Nintendo, não mude nunca

Ame ou odeie, a Nintendo sempre faz o que ela quer. Quando ninguém esperava absolutamente nada, eles anunciaram o lançamento de um novo game da franquia Paper Mario, e já com data de lançamento. Eu, pelo menos, não fazia ideia de que tal game estava em desenvolvimento, e sequer imaginava que sairia daqui dois meses. E eu acho isso deveras sensacional.

Desde sempre, a Nintendo sempre foi contra a maré. Em 1983, a indústria dos games quebrou nos Estados Unidos, e lá vai ela lançar um dos consoles caseiros mais importantes da história: o NES. Dois anos depois, com a cara e coragem, eles praticamente reviveram a cena que estava esquecida e sem confiança por parte dos lojistas e jogadores.

Nos anos 90 foi aquela briga ferrenha com a Sega pela liderança. Uma atacava a outra de forma brutal e gerou uma das coisas que eu mais gosto: o Console War. Ache bobo ou não, muita gente só passou a conhecer os games graças a uma ou outra piadinha feita nas revistas e entre os amigos que preferiam a Big N a Sega, e vice-versa. O Super NES se digladiava com o Mega Drive, até que a Sega resolveu que iria fazer um periférico de CD, e isso fez a Nintendo se mexer e convidar a Sony para produzir algo similar. Porém, o tocador de CD da Sega flopou lindamente, o que fez a Nintendo mandar a Sony às favas. Posteriormente, eles viriam a lançar o PlayStation e chacoalhar o mercado de games mais uma vez, mas isso é outro papo.

Em meados dos anos 90, todos só queriam saber de jogos em 3D. As desenvolvedoras clamavam para que a Nintendo seguisse os passos das suas rivais e também fizesse um console com CD, mas eles se mantiveram firmes e anunciaram o Nintendo 64, ainda com cartuchos. Muitas produtoras viraram as costas para a Big N, como a Square Soft (atual Square Enix), mas a empresa se manteve firme.

Uma das grandes novidades do console era seu novo controle, que eu nem sei como descrever aqui. Ele tinha um analógico e seis botões de frente, além do L e do R e um Z atrás. Bizarro. Além disso, o 64 usava cartuchos que eram caros de se produzir. E apesar de muitas críticas, jogos antológicos saíram para o console. Super Mario 64 mudou a forma como vemos jogos de aventura em mundo aberto com diversas fases diferentes e que desafiavam e muito os jogadores. The Legend of Zelda: Ocarina of Time revolucionou a forma como jogamos um game de ação e é considerado até hoje como um dos melhores games já lançados na história. Além de muitos outros.

Nesse ínterim, a Sega lançou o seu Saturno, o Dreamcast, e se retirou do mercado. A Sony com o PlayStation passou a reinar. Na virada do século, um novo jogador entraria na briga: a Microsoft com o Xbox. A Nintendo por sua vez olhou o que seus adversários faziam e resolveu fazer tudo diferente.

A empresa anunciou o GameCube, que em vez dos CDs e DVDs, usaria um disco diferenciado que só funcionaria no seu aparelho e era menor do que os convencionais. O controle mudou mais uma vez e ficou mais próximo dos seus concorrentes, porém com tamanhos diferentes nos botões frontais. Este é considerado por muitos com um dos melhores já feitos até hoje. Muitos bons jogos foram feitos para o aparelho, mas ele não caiu no gosto das pessoas. Super Smahs Bros. Melee é considerado um dos melhores games da franquia até hoje. E The Legend of Zelda: The Wind Waker pegou a todos de surpresa com sua animação única. Porém, eles precisavam mudar de novo para alcançar todos os públicos.

E como já vimos, eles não estão dispostos a copiar os adversários, muito pelo contrário,  criam tendências. Foi então que anunciaram o Revolution. Esse console tinha um controle que muito mais lembrava o que usamos nas TV do que os de videogame e tinha a capacidade de reconhecer movimentos. Algum tempo depois, o console mudou de nome para Nintendo Wii, e, depois de lançado, explodiu em vendas, alcançando até mesmo pessoas que jamais haviam segurado um controle de vídeo game na vida. Uma verdadeira Revolution. Wii Sports animou festas e reuniões familiares no mundo inteiro. Enquanto a Sony e a Microsoft brigavam para ver quem tinha o console mais forte, a Nintendo lançava Mario Galaxy que agradava todo mundo e é considerado um dos melhores até hoje. Impressionante como sempre tem um grande sucesso.

Depois disso, e querendo aproveitar o sucesso do seu console, eles anunciaram uma bomba: o Nintendo WiiU. Ninguém entendeu direito o nome. Muitos leigos achavam que o WiiU era um periférico e não um aparelho novo. O controle mudou mais uma vez. No entanto,  havia uma tela onde o jogador poderia jogar sem estar ligado na TV. Para que fazer algo normal, não é mesmo?

Mesmo não vendendo muito, a Nintendo conseguiu, mais uma vez, lançar um sucesso, Super Mario Maker. O game permitia com que os jogadores criassem telas usando os elementos do mundo do Mario e publicassem na internet, além de baixar fases dos amigos e jogar. Foi um fenômeno. Então, para a surpresa de muita gente, a Nintendo anunciou que estava trabalhando em um console de codinome NX. Todo mundo achava que seria um console mais próximo dos seus concorrentes, mas a Nintendo tinha cartas na manga. E depois de muito suspense, eles anunciaram o Nintendo Switch. Que também é extremamente inconvencional, já que é um console híbrido, ou seja, da para jogar na TV e no modo portátil.

A ideia original desse texto se alterou no meio do caminho. Mas eu quis colocar todos estes pontos para mostrar como a Nintendo aposta e arrisca e não está nem aí se A ou B estão fazendo uma coisa ou outra. A Big N é uma empresa que consegue agradar desde os gamers mais hardcore como aqueles casuais que só tem às vezes minutos no dia para desfrutar de uma ou duas partidas de qualquer game que seja. Por isso tudo, Nintendo, não mude nunca. Você será sempre um dos pilares do mundo dos games. E o Mario será sempre aquele que trará coisas novas, mesmo usando o mesmo conceito de jogo por quase quarenta anos. Que venham mais Zeldas, mais Pokémon, e muitos mas muitos jogos geniais que só você consegue fazer.

Revisão: Marina Guedes

Um treinador de Pokémon aposentado que quer se tornar profissional de futebol de botão. Ama joguinhos mais que tudo e prefere debater ideias e teorias sobre eles do que necessariamente jogar. Power metal é água, ou seja, a fonte de vida.