Análise l Crackdown 3 – Um exclusivo de ação divertido e descompromissado

O último lançamento exclusivo da Microsoft para Xbox One e Windows 10 chegou com uma proposta inovadora de uso de processamento em nuvem, agregados a uma ação desenfreada e descompromissada onde seu objetivo é, literalmente, destruir tudo o que for possível.

A campanha de Crackdown 3 tem inicio com a equipe de agentes sendo praticamente dizimada, restando apenas um agente vivo. Você controla o agente sobrevivente ao ataque a sua equipe, e tem a liberdade de escolher um dos personagens pré-determinados pelo jogo para dar início a jornada em Nova Providência, cidade onde todo o jogo passa, e lhes digo de antemão que é muito difícil não escolher o Capitão Jaxon, personagem vivido pelo excelente Terry Crews, principalmente por conta do marketing realizado pelo ator nos meses que precederam o lançamento do jogo. A lista de agentes para escolha no jogo aumenta conforme você joga pois, durante o gameplay, você pode coletar restos de DNA de agentes que foram mortos na queda.

Não espere por um enredo complicado ou plot-twists, a história do jogo é um pano de fundo para a ação. Basicamente seu objetivo primário é destruir a organização Terra Nova, que tomou conta das indústrias e principais frentes de comércio da cidade através de comandantes que você deverá enfraquecer um a um, seja destruindo uma indústria ou desativando torres de rádio onde a mensagem dos antagonistas é disseminada por toda a cidade. Ao enfraquecer um dos comandantes do mal, ele se torna vulnerável e você poderá orquestrar um ataque em uma batalha cheia de explosões e inimigos que surgem de todos os lados. A fórmula até que funciona bem, mas se torna repetitiva e, com o tempo, a graça de repetir esse processo será o poder do seu agente, que evolui progressivamente ao coletar orbs de agilidade e outros atributos que vão aumentando conforme você bate e atira nos inimigos, dirige e explode as coisas pelo mundo.

O sistema de evolução é simples e a distribuição dessas habilidades é automática. A jogabilidade é semelhante a dos primeiros jogos e não traz muita novidade, o que não julgo ser um ponto negativo, já que é uma mecânica acessível e que melhora conforme o personagem evolui. Seu agente pode dar socos e pontapés, atirar, pular muito alto e combinar o salto com o uso de propulsores para ir ainda mais alto, ou se projetar lateralmente. As batalhas são fáceis e divertidas, a sensação de que seu personagem é mais poderoso que todos os inimigos é constante, mas não se engane, não é difícil morrer ao deixar vários inimigos te cercarem e atacarem ao mesmo tempo. O arsenal de armas é variado e algo positivo é que não temos o sistema de arma primária, secundária e assim por diante, em Crackdown você pode utilizar 3 lança-mísseis caso sinta necessidade. Além disso, você ainda tem a sua disposição o uso das granadas de mão e uma garagem de carros que aumenta a cada novo modelo utilizado pelo seu personagem. Vale ressaltar aqui que, embora haja a possibilidade de dirigir os carros tomados dos civis ou, até mesmo o veículo da agência, que é desbloqueado no nível 2 de dirigibilidade e permite até subir em paredes, a mecânica de direção não é fácil e pode te fazer desistir de dirigir, já que é muito mais divertido sair pulando de prédio em prédio coletando os orbs de agilidade.

Os inimigos não variam muito, mas os que temos oferecem um certo grau de dificuldade, a exemplo dos drones, que infligem grande dano no personagem e são difíceis de serem eliminados. Uma das virtudes do jogo são os chefes, que são os líderes das facções da Terra Nova. Apesar do uso excessivo de robôs gigantes, é necessário um bom tempo em batalha para derrota-los, e eles sempre trazem consigo muitos outros inimigos menores, o que amplia a dificuldade e deixa tudo mais divertido e desafiador.

O Multiplayer, aqui conhecido como Zona de Demolição, traz o inovador elemento de processamento em nuvem e, de fato, funciona. Todo o cenário é destrutível e, apesar de não ter um impacto profundo na jogabilidade, diverte bastante ao acrescer a possibilidade de derrubar um inimigo de uma ponte ou fazê-lo cair de cima de uma torre.

Existem dois modos de jogo dentro do Multiplayer, um semelhante a um deathmatch comum e outro de domínio de territórios. Logo ao adentrar em qualquer um deles, parece que os objetivos para ambos é um só: matar o inimigo. É divertido e até te empolga, mas se torna repetitivo bem rápido. Além de o cenário não ser bonito e bem polido como o da campanha, você não tem a possibilidade de jogar com amigos em party (funcionalidade prometida nas próximas atualizações) e não há sistema de progressão, então fica aquela sensação de falta de objetivo a longo prazo que justifique a permanência no modo de jogo.

Crackdown tem problemas que não podemos deixar de mencionar, sendo o maior deles a expectativa que a Microsoft colocou sobre o jogo. Não me entenda errado, o jogo é muito divertido, mas não inova. É um bom shooter e traz todos os elementos do aclamado primeiro jogo da série, mas não consegue aproveitar a presença de Terry Crews ao não oferecer mais cutscenes e frases de efeito durante o gameplay, que até existem, mas com pouca frequência. Outro elemento que faz falta aqui é o fator destruição na campanha. Os prédios não são completamente destrutíveis e alguns outros elementos também não e, muito embora o combate a Terra Nova seja um convite a explosões e pancadaria, ter a possibilidade de explodir alguns prédios seria um elemento diferenciado na trama.

Veredito

Crackdown é o melhor que um jogo mediano pode oferecer: é divertido, descompromissado, os cenários da campanha são bonitos e você vai ter boas horas de explosões e ação leve. Encare o jogo como um ótimo passatempo e, até como alívio cômico. Para quem é assinante do Game Pass é diversão garantida.

 

Jogador de shooter, survival horror, horror games e todos seus sub-gêneros. Músico e fã de Queen, Muse e Avenged Sevenfold. Idoso de alma e amante de café.