A reinvenção do céu de ninguém

Eu sempre bati muito em No Man’s Sky. Achava sua proposta boba e enganadora. Na sua primeira versão o jogador ia do nada pra lugar algum. Além de ter severas promessas que não foram cumpridas. Os desenvolvedores então pegaram seu chapéu, pediram desculpas e ao invés de abandonar o game, fizeram uma série de atualizações. Cada uma delas acrescentava inúmeras coisas, como novos elementos, um multiplayer real, e muito mais coisas para fazer do que só chegar ao centro do universo.

Nessa última promoção do Xbox, eu finalmente adquiri uma cópia do game. Estou com pouco mais de 4 horas de jornada, e muitas dúvidas vieram à minha mente, não sobre o game, mas sobre a minha própria vida.

Obviamente eu não tenho o menor perfil para ser um astronauta, nem teria a paciência de estudar o tanto que essas pessoas precisam. Além de que na vida real não é tão fácil de fazer antimatéria como é no game. Mas as dúvidas que me surgiram foram: para onde estou levando a minha vida e qual o sentido dela?

Teoricamente estamos todos aqui na Terra para fazer o melhor possível para o mundo, quem sabe deixar herdeiros, construir coisas e/ou deixar nossa marca por aqui e partir pro sono eterno dos justos. Porém, essa pandemia desgraçada parou o mundo e também me fez refletir muito sobre os meus objetivos e funções. Tenho um trabalho que gosto muito e também tenho a oportunidade de falar sobre games com várias pessoas que eu realmente admiro. Mas será que é só isso?

Durante a última semana eu vi um amigo no Twitter postar diversas fotos de partes do game que ele estava jogando, Watch Dogs, e eu me peguei perguntando: por quais motivos eu nunca vi as coisas que estavam nas fotos dele? Eu refleti um pouco sobre isso e cheguei a conclusão que eu não sei jogar vídeo game. Eu basicamente vou do ponto A para o ponto B, faço a missão e abraço, segue a vida.

Tomado por esse sentimento, eu resolvi olhar em volta enquanto jogava No Man’s Sky, e o resultado foi esse aqui:

Eu me senti maravilhado. Um novo mundo de oportunidades se abriu para mim. Uma outra cena que me marcou, mas eu não tirei fotos, foi quando eu achei a minha primeira caverna e comecei a andar por lá sem rumo. Vi muitas pedras diferentes, plantas e brilhos que nunca havia prestado atenção em um game.

Uma outra cena que me impactou bastante foi a minha primeira viagem interplanetária. Ir para o céu aberto e ver estrelas, meteoritos e seja lá o que eram aquelas coisas, mudou a forma como eu via o game. Lá eu tinha uma liberdade que, no momento, eu não tenho na vida real. E isso foi libertador.

Vou continuar a minha jornada pelos planetas de No Man’s Sky. Agora estou curioso para saber os motivos e mistérios em torno do jogo. Eu precisava escrever esse texto, mas não para me redimir com o game, longe disso. Meu intuito aqui é exaltar o feito da sua produtora, a Hello Games, que ao invés de abandonar o game continuou a polir e adicionar coisa. Em breve, quem sabe, eu faço uma parte dois. Mas se isso vai realmente rolar, só o tempo dirá.

 

Um treinador de Pokémon aposentado que quer se tornar profissional de futebol de botão. Ama joguinhos mais que tudo e prefere debater ideias e teorias sobre eles do que necessariamente jogar. Power metal é água, ou seja, a fonte de vida.