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Análise | Gears 5 – Renovação Necessária

 

Gears 5 é, sem dúvidas, o jogo mais ambicioso da Microsoft nessa geração e eu não poderia deixar de destacar isso logo no início desta análise. A reinvenção da franquia era necessária e, nesse processo, o grande desafio era trazer a novidade sem que a essência do game fosse deixada de lado.

O jogo começa de onde Gears of War 4 parou e já aqui podemos perceber o cuidado da The Coalition ao apresentar a possíveis novos jogadores onde a trama parou, fazendo um recap no mesmo formato amplamente conhecido nas séries de TV, detalhando os pontos importantes para a história que vivenciaremos, de modo que não aliena novos e velhos jogadores da série.

Desde seu anúncio, Gears 5 deixou claro aos fãs a mudança do protagonismo de JD Fenix, filho do lendário Marcus Fenix, para Kait Diaz o que sem dúvida alguma é uma decisão acertada, já que JD não conseguiu convencer muito no último jogo por conta de sua falta de carisma. Controlamos JD no Ato 1 e isso é essencial para passar o bastão para Kate por conta do desenrolar da história, com um roteiro que faz isso com maestria, trazendo um ritmo gostoso e que nos envolve com picos de emoção e adrenalina desde o início do jogo. Não pisque ainda, pois cada ato proporciona momentos que vão te deixar sem fôlego e com as emoções à flor da pele.

 

 

A história de Kait é envolvente e o desenrolar das descobertas é fluido e emocionante. O jogo torna fácil a conexão entre o jogador e a história da personagem e a forma com a qual a trama é desenhada acaba favorecendo o desenvolvimento dos outros personagens, ampliando as nuances de personalidade e elevando os conceitos de amizade entre eles. É possível dizer que tudo em Gears 5 é extremo e bem trabalhado. O Ato 2 mostra uma das maiores inovações na série: o mapa semiaberto. Para transitarmos nesse mapa gélido – e posteriormente, no deserto – temos um bote, e nele podemos guardar armas para usar quando necessário. O fato de o cenário ser devastado e com poucos pontos de exploração não tira o brilho dos acontecimentos da história principal, e as missões secundárias (isso mesmo!) contribuem com informações sobre personagens e momentos importantes para agregar às missões principais, bem como upgrades para Jack, o robô que acompanha o esquadrão e traz uma variedade de possibilidades na abordagem do gameplay, tais como buscar armas inacessíveis ou distantes no meio de um combate, levantar membros do pelotão que estão caídos, tomar posse de um inimigo e fazer dele um aliado temporário, dentre tantas outras possibilidades, e tudo isso depende de upgrades que o jogador pode fazer no robô a medida que encontra as peças necessárias para isso através de uma discreta árvore de habilidades.

Todas essas melhorias em mecânica e roteiro não mudam o que fez a franquia ser aquilo que é: Tiroteio, sangue e ação. Todas as características primárias da saga estão lá e continua sendo gratificante explodir as cabeças dos inimigos, ver sua armadura ensanguentada após um combate árduo, serrar inimigos ao meio, ou ainda matá-los furtivamente. Os tiroteios são intensos e desafiadores e os inimigos são diversos, o que permite diferentes abordagens de ação para eliminá-los com maior eficácia. Um dos novos inimigos é o Warden, um gigante que carrega consigo dois bastões com espinhos nas pontas e, ao derrotá-lo, é possível substituir uma das suas armas pelo bastão; apesar do tiroteio ser ponto alto, é particularmente divertido usar o bastão no combate corpo-a-corpo contra inimigos menores, já que ele é pouco eficaz contra inimigos maiores.

Enquanto conflitos pessoais e confrontos frenéticos acontecem, não é incomum parar um pouco para apreciar os maravilhosos gráficos que, sem dúvida, são um dos mais bonitos de toda essa geração. No terceiro Ato desbravamos um deserto com tempestades rígidas e perigosas, e tudo isso deixa o jogo mais bonito, com detalhes impressionantes e uma otimização invejável. Para se ter uma noção do desempenho, no Xbox One X ele roda a incríveis 4k e 60fps e, mesmo nos modelos base – seja o Xbox One ou Xbox One S – o jogo é muito bonito e roda muito bem.

 

Problemas no Lançamento

 

É claro que nem tudo são flores e Gears 5 traz consigo alguns problemas. Apesar da excelente otimização, jogando no PC eu experimentei alguns problemas, tais como o jogo fechar subitamente, travar durante uma cutscene e me obrigar a enfrentar um boss por três vezes por conta de repetidas ocorrências do mesmo erro. Consegui solucionar a maioria desses problemas baixando a última atualização do driver da placa de vídeo, porém, os problemas com servidores persistiram por mais alguns dias. Em determinado momento meu servidor em uma partida do modo versus foi abruptamente derrubado e eu fui ejetado da partida. Acredito que a maioria desses problemas serão gradativamente resolvidos com atualizações e patches de correção, inclusive uma atualização já foi lançada para corrigir alguns bugs.

 

Multiplayer

 

Um dos maiores trunfos de Gears 5 é sua longevidade, isso graças às opções de modo de jogo no multiplayer: O tradicional e já conhecido modo Versus com modos de mata-mata, o modo Horda (o meu preferido) e o modo Fuga, que é a grande novidade do multiplayer, trazendo a proposta de ser um modo “Horda”, só que ao contrário, onde o jogador precisa escapar de uma base inimiga em um determinado tempo, com munição e armas escassos. Além disso temos a possibilidade de criar novos mapas e baixar os mapas criados pela comunidade.

Em conclusão, não é precipitado dizer que Gears 5 traz o frescor que a série precisava, e ouso dizer que só o primeiro ato do jogo já é melhor do que toda a campanha de seu antecessor. A forma como os personagens se desenvolvem no decorrer da narrativa mostra um amadurecimento em termos de roteiro e cada ato traz sua carga de ação e emoção, que cadenciam o jogo, consolidando Gears 5 como um forte candidato ao prêmio de Jogo do Ano. A The Coalition acertou a mão nas mudanças propostas e gerou em mim uma forte curiosidade sobre como as decisões tomadas pelo jogador serão abordadas no próximo jogo da franquia, e isso é maravilhoso pois nos deixa ansiosos e esperançosos para algo ainda maior e melhor. O futuro é promissor para a franquia e Gears 5 consegue consolidar os novos personagens de um modo tão cativante quanto brutal.

A cereja do bolo fica por conta da presença de Gears 5 no catálogo do Xbox Game Pass, algo que sem dúvida torna o game quase obrigatório para os assinantes do serviço. Seja ou não um assinante, vista sua armadura e encare essa jornada fabulosa em um dos melhores jogos do ano, e prepare-se para um excelente coquetel de ação, aventura e emoção.

Jogador de shooter, survival horror, horror games e todos seus sub-gêneros. Músico e fã de Queen, Muse e Avenged Sevenfold. Idoso de alma e amante de café.