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Análise | My Friend Pedro – A estética da violência

Existe alívio cômico em meio a violência? Bem, particularmente acredito que alívio cômico cabe em qualquer situação por pior que possa parecer e, nesse quesito, My Friend Pedro dá uma aula. Lançado hoje (20/06) para PC e Nintendo Switch, o jogo foi desenvolvido pela DeadToast e distribuído pela Devolver Digital e nos apresenta um Shoot’em Up frenético, com um vasto arsenal de armas, possibilidades e recursos.

Além da proposta de ser cômico, My Friend Pedro também tem um compromisso com a estética do assassinato e, por pior que isso possa soar, é divertidíssimo! Este compromisso se dá pelas mecânicas que o jogo gradativamente ensina, sendo possível usar armas nas duas mãos, mirar em dois inimigos diferentes ao mesmo tempo e matá-los em câmera lenta se assim o desejar. Pode parecer muita coisa para assimilar mas o jogo te ensina, através do seu amigo Pedro que é literalmente uma banana, de maneira didática e com um ritmo condizente com o que o jogo exige em termos de gameplay.

Em minha experiência com o jogo, eu diria que a chave do sucesso aqui é o timing e a estratégia abordada na hora de enfrentar um cenário lotado de inimigos. Além das mecânicas supracitadas, ainda temos a possibilidade de esquivar das balas enquanto atiramos, o que se mostra um poderoso recurso para escapar dos tiros, mas pouco eficiente para atingir os inimigos, visto que toda a precisão fica comprometida. No início eu tive dificuldade em dominar a mira independente, utilizando os dois analógicos um em cada direção enquanto tento atingir inimigos diferentes, mas o jogo tem uma cadência tão gostosa que isso é uma dificuldade no curto prazo; Assim que dominamos a arte de matar com piruetas excepcionais e valorizando a beleza em fazê-lo, o jogo vai nos premiando pelo empenho pontuando os combos e variedades de recursos utilizados ao matar mais inimigos no menor tempo possível. Ao final de cada fase temos um ranking, no estilo Devil May Cry, só que aqui você é zoado pela banana Pedro quando pega uma classificação baixa. O jogo permite que você repita a fase para que possa refinar a técnica ou até mesmo melhorar seu ranking. Além disso, ao final de cada fase você consegue salvar um highlight determinado pelo próprio game em formato gif, e você ainda pode compartilhá-lo direto no Twitter.

Gif salvo durante a análise

Vale ressaltar aqui a variedade de armas do jogo, temos pistola, submetralhadora, escopeta, rifle e rifle de longa distância, sendo possível usar também as granadas acopladas ao rifle. Além do arsenal, existem alguns artifícios que enriquecem a experiência do jogo e, a melhor delas são os tiros ricocheteados que podem ser efetuados em placas de metal no próprio cenário do jogo, ou até mesmo em frigideiras que você chuta para cima e atira nela e as balas vão de encontro a inimigos espalhados no cenário. Outro charme são as fases onde podemos utilizar o skate para uma mobilidade mais rápida, o que amplia a possibilidade de combos mais bonitos e mais efetivos.

O enredo do jogo é simples, mas faz jus a proposta do jogo. Acordamos em um ambiente aleatório e nos deparamos com Pedro, a banana, que nos guia durante toda a jornada do game. O alívio cômico está justamente aqui, na presença da banana, e me recordo de dar boas risadas ao ler uma de suas frases: “bom trabalho esse de caçador de recompensas, será que oferece um bom plano odontológico?”.

Neste primeiro ato temos a caçada a Mitch, o açougueiro. A busca implacável acontece em um cenário que lembra um açougue de filme de terror, e a medida que avançamos na história, descobrimos que se trata de algo muito maior que lidar com tráfico de armas. Os perrengues seguem desde perseguições em motocicletas, até ter sua cabeça a prêmio pelo filho de Mitch, um jovem vestido de papai noel chamado Denny, além de sua irmã Ofélia, a dona da internet e que tem limitado o acesso das pessoas ao seu bel-prazer. É importante dizer que os inimigos são variados e te atacam com as mesmas armas que você usa e podem também usar de ataques corpo a corpo; cada inimigo tem uma resistência diferente, uns são mais fáceis de matar e outros com armaduras e proteções demoram mais a morrer, e isso exige que você visualize o cenário e pense em soluções criativas para eliminá-los sem ser eliminado antes. Os tiros dos inimigos reduzem bastante o seu HP, que é medido por 3 barras onde cada uma delas se regenera sozinha, porém, caso você perca totalmente o nível de uma delas, é preciso coletar corações que os inimigos dropam eventualmente ao serem mortos. Uma das partes do jogo que mais me chamou a atenção foi o esgoto, cenário onde você enfrenta “nerd’s gamers” de cosplay e, por incrível que pareça, são inimigos bastante resistentes.

Outro ponto forte do jogo é a trilha sonora que é extremamente assertiva e empolgante, acompanhando a cadência de cada cenário com batidas eletrônicas fortes e precisas.

Um dos pontos que me incomodou durante todo o gameplay foram as dicas dadas por Pedro que, no começo ajudaram, mas com o tempo ficaram repetitivas pois, sempre que o jogo acha que você poderia ter feito algo diferente para ser mais eficaz, ele te lembra quais comandos utilizar para fazê-lo. Por sorte podemos desativar isso nas opções do jogo, por azar eu só descobri isso muito tempo depois de começar a jogar.

My Friend Pedro é diferente dos outros Shoot’em Up que eu experimentei, ele é melhor e tem suas particularidades que o favorecem, é um jogo essencial para quem tem Switch e PC. Certamente você vai se empolgar com os combos, vai ficar cada vez mais vaidoso ao tentar ousar em manobras e assassinatos de maneiras mais diferentes possíveis e vai querer compartilhar o gif desses lances sempre que forem esteticamente efetivos. Existe sim a beleza e a graça na morte, e este jogo prova o motivo pelo qual isso pode ser extremamente divertido!

Essa análise foi elaborada com uma key de PC gentilmente cedida pela Devolver Digital.

Jogador de shooter, survival horror, horror games e todos seus sub-gêneros. Músico e fã de Queen, Muse e Avenged Sevenfold. Idoso de alma e amante de café.