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Análise | Astral Chain é um espetáculo de ação e adrenalina

Que tal controlar seres interdimensionais para combater outros seres interdimensionais? Afinal, nada melhor do que utilizar os poderes de seus próprios inimigos contra eles, não é mesmo? Pois essa é a ideia por trás de Astral Chain, novo exclusivo da Platinum Games que chegou no final de agosto para o Nintendo Switch. Mas como tornar essa ideia mais interessante? Basta colocar uma mecânica de combate divertida, emocionante e polida que você encontra a receita perfeita para um game de ação que promete ser um sucesso.

Conexão Astral

Se você espera uma história inusitada e inovadora, Astral Chain está longe de passar disso. Mesmo assim, o game possui um enredo interessante que consegue servir como um ótimo pano de fundo que sustenta as demais mecânicas do jogo. Seja bem-vindo ao final do século XXI! A Terra foi quase completamente dizimada quando criaturas vindas de uma outra dimensão, chamadas “quimeras”, instalaram o caos. Os sobreviventes se juntaram em uma ilha chamada de “A Arca”

Por certo tempo, a sobrevivência da humanidade nesse “Éden flutuante” parecia garantida até que portais do Plano Astral começam a aparecer por toda a ilha, trazendo quimeras cada vez mais ferozes e poderosas além de corrupção que controla e destrói qualquer humano que permaneça muito em contato com esses monstros. O pior de tudo? Somente algumas pessoas são capazes de ver as quimeras.

Esses seres humanos especiais são recrutados para a Neuron, a polícia especializada no combate a criaturas do Plano Astral. O maior trunfo por trás da Neuron não está apenas em sua alta tecnologia bélica para o combate a essas aberrações interdimensionais mas por serem capazes de controlar quimeras e utilizá-las para operações policiais. Essas quimeras “domesticadas” são chamadas de Legions.

Graças a um equipamento especial chamado Legatus, cada agente de elite da Neuron é capaz de utilizar uma corrente virtual e controlar o núcleo de uma quimera com habilidades únicas. Agora, os mais novos recrutas a se juntar a equipe de elite da Neuron são você e sua irmã Akira. Vale lembrar que o jogo permite a escolha do gênero do jogador e também um certo grau de customização, porém ele não vai muito além da parte estética, uma vez que você não possui nenhum diálogo muito importante ou emocionante com sua irmã/irmão.

Esse é um dos primeiros “tropeços” que o enredo de Astral Chain sofre. Talvez se os irmãos interagissem mais sua história seria um ótimo complemento para a trama do game, uma vez que em diversos momentos a relação entre eles e seu pai (comandante da força de elite da Neuron) é ressaltada por outros personagens.

Sem revelar muitos spoilers, o início que se mostra interessante e promissor não faz jus ao restante da história do game. Você encontrará algumas missões secundárias que ajudam a tornar o mundo do game mais vivo, mas mesmo assim nada evita que o enredo de Astral Chain caia no clichê e termine com muitas questões não respondidas. 

Mesmo quando os vilões são derrotados, ao invés de serem respondidas, mais perguntas surgem. A história de Astral Chain acaba se desenvolvendo de uma forma que ela não consegue mais se sustentar por si mesma, servindo apenas como um alicerce frágil que apoia as seções de combate do game. Você pode conferir documentos que são coletados, repetir missões para conseguir rankings melhores e até mesmo resgatar todos os gatinhos do game, mas não aposte todas as suas fichas no enredo, pois a verdadeira força de Astral Chain está totalmente concentrada em seu combate.

“Nós somos Legião”

A primeira impressão que muitos jogadores desavisados podem ter de Astral Chain é que se trata de apenas mais um game do estilo hack n’ slash genérico. Porém, essa aventura interdimensional é muito mais do que apenas apertar vários botões de forma frenética e derrotar diversos inimigos em um show de golpes e luzes constantes na tela do Switch.

Você inicia a aventura controlando apenas uma Legion, a Sword Legion (por motivos de os nomes soarem melhor em inglês, vamos manter a grafia estrangeira ao nos referirmos aos diferentes tipos de Legions presentes no game). Com golpes mortais e movimentos ágeis, essa Legion é uma das mais poderosas que você terá durante o jogo. Porém, a medida que o jogo prossegue, além de poder melhorar e colocar habilidades diferentes em sua Legion, você consegue capturar as outras Legions que se tornaram rebeldes logo no início da trama.

Ao obter todas as Legions, Astral Chain se torna um game muito mais interessante, estimulando o jogador a fazer diferentes combinações com suas quimeras para enfrentar os inimigos e ultrapassar obstáculos de forma mais eficiente. Cada adversário que você encontra é mais vulnerável a certos tipos de ataques diferentes, então você terá que descobrir qual Legion é mais eficaz contra cada um deles. 

Além disso, fique atento para sempre coletar os cristais de matéria vermelha que estão espalhados por toda a Arca e também pelo Plano Astral. Apenas utilizando sua Legion você pode coletá-los, mas uma das vantagens de poder controlar seu bichinho de estimação interdimensional é que você pode lançá-lo a grandes distâncias e até em pontos de difícil acesso. Os cristais são indispensáveis para desbloquear habilidades e fortalecer cada uma de suas Legions, uma vez que os inimigos vão ficando cada vez mais fortes à medida que sua aventura prossegue.

Cada Legion possui poderes únicos que irão fazer os combates serem mais divertidos e sua vida como policial mais simples. Você pode cortar partes do Plano Astral com a Sword Legion; atirar em alvos à distância com a Arrow Legion; levantar objetos pesados com a Arm Legion; farejar itens de interesse ou escavar o chão para revelar inimigos escondidos com a Beast Legion; e gerar um escudo protetivo com a Axe Legion. Além disso, se você conseguir realizar combinações de golpes sucessivos com sucesso ou desviar de um ataque no momento certo você pode disparar o ataque sincronizado, que desfere um golpe poderoso no seu inimigo utilizando seu poder e de sua Legion.

Porém, apesar de tantas Legions e combinações diferentes de habilidades e armas que você pode utilizar (seu personagem pode utilizar uma pistola, um machado ou uma espada, todos com possibilidade de melhoramentos), os combates nunca são confusos, repetitivos ou complicados. Você pode trocar de Legion ou armas com o pressionar de apenas um botão, além de ser capaz de travar a mira nos inimigos, sem nunca perder o foco da luta. O melhor de tudo? O desempenho do game durante o combate é fantástico, tanto no modo portátil quando no modo docked, sem apresentar quedas bruscas de framerate ou atraso nas respostas aos comandos.

A mesma fórmula cunhada pela Platinum Games na série Bayonetta é elevada a um nível superior em Astral Chain com seus combates frenéticos de comandos responsivos e com gráficos e animações de tirar o fôlego. As sequências de ação são tão fluidas e empolgantes que, mesmo depois de assistir a mesma cena da sua Legion arrancando o núcleo de uma quimera inimiga pela enésima vez, você nunca irá se cansar ou deixar de sentir a emoção e pura adrenalina de derrotar um adversário com tanta satisfação.

Uma corrente difícil de quebrar

Astral Chain não é o game perfeito, mas certamente é uma das melhores produções já feitas para o gênero hack n’ slash, que encontrou no Switch um ótimo lugar para proporcionar uma experiência fantástica aos jogadores. Mesmo com algumas quebras de ritmo com sequências de exploração e uma trama que demora um pouco para avançar, o game mostra todo o talento por detrás dos desenvolvedores e artistas da Platinum Games, que entregaram uma obra quase impecável ao prender o jogador não apenas ao seu Legion mas ao combate alucinante que cada confronto propicia.