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Análise | Warcraft III: Reforged – Mal necessário

Olá intrépidos jogadores!!!
Após uma longa espera, finalmente iremos falar sobre um dos jogos mais aguardado de todos os tempos, isso dado que foram mais de 14 meses após o seu lançamento na pré-venda, em 02 de novembro de 2018 – curiosamente, dia de finados.
Eu mesmo, à época, fui um dos responsáveis pela queda dos servidores da loja online, tamanha era a expectativa pelo novo jogo. Também, não era para menos, tínhamos um ícone da décima arte, responsável por consolidar o estilo de jogo RTS, inserir conceitos de história e imersão nunca antes vistos, que propiciaram o surgimento de World of Warcraft, o maior MMORPG já criado, mas, sobretudo, que a partir de sua engine os próprios jogadores foram capazes de um feito inédito, criaram o MOBA, uma nova segmentação de estilo de jogo. E tudo isso seria reformulado para os dias atuais, com mais horas de cinematic e correções da linha de eventos da história a partir de novas missões. O próprio vídeo promocional fazia questão de destacar, em letras garrafais, o que estava por vir:

“Modelos e animações completamente redesenhados”
“Campanhas e mapas remasterizados”
“IU e editor de mundo renderizados”
“Recriado em resolução 4k”

Não tinha como dar errado, pois era a o selo de qualidade Blizzard que estava endossando este novo produto e então esperamos “pacientemente”, com um beta que já não agradou muito. Até que, em 28 de janeiro de 2020, enfim, baixamos os impressionantes 27GB de WARCRAFT III REFORGED.

Uma coisa é certa, nunca se falou tanto de um jogo em sua semana de estreia. Estamos sendo bombardeados por críticas negativas, de que o jogo não estava pronto, cheio de bugs, um engodo para gerar receita, de ser apenas uma skin malfeita, que a edição de mapas agora é de propriedade da Blizzard, que os direitos de consumidor não estão sendo respeitados e mais uma infinidade de situações que aparecem a cada dia.

E o que existe de comum em todas estas notícias é que, de fato, são verídicas, tanto que a própria empresa colocou em seu site um blue print para reembolso do jogo, além de uma nota de esclarecimento, em linhas gerais, sobre a situação atual e o que está sendo planejado para o futuro.

A situação é tão estranha que até uma análise técnica fica difícil de realizar, já que há relatos de jogadores com máquinas inferiores à recomendação mínima que rodaram sem problemas e jogadores com máquinas de configuração superior onde o jogo simplesmente não rodava.

É claro que, na grande maioria, o end game do jogo pode ser realizado e até mesmo é possível ver a tentativa de se melhorar os gráficos nos ângulos das câmeras e nos novos desenhos de alguns personagens principais. O próprio Grommash estava perfeito, muito parecido com o que vemos na expansão de WoW, Warlords of Draenor, porém, quando chegam as cutscenes percebemos o descaso através dos vídeos medíocres, onde só aplicaram uma simples correção a fim de ajustar a resolução para os novos monitores. Nem mesmo a luta entre Arthas e Illidan, que teve um acréscimo de tempo com novas performances, foi relevante.

Mas, o que nos resta? O reforged não pode ser recomendado nesta situação e nem podemos recomendar a versão clássica, pois conseguiram bagunçar o sistema de login que agora força os jogadores a adquirirem a nova versão, mesmo para quem já tinha adquirido a versão clássica em mídia física.

Acredito que devamos refletir sobre a situação até aqui. Tivemos o privilégio de viver em um tempo onde uma empresa chamada Blizzard nos ensinou o que é o respeito e o amor pelos jogos eletrônicos, elevando-os ao seu posto de arte.
Contudo, a ideologia da empresa foi substituída pelo lucro, que, em teoria, não é necessariamente boa ou má. A forma que nós jogadores lidamos com os jogos é que faz a diferença. Em outras palavras: se queremos jogos de qualidade, devemos investir nosso tempo, esforço e dinheiro em produtos que nos tragam a alegria de jogar, qualquer que seja o estilo ou modalidade. O prazer da competitividade deve residir dentro do jogo e não fora. Não devemos glorificar aquilo que está por vir ou que nos consome por recompensas medíocres, que por vezes são pagas.

Neste contexto, espero que o WARCRAFT III REFORGED seja o marco desta mudança de mentalidade.
Existe uma passagem de World of Warcraft que exemplifica bem todo este cenário e tenho certeza de que foi criada para tempos como este.

Bom jogo a todos e até o próximo login.

Este review foi realizado através de um cópia cedida gentilmente pela Blizzard. Warcraft III: Reforged está disponível para PC.


Análise escrita por @corcoveio

Fundador da Torre de Controle, produtor no Splitcast e Transmissão Instantânea. Sou apenas um jogador tentando sobreviver em um jogo sem pause, vida extra ou checkpoint. Esse jogo é a vida. Twitter/Insta: neeverlong