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CEO de organização de Esports é acusado de golpe nas redes sociais

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CEO de organização de Esports é acusado de golpe nas redes sociais

Usuário do Twitter relata ter comprado quase 5 mil reais em equipamentos gamer com CEO de time de esports e ter recebido apenas um saco de farinha

Na noite do dia 27 de Julho o usuário do Twitter ‘1buno’ soltou uma sequência de tweets contando uma história um tanto inusitada: ele teria negociado via WhatsApp com o CEO da Imperium E-sports a compra de um iPhone 12 Pro Max, uma placa de vídeo GeForce RTX 2060 de 6Gb, uma memória Corsair RGB 2666Mhz de 16Gb e um Monitor Gamer de 24.5’’ Full HD da marca AOC. No fim ele viria a receber pelos correios apenas um saco de farinha.

foto da encomenda recebida

A Denúncia

Bruno – ou “Buno” como se denomina no Twitter – campeão baiano de League of Legends pela Zeta Esports, recebeu de um amigo algumas mensagens dizendo que o CEO da Imperium E-Sports Geanderson Bertoldi dos Santos – que se apresenta como Gean – estaria vendendo uma série de peças e produtos de tecnologia e informática por preços muito atrativos. Interessado, ele questionaria então o vendedor sobre o motivo dos preços tão abaixo do comum. Segundo Gean, os produtos foram arrematados em um leilão da Receita Federal para montar a Gaming House de sua equipe. “Por ser dono de ORG e figura pública (além de se denominar tudo isso aí na imagem) eu acreditei e acabei fechando negócio com ele”, conta Bruno em sua thread. No dia 12 de Julho, ele encomendaria então com o vendedor os produtos citados anteriormente pelo valor de 4600 reais.

alguns dos prints apresentados por Bruno no Twitter

No dia seguinte Bruno recebe então um código de rastreio para acompanhar o envio dos produtos encomendados de São Paulo (onde reside Gean) para Salvador. Porém ao pedir algum documento que comprovasse o envio, Gean supostamente muda o tom e oferece explicações para a ausência de um documento, como mostram os prints da conversa. Ainda assim, Bruno permaneceu interessado em talvez adquirir outros produtos que estavam sendo vendidos e pediu fotos de um MacBook Pro listado à venda. A foto recebida, contudo, continha uma marca d’água que aparentava não possuir relação nenhuma com Gean ou sua organização. As justificativas sobre isso deixariam Bruno convencido de que havia sido vítima de um golpe.

Já no dia 23, o fato mais inusitado: Bruno receberia dos Correios uma notificação de tentativa de entrega apontando que não havia ninguém para receber a encomenda (o que, segundo ele, não era verdade), algo relativamente comum nas entregas dos Correios. Ele entraria então em contato com a agência do bairro que confirmou que a encomenda estava lá. No local, Bruno se depara com um único envelope pequeno, cujo nome, número e casa estavam errados. Dentro do envelope, apenas um (suposto) saco de farinha. “Até hoje eu não sei se é farinha, quando eu vi eu tomei um susto e fiquei com medo de ser algum pó que mata, sei lá, ou pó também “ disse Bruno via mensagem direta no Twitter para a Torre de Controle.

CEO de Organização de Esports
Além de todos seus títulos, Gean é CEO da Imperium E-Sports e possui um canal de culinária no Youtube

Gean conta nas mensagens que tudo não passou de um engano pois, segundo ele, seus funcionários trocaram alguns envios e Bruno havia recebido o de outra pessoa. Quando seu cliente pediu reembolso, o vendedor afirmou que já havia aplicado todo o dinheiro em sua organização – o motivo pelo qual estaria vendendo todos aqueles itens – mas que no próximo dia útil (numa segunda feira) faria o estorno. 

Repercussão e Resposta

Após publicar sua denúncia no Twitter, Bruno relata que foi bloqueado na rede por Gean e sua organização. Algumas pessoas afirmaram que o mesmo aconteceu com elas: “Comprei 2 placas de vídeo também e aconteceu exatamente a mesma coisa” afirmou um usuário na postagem de Bruno. Já outro usuário informou: “Não sei se pesquisou mas ele tem 2 processos nas costas sobre crime de ESTELIONATO! É só jogar o nome completo dele no google. Eu ia buscar 30k em placa de vídeo com ele e só enrolação e papo de golpista descarado! (Pra confiar e mandar uma parte etc)”.

De fato, no site do Tribunal de Justiça de São Paulo é possível encontrar um processo movido contra Gean no ano de 2018 por vender cursos online se passando como um representante da faculdade UNICID – fato que a instituição afirmou ser falso. Três pessoas chegaram a se matricular. Gean foi condenado a um ano de reclusão em regime aberto e a 10 dias-multa, mas cumpriu sua pena pagando o valor de dois salários mínimos em favor da vítima. Há contra ele também uma reclamação não resolvida no site Reclame Aqui em relação a seu trabalho com itens de cozinha.

Contudo, em sua conta pessoal, Gean afirma estar ciente do ocorrido e estar tentando solucionar tudo. Numa postagem mais longa, ele esclarece que além de suas atividades com a Imperium – que ele defende nada ter a ver com o ocorrido – ele também possui um ateliê (que chegou a ser citado na postagem) onde vende produtos de cozinha e culinária. Dentre eles, farinhas importadas que são enviadas para que clientes possam conhecer os produtos. 

o trabalho de Gean como chef explicaria o por quê do envio de um pacote de farinha

“O pessoal não entende, mas a pouca quantidade é uma amostra que enviamos para o pessoal fazer um teste de força na farinha e depois decidir se compra ou não. É difícil explicar para quem não tem conhecimento técnico do assunto então preferi nem entrar muito em detalhes” nos contou Gean por mensagem no Twitter.

Ao descobrir a “bagunça” com os envios incorretos, ele afirma ter entrado em contato com os afetados para solucionar o problema. Porém, em relação ao caso em questão, Gean afirma que ao tentar estornar o valor, sua conta do Nubank estava bloqueada devido a uma reclamação feita por Bruno, e que o prazo para resolução seria de cinco dias úteis.

Sobre a resposta pública postada por Gean, Bruno nos conta: “Eu li e pra mim não faz nenhum sentido no que ele fala, é IMPOSSÍVEL alguém se enganar e enviar 30 pacotes de farinha pra todo mundo que comprou”. Quando questionado se outras pessoas lhe enviaram histórias semelhantes após a postagem, ele afirma: “Muita gente. Teve gente que vendeu computador para comprar essas peças, teve gente que recebeu uma PEDRA (mas não recebi ainda a foto), tem gente até de dentro do time que ele joga que tá desconfiando dele”.

a Gaming House da Imperium E-Sports segue em construção

Gean sustenta, por mensagem: “Publiquei no meu perfil o meu lado da história, e sim, foi resolvido com boa parte das pessoas! As vendas foram feitas todas em um dia, daí a quantidade de erros na confusão, porém, as pessoas foram procuradas antes mesmo de receberem, sendo notificadas e apresentando solução do problema!”. 

Gean defende nunca sequer atrasar o salário de nenhum jogador da Imperium, e afirma querer, de fato, resolver a situação “sem maiores exposições ou prejudicar os jogadores”, além de que também procurará seus direitos. Inclusive, o LinkTree da organização aponta duas vagas abertas: uma para Player de FreeFire e outra para Comissão Técnica da LineUp Feminina de CS:GO (esse documento, porém, já se encontra fechado). Ele também compartilha frequentemente em seu Twitter fotos de equipamentos e setups gamers da gaming house que está construindo para a Imperium, e também de suas receitas que faz como chef de cozinha.

Até a publicação desta matéria não há relatos de que Bruno tenha sido ressarcido. Caso haja alguma atualização no caso, atualizaremos a notícia.

Formado em Design de Games pela Universidade Anhembi Morumbi e com mais de 5 anos de experiência como Motion Designer e Editor de Vídeo, já palestrou sobre GameDev e leva os joguinhos à sério por mais que sua mãe diga que não dá dinheiro (não dá)

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