Críticas Especiais - Cinema

Crítica | Bumblebee – Transformers sim! Explosões, nem tanto

 

O que você espera ao dar “play” em um filme da franquia Transformers?
Explosões, faíscas, explosões, um enredo confuso, explosões, personagens pouco carismáticos, explosões, lutas entre grandes robôs e tudo acompanhado de explosões, claro.

Bumblebee consegue fugir consideravelmente bem deste estigma, deste mantra, que Micheal Bay, antigo diretor da franquia, enraizou em todos seus filmes. O diretor do spin-off, Travis Knight (Os Boxtrolls), fez um trabalho interessante, ao tirar a franquia da mesmice, ao menos um pouco, buscando focar em novos elementos  e não apenas nas batalhas explosivas e, em tese, épicas, entre os Autobots e os Decepticons. Isso não quer dizer que não há ação e boas lutas no filme, pelo contrário, a direção junto ao corpo de efeitos especiais fez um ótimo trabalho, fazendo com que as lutas se tornem uma coisa crível, aceitável, imaginando que realmente existissem tais seres. A pirotecnia fica dentro de um padrão aceitável e na medida em que o filme pede.

Bumblebee traz um enredo mais simples, mais fácil de se entender do que o de seus antecessores, o que pode ser visto tanto como qualidade, como quanto falha, isso se lhe agradava as histórias mitológicas de nazistas ou dinossauros, contadas nos filmes até aqui. Em um resumo, podemos dizer que “Bee” vêm a Terra, mas por ter perdido a memória, não sabe qual sua missão ou o que está fazendo no planeta e acaba conhecendo Charlie (Hailee Steinfeld), que vai lhe ajudar a se esconder de um mundo assustador.  A trama toda gira em torno dessa amizade inesperada. Claro, a destruição de Cybertron está em jogo, mas até isso roda em plano de fundo. Bumblebee é um filme que não se leva a sério, por assim dizer, ele quer ser leve e não esconde isso em momento algum.

Situado nos anos 80, cheio de referências e até frases usadas em produções antigos (Clube dos 5 é claramente uma forte inspiração), o filme é repleto de clichês, piadas (nem sempre tão boas), mas que cumprem bem o papel de fazer a trama leve e divertida em sua grande parte. Além disso, a trama procura não se arrastar demais, anda num ritmo interessante para que não fiquemos entediados.

A amiga e acolhedora de “Bee”, Charlie, não chega a ser exatamente carismática, do tipo que você se encanta assim que ela aparece na tela. Ela é levemente amarga e irritada, mas com motivos.  Como se não bastasse estar passando pela transição à fase adulta, ela acaba de perder uma pessoa. Situação difícil, que claro, o simpático e encantador carro/robô, companheiro e carinhoso vai ajudar ela a superar. Como podem notar, não há nada surpreendente ou chocante, tudo dentro do previsto, mas executado de uma forma eficiente. As suas personalidades diferentes se completam e os dois tem uma ótima química, carregando as boas partes do filme. A propósito, não posso deixar de comentar como as expressões corporais e de olhos de “Bee” transmitem emoções e são extremamente convincentes, um dos pontos mais positivos do longa.

 

Por outro lado, os personagens que complementam a trama são desanimadores, mesmo tendo John Cena, como o Agente Burns, que é levemente carismático, mas as atuações são lamentáveis e nada convincentes. O próprio Cena, apesar do carisma, deixa a desejar muito no quesito atuação, sendo assim, quando não temos Charlie e Bumblebee na tela, fica uma sensação de vazio e desespero para que aquela sequência acabe.

Conclusão

Bumblebee não se leva a sério, no bom sentido. É cheio de piadas, referências oitentistas, uma trama bem leve e superficial que pode deixar a desejar. Os protagonistas, juntos, criam as melhores cenas do filme e são a alma do projeto. Os efeitos especiais são muito bons, na medida certa, sem exageros , fazendo você pensar que aquilo realmente poderia estar acontecendo na rua de sua casa.

Se você se propor a assistir o filme com um pensamento, o da diversão, provavelmente não vai se desapontar. Não chegamos a ver um filme marcante e que te fará querer revê-lo várias vezes, mas com certeza é uma evolução e uma nova ótica para os futuros filmes da franquia se basearem.