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TGA 2019 | Conheça mais sobre Sekiro: Shadows Die Twice – Gameplay refinado ao extremo

2020 já está batendo na porta e como de costume, todo final de ano para os jogadores de videogame é especial, seja pelos descontos das datas comemorativas ou pelo grande número de premiações. A mais famosa de todas é o The Game Awards, idealizado e apresentado pelo jornalista Geoff Keighley, que além de conceder prêmios aos melhores games do ano, apresenta uma série de anúncios inéditos, além das apresentações musicais e grandes convidados. E  como sempre cobrimos os eventos mais importantes da indústria, a Torre de Controle elaborou uma série de artigos voltados à categoria máxima do evento: O Jogo do Ano! Continuando com a nova obra prima da From Software, o inovador e polido Sekiro: Shadows Die Twice.

Na E3 2018 fomos pegos de surpresa pela parceria entre From Software e Activision para o lançamento do novo jogo do estúdio de Dark Souls e Bloodborne. Ambientado no Japão Feudal, Sekiro Shadows Die Twice vai contra o estilo narrativo implementado pela From desde Demon’s Souls e conta a história de uma forma mais direta. Em Dark Souls, o jogo se passa depois dos principais eventos que ocorreram no universo, sendo o próprio jogador responsável por enfrentar um mundo devastado juntando as peças do quebra cabeça para, enfim entender a história dos personagens que um dia viveram na região. 

no novo jogo do estúdio, somos apresentados a um protagonista chamado Lobo, o qual possui sua própria história e características, a narrativa do game se desenvolve principalmente durante o gameplay com os principais acontecimentos sendo consequências das ações do próprio jogador com uma narrativa centrada e personagens carismáticos, sendo bem mais atrativo para os novos jogadores que não estão acostumados com a forma Souls de contar história.

Sekiro conta a história de Lobo que jurou proteção ao seu jovem lorde, Kuro, em uma missão de resgate para salvá-lo das mãos de Ashina Genichirou, que está em busca dos segredos da imortalidade através do sangue real da linhagem do jovem (Sim, Sekiro tem um vilão principal, diferente dos outros jogos da From em que seu maior inimigo era o próprio mundo). 

Logo no início do jogo em uma tentativa desesperada de resgate, nosso protagonista tem seu braço decepado e acorda em um templo ao lado de um escultor de estátuas de Buda. Esse escultor presenteia o Lobo com um braço prostético que traz uma das maiores inovações em termos de gameplay.

Durante o jogo ao invés de mudar de equipamento como nos anteriores da empresa, aqui nós apenas utilizamos uma mesma katana, a Kusabimaru, o que pode parecer um defeito para alguns por não apresentar uma variedade de gameplay, porém ter apenas um estilo de combate permitiu que o jogo inteiro fosse desenvolvido pensado especificamente nessa arma, fazendo com que cada encontro com inimigo seja sempre satisfatório e bem trabalhado. Dessa vez a variação de equipamentos foi substituída pelas ferramentas prostéticas e tais aparatos possuem uma vasta gama de possibilidades e habilidades distintas, sendo possível cambiar entre instrumentos durante o combate tornando tudo mais dinâmico.

A jogabilidade de Sekiro é o ponto alto, assim como todo jogo da From Software, temos um gameplay refinado e polido, porém o estúdio de Miyazaki levou o termo polimento ao extremo dessa vez. Sekiro possui uma das jogabilidades mais precisas e talvez uma das hitboxes mais bem definidas de um jogo de ação com combate corpo-a-corpo. Com um ritmo de batalha comparável a de um jogo de ritmo, o jogador precisa estudar e entender toda a movimentação do inimigo para ter uma melhor abordagem e saber exatamente o momento de atacar.

Em Dark Souls, o jogador é a presa. Em Bloodborne, o jogador é o caçador. Em Sekiro, o jogador é a sombra. Com a implementação do pulo, uma corda para facilitar na movimentação e agachamento para entrar em modo stealth, Sekiro se torna um jogo vertical com diversas possibilidades de abordagem. Assim como qualquer bom ninja, você pode derrotar praticamente todo inimigo do jogo se esgueirando pelos cantos ou pelos telhados para atacar de forma fulminante qualquer um que se coloque em seu caminho.

A dificuldade sempre foi um ponto muito falado sobre quaisquer jogos que a From Software desenvolve, em Sekiro não é diferente. Talvez o jogo com uma das curvas de aprendizado mais lentas e punitivas, ao mesmo tempo é um dos jogos mais recompensadores tornando qualquer situação, que à primeira vista pode parecer impossível de ser superada, contornável por meio da habilidade do jogador e na sua capacidade de aprender a movimentação de cada inimigo.

Desse modo, Sekiro acaba se tornando um jogo mais difícil do que seus antecessores por não possuir um sistema de nível. Os únicos upgrades que o jogador consegue durante o gameplay são para aumentar o ataque, aumentar a barra de saúde e liberar novas habilidades, aumentar a força de seu personagem só é possível pela progressão no jogo derrotando os boss e mini-boss, ou seja, para avançar no jogo não é possível realizar nenhum tipo de grind. Você, o próprio jogador, deve se tornar mais forte para superar os desafios.

Nessa perspectiva, o jogo deixa de lado suas características de RPG e foca no desenvolvimento da habilidade do jogador apresentando a morte não apenas como uma acepção da falha em combate, mas sim como uma nova oportunidade para analisar o que pode ser aperfeiçoado em sua nova tentativa. 

Exatamente as tentativas estão relacionadas ao subtítulo do jogo, Shadows Die Twice. Em consequência da linhagem de Kuro, nosso protagonista recebe o poder da imortalidade (ou talvez uma imortalidade parcial) e isso permite que o jogador ressuscite em batalha pelo menos uma vez para tentar derrotar seu inimigo. A princípio isso foi visto por parte do público como uma ajuda para tornar o jogo menos difícil, porém tudo foi balanceado pensando nessa mecânica tornando os ataques dos inimigos muito mais punitivos do que em qualquer outro jogo.

Em suma, toda a variedade de mecânicas em combate, a precisão do gameplay extremamente polido, a forma de narrativa direta com personagens cativantes e a vasta lore baseada no folclore japonês feudal torna Sekiro uma obra prima da indústria, fazendo com que o game seja um dos favoritos a levar o prêmio de jogo do ano e quebrar o tabu da From Software de nunca ter conseguido vencer o prêmio.

A From Software conseguiu novamente realizar uma nova iteração em cima da fórmula Souls. É um jogo em que você precisa se tornar bom e não há outra forma de continuar, o jogo ensina o jogador a lidar com os erros e melhorar, trazendo uma satisfação enorme no momento que você passa por um desafio. Então siga os conselhos do budismo, relaxe e aprecie a bela obra de arte que é Sekiro.

Sekiro Shadows Die Twice está disponível para Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One.

Membro e editor no Splitcast, estudante de Engenharia Eletrônica e nas horas vagas eu jogo Hollow Knight e Stardew Valley.