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Análise | Resident Evil 3 Remake – O equilíbrio perfeito entre ação e terror

 

Resident Evil 3 Remake foi altamente desejado pelos fãs da franquia. Um jogo que marcou uma geração de jogadores no PS1 e veio no embalo da Capcom após trazer o remake de Resident Evil 2. Na pele de Jill Valentine, somo levados para uma Raccoon City em meio ao caos que surgiu devido ao surto zumbi. Um jogo que vai deixar sua marca nesse fim de geração, seja ela boa ou ruim.

O início do caos

Vemos um começo calmo e aparentemente nada de anormal. Jill está em seu apartamento fazendo os preparativos para sair rapidamente da cidade pois está ciente do que vai acontecer, mas de forma inesperada, ela é interrompida por uma criatura monstruosa que atravessa a parede da sua casa indo atrás dela. Nesse momento a ação se inicia e nosso principal objetivo é se manter vivo e escapar dessa perseguição. Ao alcançar as ruas, nos é mostrado o inferno que se tornou a cidade. Pessoas correndo para todo lado, gritos, zumbis, e tudo isso somado ao fato que você está sendo caçado. A criatura gigante está atrás dos membros da S.T.A.R.S. e não será nada fácil fazer com que ela saia do seu pé.

Ao jogar Resident Evil 3, você tem que se dar conta que o jogo se passa exatamente 24 horas antes do Resident Evil 2, e que por isso é altamente recomendado que tenha jogado o antecessor para que possa entender alguns fatos sobre o jogo. Não é obrigatório, mas ajuda.

 

 

Um inimigo altamente poderoso e insistente

Em Resident Evil 3 é notável que ele siga um caminho diferente do jogo anterior, ao abordar um tom focado na ação e combate do que no terror e suspense. Isso não o torna ruim pois faz parte do ritmo que se encontra e sendo necessário para ser diferente de Resident Evil 2. Até porque seria bem complicado manter um clima mais sombrio focado no suspense, se existe uma criatura te perseguindo o tempo todo com um armamento pesado. Seu codinome é Nemesis, um Tyrant modificado pela Umbrella que possui a vantagem de ser controlado por alguém. É a arma biológica perfeita e não teria melhor momento para observar seu funcionamento do que agora. Nemesis foi programado para caçar um alvo especifico – a sua força bruta, combinada com sua armas pesadas, faz com que Mr. X seja nada perante ele. O Nemesis é, naturalmente, mais forte, mais ágil e muito mais rápido do que você. Seus tentáculos são utilizados para puxar você de volta para ele, correr, pular na sua frente, destruir muros e até mesmo chamar um arsenal de armas. Além disso, a grande novidade do Nemesis, é uma habilidade que permite infectar zumbis para que se transformem em lacaios semelhantes aos “Plagas” que vimos em Resident Evil 4. Nem preciso falar o quanto isso acaba com sua tranquilidade ao se deparar com um desses na frente.

Durante toda a jogatina, é recomendado calcular um pouco sua munição para que não corra o risco de entrar em um situação de combate e ver que o assunto terá que ser resolvido na faca. Em vários momentos podemos utilizar o cenário ao nosso favor e ganhar vantagens durante a luta. Temos alguns barris que explodem ao atirar neles, e geradores de energia que durante o momento que são atingidos, eletrocutam todos os inimigos próximos. A nova mecânica de esquiva também é bastante útil para as longas caminhadas nos corredores da cidade. O espaço curto ao enfrentar o zumbi pode ser facilmente contornado se você souber a hora certa de utilizar a esquiva. Com o tempo você vai pegando o jeito e passa a desviar de todos com perfeição, lhe poupando munição e tempo.

Os zumbis são apenas uma pequena ameaça, pois afinal, o inimigo maior se trata do Nemesis. Infelizmente, o número de monstruosidades do jogo é ridiculamente baixo, fazendo com que enfrentemos praticamente os mesmos tipos de inimigos por quase o jogo todo. Não sei se foi proposital isso, ou por preguiça, já que o jogo não possui uma longa duração de campanha.

 

Ambientação pesada e caótica

Graficamente falando, a engine utilizada em Resident Evil vem trazendo umas melhorias que nos beneficiam com seu visual. Raccoon City está muito bem detalhada por cada canto que passamos. Becos sujos, ruas cheias de carros e entulhos, lojas bagunçadas, e cenários em chamas. Por cada lugar que precisamos passar, o visual apresentado é lindo de se ver. Os efeitos de luz e sombra dão um toque a mais nesta receita que ajuda criar uma atmosfera pesada e de medo. Como parte da obra, foi feito um trabalho digno na trilha sonora do jogo, sendo a cereja do bolo nessa composição de detalhes. Uma pequena observação que já era de se esperar é que houve uma reciclagem de cenários que foram utilizados em Resident Evil 2. Durante a trama ainda vemos como certos momentos enfrentados por Leon podem ser vistos de outra perspectiva, já que a conexão dos dois jogos é bem próxima e se torna interessante quando vemos certo lugares e pensamos: “O Leon vai passar ali”.

Mesmo que a cidade esteja num inferno total, nos encontramos com alguns personagens que são importantes e outros apenas passageiros na trama. O memorável Carlos, com suas piadas, servem para quebrar um pouco o clima de desespero do jogo. A Jill com sua postura firme e decidida, não se deixa levar por esses momentos que parecem ser ridículos para ela. A construção dos dois personagens é feita em uma historia linear, mas que ajuda a entender um pouco das emoções de cada um. A alternância entre eles por alguma circunstância nos permite aprofundar no caráter vago de Carlos e mudar o clima de ação rápida da agente da S.T.A.R.S. para uma atmosfera de horror mais de sobrevivência com o agente da U.B.C.S. Essa alternância é muito agradável, com uma forma de abordar os problemas por um meio completamente diferente.

 

A capacidade em deixar as coisas fáceis

O começo do jogo é sempre um pouco mais difícil, já que precisamos entender como funciona tudo e estamos focados em não desperdiçar nada. Com poucos minutos temos a ajuda de mapas que mostram áreas não exploradas e itens deixados para trás. Embora seja pequena, a primeira parte do jogo é focado nas ruas da cidade e foi muito bem pensada, ao termos que ir de um lado para o outro em busca de itens para conseguir passar por um área que está bloqueada por algum motivo. É tudo muito óbvio para se resolver, os puzzles são poucos e ridículos de fáceis, e não gera um esforço para concluir a grande maioria. Nada realmente bloqueando, fazendo pensar por alguns minutos e andando pelos quartos, a solução está quase sempre na sua cara. A falta de dificuldade geral, mesmo na forma de recuperar armas e vários acessórios, contribui bastante na redução do gameplay. Além do mais, ao fechar o jogo não somos motivados a concluir novamente a campanha, deixando apenas uns itens pare ser desbloqueados mas que não agregam em muita coisa.

Em certos momentos os confrontos se tornam um pouco complicados, seja pelo número de inimigos ou por um inimigo especifico. Mas seu arsenal se torna tão variado que não vemos dificuldade em enfrentar diversas situações. O foco na ação acaba deixando quase tudo fácil, mesmo que essa seja a intenção. Então não espere o mesmo impacto e dificuldade que teve ao jogar o Resident Evil 2, já que a proposta deste jogo é totalmente diferente.

Conclusão

Resident Evil 3 cumpre bem o seu papel, e mostra porque veio ao mundo. A aventura e toda a abordagem vai agradar tanto os fãs de ação sem que seja sacrificado o seu lado de sobrevivência e suspense, assim  como aqueles fãs do gênero de horror. Toda a atmosfera é simplesmente um colírio para os nossos olhos, pesada e ainda reforçada pela pressão constante do Nemesis que desfruta de uma IA muito melhor do que o Mr. X. A música nos imerge em um universo de pesadelo constante, com pequenos momentos de calmaria e outros de puro desespero. Até nos créditos finais a trilha sonora se torna bela. No entanto, a aventura é bastante simples em seus confrontos, devido as novas mecânicas de jogabilidade, e não colocará seus cérebros para trabalhar com muito esforço, e os poucos quebra-cabeças são muito básicos e bem fáceis de resolver. Mesmo procurando armas e acessórios que não estão realmente escondidos, a campanha pode ser concluída muito rapidamente. Apesar disso, foi uma experiencia divertida ao jogar com Jill e Carlos, além de conhecer personagens que cumpriram muito bem seu papel. A Capcom provou mais uma vez que tem umas das melhores franquias do gênero, mesmo que possua algumas falhas.

 

Resident Evil 3 estará disponível para PC Playstation 4 e Xbox One a partir de 3 de abril de 2020.

Esta análise foi feita na versão de Xbox One. O jogo foi gentilmente cedido pela Capcom Brasil para este review.