Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado – Um novo dino e mais do mesmo

Em 1993 Steven Spielberg iniciava uma das mais inovadoras franquias do cinema moderno. O sentimento de ver o primeiro encontro entre o Dr. Grant (Sam Neil) e a Dra. Ellie com o Brontossauro e toda sua grandiosidade com os enormes planos abertos do cineasta, e a fenomenal trilha sonora composta por John Williams marcaram não só a minha, mas como também a juventude de uma geração.

Em 2015, mais de 20 anos depois do primeiro filme, Colin Trevorrow nos entregava um reboot/sequência que tentava resgatar o mesmo feeling nostálgico da obra de Spielberg, mas falhou em criar um filme com uma narrativa clichê e muita falta de expressividade na direção.  Jurassic World: Reino Ameaçado tinha a missão de corrigir erros do seu antecessor e ainda por cima, alavancar um novo recorde nas bilheterias mundiais.

A trama da sequência conta com o retorno de Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) com a missão de voltar à Ilha Nublar e resgatar os dinossauro de uma ‘nova’ extinção devido a um vulcão prestes a entrar em erupção. A narrativa ainda é recheada de plot twists e clichês o qual já estamos acostumados a ver. Além da criação de uma nova espécie híbrida para aterrorizar os personagens.

Embora a intenção da trama se assemelhe muito com “O Mundo Perdido” (1997), Colin Trevorrow, agora como roteirista, e Derek Connolly fazem boas referências a trilogia original e garantem uma das cenas mais impactantes dos filmes anteriores. Entretanto, a falta de originalidade dos escritores em relação os longas passados, os diálogos rasos e vários personagens mal desenvolvidos fazem com que o longa seja inconsistente do início até o terceiro ato, que rende um bom desfecho, mas abaixo do esperado.

Por mais que o roteiro de Reino Ameaçado não seja lá grandes coisas, o espanhol J.A Bayona merece elogios. O cineasta consegue criar ótimas cenas de ação com um ritmo frenético ao longo de quase todo o filme, já que o roteiro enrolado faz com que os 40 minutos iniciais sejam entendiantes. O diretor também consegue realizar grandes cenas de catástrofe durante o ato na Ilha Nublar em decorrência a sua experiência com filmes de desastre como ‘O Impossível’ (2012).

Bayona também fez o resgate dos sentimentos de tensão e aquele friozinho na barriga do longa de 93, além de compor cenas bem escuras em variados ambientes para dar a sensação de impunidade diante dos predadores. O filme apresenta alguns elementos de horror já citados, mas não são o suficiente para arrancar gritos ou te deixar com um medo.

Chris Pratt está de volta ao seu personagem Owen, e desencadeia com muito carisma e presença de tela atuações mornas e seguras. O destaque vai para Bryce Dallas Howard, que se no primeiro filme era vista como uma empresária sem emoções, agora assume um papel mais humano a sua personagem. O veterano Jeff Golblum está de volta com uma simples participação, mas que com poucas linhas de diálogo já no começo do filme consegue presumir o quão humano Jurassic World: Reino Ameaçado é. O filme é completamente envolto de decisões e consequências imediatas dos personagens que colocarão o futuro dos dinossauros e da raça humana em jogo.

Conclusão

Jurassic World: Reino Ameaçado é um filme divertido, que talvez seja um dos mais importantes da franquia devido ao seu desenrolar e aos quesitos técnicos, mas o roteiro fraco e as poucas inovações fazem com que a obra em sua totalidade seja insossa e um tanto quanto decepcionante.

Fundador da Torre de Controle. Sou apenas um jogador tentando sobreviver em um jogo sem pause, vida extra ou checkpoint.