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Análise | Call of Duty: Modern Warfare – O reboot perfeito para uma franquia de respeito

 

Fim de ano, época de jogar Call of Duty e se vangloriar (ou não) no multiplayer. Como costume temos o lançamento anual de um dos FPS mais jogados de todos os tempos, que de ano em ano vem mudando algumas coisas e assim ganhando o devido respeito novamente. Convenhamos que de uns tempos pra cá os jogos da série Call of Duty vinham deixando a desejar com campanhas fracas e esquisitas, mas que pelo menos entregavam um multiplayer divertido e envolvente para nos segurar por mais alguns meses de jogo.

O renascimento de Modern Warfare deixa bem claro que era necessário uma volta às origens da série, e trazer a glória conquistada na geração passada. Temos a melhor campanha de todos os Call of Duty desta geração, e isso não é exagero. O jogo foi muito bem projetado e entrega o formato tradicional da franquia mas com uma leve melhoria, e trás de volta recursos já antigos mas que estavam esquecidos.

 

A melhor campanha e a mais “pesada” moralmente

O enredo de Modern Warfare se trata de um reboot da franquia que tem sua historia reiniciada, mas permanecendo com os personagens conhecidos que estavam presentes no jogo original.  Temos uma campanha espetacular que vem tentando fazer o jogador ser afetado pelas linhas entre o bom e o ruim,  com suas variadas missões entre vários lugares do mundo. Logo no inicio já é estabelecido quem serão os mocinhos e os vilões do jogo. Fazemos parte de uma equipe liderada pelo lendário Capitão John Price, enquanto a dupla de irmãos Farah e Hadir lideram um movimento de insurgência que luta para empurrar as forças russas para fora de seu país fictício, o Urziquistão.

Por toda a franquia Call of Duty, tivemos muitas cenas um pouco “pesadas” de se ver mas nada tão forte assim. Para falar a verdade, creio que a mais chocante de todas foi a missão “No Russian” presente no Modern Warfare 2 e por se tratar de cenas fortes, o jogo te dava opção de pular este conteúdo para evitar problemas. Na época em que o foi lançado, muito se falou a respeito disso mas acabou ficando por isso mesmo. Da lá pra cá aos poucos foram diminuindo esses momentos chocantes, mas isso não significa que eles acabaram. A Infinity Ward quis mostrar bem os horrores da guerra e conflitos que existem no mundo afora, e alguns deles estão diretamente ligados ao gameplay do jogo e não são apenas um vídeo rolando. Vemos casos de mulheres desarmadas sendo mortas, civis sendo baleados o tempo todo e inclusive crianças.  Mas mesmo no maior momento de Modern Warfare – um confronto com um tenente inimigo chamado de O Açougueiro – A Infinity Ward anda perto da linha moral, mas ainda assim não chega a ultrapassá-la. É sério, nesse exato momento do jogo eu fiquei um pouco tenso pois eu não estava acreditando na cena em si e se realmente o nosso inimigo iria fazer tal coisa. Eu realmente não esperava ver isso em um Call of Duty.

 

Uma missão que me chamou muito a atenção foi a da infância da personagem Farah. Nela podemos ver o uso desumano do gás de cloro, uma arma letal e proibida até em guerras. Os efeitos são altamente dolorosos para a vitima e causam uma morte lenta e agonizante. A equipe do Capitão Price corre desesperadamente atrás daqueles que roubaram uma certa quantidade desse gás, para assim impedir o seu uso pelos terroristas.

A ambientação teve um capricho significativo por todo o jogo, pois temos cenários bem variados e ricos em detalhes. Os efeitos de iluminação das explosões são lindos de se ver, especialmente o fogo dos carros em chamas. A sonoplastia de Modern Warfare é de longe a melhor de toda a franquia, e o realismo em cima disso é tão bem feito que da gosto ouvir cada pequeno barulho. Isso reflete bem nos efeitos das armas, cada disparo é único.

Outro destaque vai para uma missão que fazemos o uso do óculos de visão noturna, onde temos que invadir uma casa e buscar o alvo. Cortamos a energia para dificultar a situação do inimigo e facilitar a nossa. O uso do apetrecho foi o mais real que eu já vi nos jogos, pois foi trabalhado para nos passar a sensação de usar um desses óculos de verdade. Enquanto em outros jogos se trata de apenas de um filtro em cima da tela, esse não age dessa forma. Os produtores tiveram trabalho até na lanterna – sim, até um simples ligar de uma lanterna foi bem pensado. Quando termina uma missão dessas, dá vontade de repetí-la.

Mas apesar de tanto realismo no jogo, temos certos problemas que parecem fazer parte da arquitetura de Call of Duty. Uma inteligência artificial bem mediana que não oferece dificuldade e torna tudo quase sempre muito fácil. A repetição de combates em locais urbanos que já fizemos milhares de vezes em outros títulos da franquia. Não perde muito a graça mas também não apresenta algo novo.

 

O jogo tenta quebrar um pouco o ritmo da sua forma de jogar, tentando não ficar sempre naquela de andar e atirar o tempo todo. Em certos momentos precisamos controlar drones explosivos para abater helicópteros, e em outra temos que utilizar câmeras de segurança para guiar um civil em uma embaixada que foi atacada por terroristas. Em certos momentos somos entregues à liberdade de agir. Temos o objetivo na tela mas podendo escolher como chegar nele, tendo então varias maneiras de como abordar a missão e passando por lugares alternativos.

Ao concluir o jogo você verá um vídeo que mostra o que nos aguarda no futuro. É avisado que a história “continua” em Spec Ops, um modo cooperativo para até 4 jogadores e que possui algumas missões não muito interessantes, mas que fazem parte da receita do jogo. São missões com múltiplos objetivos e que servem para conhecer um pouco mais do eventos finais da campanha e também para liberar outros personagens para o modo multiplayer.

 

O frenético e divertido Multiplayer

Se tem uma coisa que Call of Duty sempre proporcionou, foi um divertido modo multiplayer (exceto o Infinite Warfare. Esse a gente finge que nunca existiu.) Em Modern Warfare voltamos com tudo para enfrentar outros jogadores em variados modos de jogo. As novidades são poucas, mas se mantém fiéis e pé no chão. O grande destaque vai para o uso do Crossplay pela primeira vez na historia da franquia. Algo muito requisitado e que será saudável para o jogo. Temos as clássicas partidas Mata Mata em Equipe e Dominação, além de outros modos inéditos como o Atirador e Guerra Terrestre.

 

Para quem jogou Battlefield, vai se familiarizar com o Guerra Terrestre. A semelhança é bem grande e se trata de um mapa maior do que o normal com vários pontos para serem dominados.

 

 

A progressão de sua classe está bastante equilibrada. Você tem uma variedade de armas e acessórios para equipar e deixar o mais favorável possível para ter um bom desempenho. Cada arma possui uma quantidade de anexos para serem equipados, e todos vão sendo liberados na medida que ela vai sendo usada. Os desbloqueios vão acontecendo sempre que seu personagem vai subindo de nível. Isso vale para as Séries de Pontuação, que são habilidades que podem ser usadas durante a partida quando o jogador faz um sequência de eliminações sem morrer. Ao contrario dos jogos anteriores, não é simplesmente equipar uma mira na arma, uma coronha boa ou um pente de balas e pronto. Agora cada modificação que fizer na sua arma terá seus prós e contras. Ao equipar uma mira, ela te dará maior precisão, mas também irá diminuir a velocidade em mirar com ela. Isso conta muito quando está correndo desesperado pelo mapa e bate de frente com outro jogador. Ganha aquele que sacar a mira mais rápido. Tudo tem que ser bem planejado e não será possível montar uma classe totalmente cheia de benefícios. Então, sacrifícios tem que ser feitos em prol de uma pequena vantagem.

Agora é possível usar uma habilidade durante as partidas, mas é algo que serve mais para assistência do jogador do que pra eliminar os inimigos. São as Melhorias de Campo, que carregam durante a partida e lhe auxiliam durante os conflitos. Temos coisas simples mas bem úteis como caixas de munições, torretas, drones de investigação, entre outros.

 

 

O uso de personagens no multiplayer permanece em Modern Warfare, para deixar um pouco variado durante os confrontos. Não são muitas as opções e nenhum deles possuem habilidades próprias, como acontecia em Black Ops 4. Mas temos a opção de personalizar eles, mesmo que seja simples.

 

 

O uso das armas teve uma grande melhoria e isso se torna visível a cada disparo. O tom mais realista permite matar o inimigo mais rápido, e se melhorassem mais um pouco é certeza que o jogo viraria o modo Hardcore, que o oponente morre com apenas um tiro. Mas a Infinite Ward precisa trabalhar um pouco mais nos mapas, pois existem alguns que favorecem o uso de Spawn Trap, uma tática que consiste em segurar o time inimigo na área de renascimento e impedir que ele saia da li. Isso precisa ser corrigido urgente se querem manter os jogadores novos por mais tempo. Não é algo constante de acontecer, mas é irritante e nem sempre da pra quebrar essa tática se o time não cooperar.

 

 

De volta ao jogo

Com uma campanha excelente e bem aprofundada, Call of Duty: Modern Warfare traz de volta o momento de ouro que a franquia teve no passado. Uma historia envolvente com cenas fortes que fazem com que o jogador tenha uma certa noção dos horrores da guerra e as consequências que ela pode trazer para o mundo. A Infinity Ward quis mostrar isso ao jogador, e mesmo que ela não tenha feito algo mais chocante, ainda sim foi o suficiente para fazer refletir um pouco sobre cada evento que acontece hoje. Infelizmente se trata de uma campanha curta de apenas 6 horas de duração, mas que vale cada momento vivido por cada personagem controlado. Reviravoltas e traições são o combustível para um boa ação e conduzem com perfeição o jogador para a conclusão do primeiro capitulo do reboot. Se jogue de cabeça na história e no multiplayer, seja o melhor jogador e conquiste cada etapa naquele que pode ser um dos melhores FPS dessa geração. Se você curte a trilogia original Modern Warfare, prepare seu coração pois o final do jogo será de fazer qualquer fã ficar altamente empolgado para o próximo jogo.

 

O jogo foi gentilmente cedido pela Activision. O review foi feito em cima da versão de Xbox One.