Análise | Heroes Trials – Troféus, conquistas e nada mais

Como Zelda, mas não muito.

Heroes Trials é um jogo de aventura produzido pelo estúdio japonês Shinyuden e portado para os consoles pela Ratalaika Games. Assim como muitos outros que surgiram recentemente, como Sigi – A um pum de Melusina, One More Dungeon, Planet RIX-13 e Jack’N Jill DX, é um jogo barato, bastante curto e que distribui troféus a rodo. Sim, é um jogo voltado para os acumuladores de platinas e de gamerscore.

Heroes Trials possui uma jogabilidade semelhante aos dois The Legend of Zelda lançados para Nintendo DS (The Phantom Hourglass e Spirit Tracks), com a câmera e os combates bastante parecidos, mas utilizando o controle em vez da caneta stylus. Nele controlamos dois personagens que são irmãos, alternáveis através de um comando: Zoel, um guerreiro com ataque forte de curta distância e Elia, uma maga com ataque fraco de longa distância.  Zoel ainda possui a habilidade de jogar bombas e um ataque especial giratório (sim, exatamente como Link em The Legend of Zelda), já Elia possui magias de diferentes tipos (fogo, gelo e elétrico) e também tem um especial giratório, em que dispara magia em todas as direções. O mote principal do jogo é completar as 10 missões sem estourar o limite de tempo de cada uma, que varia entre 5 a 10  minutos, para em seguida enfrentarmos os chefes finais. Você recebe uma classificação entre uma e três estrelas dependendo do tempo despendido em cada missão, o que é importante caso tenha interesse em alcançar todas as conquistas do jogo.

Design de interface, a gente vê por aqui! Ou não.

O level design é só decepção: temos muitos trechos vazios, com uma péssima distribuição dos inimigos, inclusive com castelos extensos onde o único oponente é o chefe, a dificuldade é bem desbalanceada, pois o jogo é fácil até chegar nos últimos inimigos, demorei mais para vencê-los do que no resto do jogo inteiro e para completar, depois de juntar muitas moedas matando inimigos e cortando plantas para melhorar os equipamentos, vem um personagem e lhe rouba tudo, ou seja: nem perca tempo com isso.

Aqui até que não ficou ruim não.

Durante as missões temos alguns quebra-cabeças bem básicos: para abrir uma porta deve-se usar a magia correta em cada uma das orbs, cujas cores já denunciam qual magia utilizar, temos ainda alguns labirintos (inclusive um em que é necessário utilizar uma magia específica para prosseguir) e só. É um jogo com escopo bastante limitado, com pouca variação de inimigos e gráficos bem simplórios (apesar de serem bonitos nas áreas externas). Algo que incomoda bastante são os menus: parecem que foram feitos de forma bem amadora, com letras de fontes toscas, planos de fundo bem genéricos e a tela inicial que parece vinda de jogos de baixo orçamento dos anos 90.

Meus olhos! Meus olhos!

E agora chegamos ao fundo do poço: os controles. No port para o Xbox One (não tive acesso às outras plataformas) o analógico esquerdo serve tanto para andar como para mirar, ou seja é confuso, pouco preciso e inviabiliza jogar com a maga utilizando disparos à longa distância. Esse sistema irrita tanto que provocou alguns rage quits em batalhas contra os chefes.

Apesar das críticas, Heroes Trials cumpre o exatamente o que promete: barato, curto, simples e que distribui troféus e gamescore a rodo, o que irá agradar principalmente aos caçadores de troféus. Mas se você é um jogador que coloca diversão e história acima de conquistas para mostrar aos amigos (nada contra, cada um se diverte à sua maneira), passe longe, mas muito longe mesmo, tipo dê a volta pela lua.

Esta análise foi feita numa cópia digital para Xbox One, gentilmente cedida pela Ratalaika Games. Está disponível para PC (Steam), PS4, PSVita, Xbox One e Switch. Você pode conferir o trailer de lançamento do jogo aqui.

A primeira vez foi com Golden Axe, tão pequeno que precisava usar um banco para alcançar os controles do fliperama. Passou por todas as gerações de consoles e joga no PC desde 199. Fã de RPGs, jogos de corrida, indies e qualquer jogo com uma boa história.