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Análise | Exit the Gungeon – Preso na balada

Exit the Gungeon, publicado pela Devolver Digital e desenvolvido pela Dodge Roll e Singlecore, chegou primeiro nos dispositivos iOS em setembro de 2019, sendo publicado somente em 17 de março de 2020 no Nintendo Switch e na Steam. O jogo é um Bullet Hell Dungeon Climber, mas que diabos é isso? É o que veremos.

Exit the Gungeon dá sequência às aventuras dos desajustados “Balexploradores”, que buscavam uma redenção em Enter the Gungeon. Desta vez, o Balabirinto se tornou um paradoxo e está em colapso! Equipados com armas que sempre mudam, uma necessidade insaciável de saquear e a boa e velha cambalhota, nossos heróis devem encontrar uma forma de escapar, cada um seguindo sua própria rota, por meio de elevadores cada vez mais perigoso. Enfrente os últimos e mais amargos Zumbalas em um ritmo frenético, descansando apenas para conversar com alguns velhos conhecidos… e novos amigos também. Nesta nova aventura de exploração em um arsenal em forma de dungeon, tudo muda o tempo todo, incluindo as salas, os inimigos, os chefões, os itens e as armas bizarras, para garantir que nenhuma partida seja igual a outra. E além disso, agora você pode usar chapéus. Todo mundo adora chapéus… e spin-offs, nesse caso, de Enter the Gungeon.

Como visto acima, extraído diretamente da descrição do jogo na eShop, Exit The Gungeon é um spin-off, e ao mesmo tempo, uma sequência de Enter The Gungeon, um bullet hell dungeon crawler que fez um relativo sucesso. Mas, este que vos escreve, não jogou o primeiro jogo, ou seja, pode ter deixado passar diversas referências ao jogo original. Sabendo disso, vamos lá!

O jogo possui uma jogabilidade única, com visão lateral, ao estilo plataforma, com controles no estilo dual analog shooter, onde o analógico esquerdo movimenta o personagem e o direito a mira, isto na versão 2.o.0, à qual joguei 80% do tempo. Esta versão possui algumas personalizações nos comandos, sendo a que melhor me adaptei foi a troca do botão de tiro do padrão “R” para o “ZR”.

Pouco depois do lançamento, já no início de abril, foi lançada a versão 2.0.6 no Switch, que levou em conta diversos feedbacks dos jogadores e melhorou absurdamente a jogabilidade, ampliando as opções de personalização dos controles e refinando o balanceamento do jogo (que ficou, digamos… menos impossível). O análogo direito passou a ter a opção de mirar e atirar ao mesmo tempo, o que tornou o game bem mais divertido. Mas aqui vai uma observação: as atualizações entre a versão 2.0.0 e 2.0.6 foram feitas de forma incremental na Steam, sendo que o Switch pulou da versão 2.0.0 para 2.0.6.

Em Exit The Gungeon, as armas são constantemente trocadas em um curto intervalo de tempo, tornando cada tentativa de sair do balabirinto (o objetivo final do jogo) uma experiência única: temos desde escopetas, arma de espirro (cuidado com o COVID-19), que atiram abelhas, mísseis teleguiados, lasers, tentáculos de polvo à canhões. E, é aqui que temos a maior crítica ao título: algumas delas necessitam de um tempo de carregamento para disparar um único tiro, esta mecânica, aliada ao inferno de balas ao seu redor, é a receita do desastre. Mas pelo menos, estas são a minoria.

No início temos quatro personagens controláveis (os Gungeoneers), sendo que cada um inicia com um item passivo exclusivo, mas que no fim, não altera muito o gameplay:

  • Soldado: Possui “Treinamento Militar”, que melhora a manuseio das armas;
  • Piloto: Possui uma “Personalidade Irresistível”, que dá um desconto  nos itens das lojas;
  • Condenada: Possui uma “Foto Irritante” que aumenta o dano dos equipamentos por um curto período após ser atingida;
  • Caçadora: Possui um cachorro equipado com um jetpack que coleta as balas (moedas) e itens, mas que pode confundir o jogador quando a tela está repleta de inimigos e projéteis.
Os baladeiros.

O personagem é invulnerável quando está pulando, descendo de plataformas ou rolando, portanto se prepare para pular e atirar para todos os lados, se quiser sobreviver por mais tempo. Devemos passar por diversos elevadores, fases estáticas e até mesmo fases com progressão lateral. Os primeiros elevadores e andares são os mesmos para cada um dos personagens. Mais adiante, as fases são específicas para cada um. Temos ainda um sistema de combo, que vai aumentando conforme a quantidade de inimigos derrotados, sendo que, quanto mais alto, maior a probabilidade de encontrarmos armas e itens mais poderosos. Caso seja atingido, o contador de combo regride, por isso, prefira usar o especial que limpa as balas da tela, mas com parcimônia, pois são bem limitados.

A quantidade de itens desbloqueáveis é enorme. Temos power ups, armas, lojas, fases bônus (desafios), personagens jogáveis e o mais importante (ou não): chapéus, que são itens apenas cosméticos. Um problema é que os power ups são bem fracos e até mesmo irrelevantes, não ajudando o jogador como deveriam. Outra crítica importante fica com relação à tradução do jogo. Diversos diálogos ainda estão em inglês, mesmo que se selecione a opção de jogar em português.

Os gráficos em pixel art são bem caprichados, coloridos e detalhados. A trilha sonora não atrapalha, já que o jogo exige tanta concentração, que a mesma passa quase despercebida.

Ao final de cada tentativa, são apresentados o número de inimigos derrotados, tempo de jogo, armas utilizadas, pontuação, bônus e a quantidade de tentativas até o momento. O tempo que levei entre as tentativas variava entre 3 minutos, quando comecei a jogar, até mais de 15 minutos quando cheguei na 100ª tentativa, quando finalmente… continuei preso no balabirinto, mesmo já tendo desbloqueado quase todos os inimigos (chamados de zumbalas) e armas.

O excesso de aleatoriedade nos itens, power ups, lojas e chefes que são encontrados a cada tentativa torna o jogo mais difícil, caindo na armadilha de tentativa e erro, mas, pelo menos, o reinício para uma nova partida é bem rápido.

100ª tentativa de sair do Balabirinto.

Exit the Gungeon é um jogo bem divertido, mas não se preocupe em terminá-lo, pois o excesso de aleatoriedade e a dificuldade exacerbada podem levar à frustração. Recomendado àqueles que gostam de um bom desafio e para também para jogadores casuais, que querem jogar apenas alguns minutos para se distrair, sem compromisso em terminar o jogo.

Esta análise foi feita com a versão de Nintendo Switch, gentilmente cedida pela Devolver Digital. Está disponível ainda na Steam e na App Store.

Revisão: Ailton Bueno

A primeira vez foi com Golden Axe, tão pequeno que precisava usar um banco para alcançar os controles do fliperama. Passou por todas as gerações de consoles e joga no PC desde 1991 (mesmo que hoje bem pouco). Fã de RPGs, jogos de corrida, indies e qualquer jogo com uma boa história.