de jogo que nos prende pela sua proposta, e que serve como um sopro do que já existiu do gênero no passado. Jogos como Metal Slug, que parece ter sumido do mapa, poderiam aparecer com mais frequência e nisso, Fury, corresponde muito bem. Com um tiroteio frenético e combates intensos, o jogo representa um pouco de nossas memorias nostálgicas dos jogos do passado como Contra e Metal Slug e isso foi bem pensado por longos 5 anos em que o jogo ficou em produção. Um jogo indie em meio aos grandes títulos mas que tem seu valor e sua identidade, entregando boas horas de diversão tanto solo quanto em co-op. Temos aqui um jogo que será tão memorável quanto todos os outros citados anteriormente.

Fury Unleashed será lançado dia 08 de maio para Xbox One, PC, PS4 e Switch.

A análise foi feita na versão de Xbox One, com uma key cidade pela Awesome Games Studios.