Análise | Remnant: From the Ashes – O mal deve ser cortado pela raiz

 

Remnant: From the Ashes é um shooter claramente inspirado na franquia Dark Souls, mas com um excelente sistema de randomização que torna as coisas mais diversificadas ao longo de seu progresso. Produzido pela Gunfire Games, o jogo conta com a mesma equipe que desenvolveu Darksiders 2 e 3, e podemos ter aí o nascimento de uma franquia altamente recomendada para jogadores que buscam se aventurar em um gameplay co-operativo.

O mundo foi completamente dominado por uma força muito poderosa chamada de Raiz. Seu poder e seu exército são tão grandes que a humanidade sucumbiu e todas as defesas caíram rapidamente. Declarando, assim, o quase extermínio de tudo que conhecemos. Vagando por aí e em busca de um local seguro, nosso personagem acaba se deparando com um pequeno grupo de sobreviventes. Eles batalham diariamente para encontrar um meio de reverter as coisas e assim trazer uma nova chance para todos. Conhecemos então o Setor 13, que é uma pequena instalação fortemente protegida e que foi um área de testes antes da invasão. Tal setor é o ultimo que resistiu, enquanto todos os outros espalhados pelo mundo falharam em sua missão de prever o grande mal que estava por vir.

Mais que um shooter

Em Remnant: From the Ashes as coisas são um pouco simples, mas únicas. Apesar da clara inspiração em Dark Souls, o jogo prova ser diferente em muitos aspectos ao utilizar um sistema de geração aleatória nos mapas. Sempre que adentramos uma nova área a ser explorada, nos deparamos com certos tipos de inimigos que parecer ser fracos, mas muitos expertos, e vacilar não é opção, pois senão a morte é certa. Pequenos inimigos também são acompanhados de outros de médio-porte que são mais fortes e representam um perigo se estiver em grupo.

Qualquer descuido do jogador, e lá vem o game over. A cada morte, ao retornarmos naquele lugar, os inimigos podem não ser os mesmos e nem ter a mesma quantidade. E para complicar mais ainda a vida do jogador, durante o sofrido combate contra um grupo de inimigos, o jogo simplesmente faz surgir um certo tipo criatura altamente poderosa e totalmente aleatória. Isso deixa as coisas mais difíceis do que já são, e claro, se você morrer novamente e retornar lá, existe uma chance de surgir um inimigo totalmente diferente do que te matou, te pegando de surpresa.

Apesar de possuir arma corpo a corpo, o foco é o combate com armas de fogo, podendo de curta, média e longa distancia, deixando ao critério de cada jogador qual arma utilizar. Não existe um botão de bloqueio e assim você será obrigado a manter uma boa esquiva se quiser sobreviver.

Uma das desvantagens do jogo é o baixo numero de armas disponíveis para você, é realmente um número bem raso e pouco explorado pela empresa. O mesmo vale para os equipamentos de armadura, que são menores ainda. Com baixo número de equipamentos o que lhe resta é ficar melhorando  os que você possui e assim elevar o nível deles através de recursos coletados ao explorar as regiões e derrotando inimigos. Alguns chefes lhe dão itens únicos para criar armas únicas e inspiradas em sua aparência, como uma sub-metralhadora que dispara projéteis de fogo ou uma espada flamejante.

 

Um cenário além do nosso mundo

Os visuais do jogo foram bem retratados para que passe uma sensação de fim do mundo, e isso fica visível no decorrer do jogo ao se deparar com grande edificações e carros espalhados por aí. A Raiz é um mal que viaja por entre as dimensões e assim a nossa Terra é apenas mais um que foi devastado por ela, que enquanto vagamos por aí em busca de respostas e descobrir um jeito de destruir ela, descobrimos a existência de outros lugares totalmente diferentes do nosso lar. Ao todo são quatro regiões totalmente únicas e com inimigos de aparência e força diferente uma das outras, além dos chefes para serem enfrentados. Percorrer por ruas, desertos e pântanos, sempre irão trazer novidades pra você e melhores recursos para que possa elevar seus equipamentos a um nível mais forte do que antes.

Tecnicamente falando não existe classes no jogo, você é obrigado a escolher um dos três tipos personagens logo no inicio e isso irá definir quais armas iniciais serão as suas. A partir daí tudo vai ser moldado por você, e ficando ao seu critério qual arma utilizar. Muito pode se descobrir pelo mundo e em qualquer um deles, e a existência de itens secretos e baús, o que aumenta a vontade de explorar todas as regiões o máximo possível e estar sempre preparado para o que vier. Temos a opção de gerar novamente uma região que já exploramos para que possamos revisitá-la e ganhar experiencia para nosso personagem, mas infelizmente isso traz de volta os chefes que derrotamos. Então não é como se você pudesse procurar por mais recursos para fazer mais armas e equipamentos que você quer, e isso me obrigou a usar os mesmo equipamentos por muitas horas de jogo, me restando apenas a opção de ficar melhorando eles.

A Gunfire Games explicou que a proposta do jogo é ser jogado tanto sozinho quanto em grupo, e pra isso ela tentou trazer um certo equilíbrio nas lutas. Alguns dos chefes podem ser facilmente enfrentados sozinho, com uma leve dificuldade, mas ainda sim nada impossível. Já outros parecem ser algo surreal de tão forte, por mais que você tente inúmeras vezes, a luta parece ser realmente necessária com a ajuda de um outro jogador e isso foi muito complicado pra mim pois o matchmaking do jogo não funcionou durante o período que estive jogando para fazer o review, e fui obrigado tentar e tentar até conseguir matar o maldito que me atormentava. Creio que já ouviram falar da definição de insanidade?

Mesmo que Remnant tenha vindo para ser uma experiência implacável e ao mesmo tempo punitiva, algumas das variações de dificuldade existentes pode acabar espantando jogadores não muito familiarizados com esse tipo de gameplay. A experiência funciona quase sempre e você se sente progredindo perfeitamente, mas vai ter aqueles momentos fora do contexto em que o chefe é absurdamente forte e você se sente um nada perto dele.

 

Chame os amigos e sofram juntos

Remant: From the Ashes é um excelente jogo para aqueles que buscam um certo grau de dificuldade e que curtem um belo shooter. Ele pode ser jogado tanto sozinho, quanto jogar com mais alguns amigos e assim passar horas explorando um mundo pós-apocalíptico. Enfrentar chefes é desgastante, mas no fim acaba trazendo boas sensações por finalmente derrotá-lo. Apesar dos pequenos problemas, o estúdio se mostrou altamente empenhado na criação do jogo e nos trouxe o sistema único de geração aleatória do mapa.

Se um dia houver uma continuação, espero que possa dar mais atenção para o numero de equipamentos presentes, pois se trata de um detalhe importante, porém, não muito explorado pelos criadores. No geral, é um jogo forte que oferece uma das melhores e mais gratificantes experiências co-operativas por um bom tempo, caso você goste de sofrer um pouco durante o processo.

 

Esse jogo foi cedido pela Gunfire Games com uma key de acesso antecipado. Jogado no Xbox One S.

Remant: From the Ashes está disponível para Xbox One, Playstation 4 e PC.

Revisão: Ailton Bueno