Análise | New Super Lucky’s Tale – O conto da raposa

New Super Lucky’s Tale, desenvolvido pela Playful e lançado em 08/11/2019 no Switch, é um jogo de aventura em 3D, com uma variedade impressionante de gameplay e desafios. É uma versão aprimorada de Super Lucky’s Tale, um exclusivo de Xbox One e PC. Jogos de aventura em 3D, temos ao monte, mas este consegue se destacar, ou é apenas mais um? É isso que vamos descobrir.

O jogo se passa em um mundo onde o feiticeiro Jynx tentou roubar o Livro das Eras. A Ordem dos Guardiões impediu, mas Jynx mandou boa parte dos membros da ordem para outros mundos, por meio de sua magia. Os poucos que restaram (entre eles, Lucky e Lyra Swiftail) passaram anos fugindo e escondendo o livro, mas acabaram descobertos pelo vilão e sua trupe de gatinhos. No entanto o livro reagiu violentamente à magia de Jynx e lançou suas páginas para diversos mundos por meio de portais, levando ainda Lucky e sua Ninhada. Assim, começa o conto de Lucky, que terá que resgatar as páginas do livro e derrotar Jynx, para retornar para casa.

 

New Super Lucky’s Tale é uma versão expandida do segundo jogo (o primeiro jogo, Lucky’s Tale foi lançado exclusivamente no Oculus Rift) que recebeu diversas melhorias, como a possibilidade de rotacionar completamente a câmera nas níveis em 3D, redesign das fases e novas fases. Lucky deixou de ser um personagem quadrúpede e até mesmo temos uma história completamente nova.

A jogabilidade transita entre plataforma 3D, plataforma 2.5, puzzles, runners (como BEAT.TRIP Runner) e até mesmo fases com missões secundárias, semelhantes à side quests de RPGs .  Os controles são bem responsivos e tão bem implementados que é difícil não acertar um pulo ou um alvo nas fases em 3D. Assim como Super Mario 64, as fases são acessadas por meio de hubs nos seis mundos presentes, cada um com uma temática diferente.

 

Em cada fase comum, é possível coletar até quatro páginas do livro: uma página recebida ao coletar mais de trezentas moedas, uma por pegar todas as letras de “Lucky” (da mesma forma que Donkey Kong Country), outra oculta em algum lugar da fase (geralmente disponível após completar um desafio rápido e, por fim, uma recebida no final. Temos, ainda, as fases de puzzles de estátuas e de rolagem, que recompensam o jogador com apenas uma página no final.

 

O design das fases é primoroso. Não existe um trecho sequer que seja injusto, chato ou que lhe vai fazer perder a paciência. Lucky tem como habilidades, além do pulo, o pulo duplo, escavar e se mover debaixo da terra e girar, acertando os inimigos e alavancas com sua cauda. Os gráficos são muito bem feitos (e fofos), com uma direção de arte bem concisa, boa transição entre a parte jogável e as cut scenes animadas, mas com algumas quedas na quantidade de quadros por segundo no modo portátil do Switch.

 

O jogo possui todos menus e legendas em português brasileiro, mas desta vez, a dublagem, como no Super Lucky’s Tale, ficou de fora. A trilha sonora é bem leve, muito animada e vai melhorar bastante o seu humor. Os personagens são cada um mais carismáticos que os outros, inclusive os vilões. Temos até um show, ao final de uma das fases.

 

É possível revisitar as fases para pegar mais moedas ou até mesmo completar as páginas, sem ter que se preocupar em pegar novamente as páginas ou letras já coletadas. Junte isso ao fato de ganhamos uma vida após a coleta de 300 moedas, que apenas no primeiro mundo, já havia conseguido mais de vinte vidas. Também não temos Game Over, ao acabar as vidas, Lucky volta para o início da fase. Já disse que as fases também possuem checkpoints?

E aqui vamos para um dos poucos pontos negativos: a dificuldade do jogo é bem baixa, até mesmos se ignorarmos o descrito no parágrafo acima. Se o jogador se contentar apenas com a história e não tentar coletar todas as páginas e desbloquear todas as roupas, vira quase uma visual novel de tão fácil. No entanto, após os créditos finais é aberto um novo mundo com vários desafios, para que Lucky prove que pode se tornar um verdadeiro membro da Ordem dos Guardiões. Neste mundo temos fases onde as plataformas somem, chefes em suas versões robóticas (e bem mais difíceis) e puzzles apenas um pouco mais difíceis que o normal. Para agradar os jogadores mais experientes, a desenvolvedora poderia ter implementado um modo mais difícil, com inimigos mais resistentes e com Game Over. Quem sabe isso não fique para uma continuação, já que o final deixa um gancho bem interessante.

Temos ainda, muitas referências à jogos clássicos, como o próprio Super Mario 64 (Lucky corre em círculos da mesma forma que Mario), Donkey Kong Country (a coleta de letras), Donkey Kong (fases com um “gorila” jogando barrils) e outras coisinhas mais.

Se formos definir resumidamente o que é New Super Lucky’s Tales, podemos dizer que é um jogo de plataforma em 3D “Colectathon”, onde o desafio está em encontrar todas as páginas do livro e desbloquear as roupinhas nas lojas, que são trocadas pelas moedas coletadas nas fases. NSLT não esconde que é um jogo que pode ser aproveitados por crianças, mas que também deixa um sorriso no rosto dos pais.

 

New Super Lucky’s Tale inova pela variedade de gameplay, visual estonteante (fofo!), músicas alegres, personagens extremamente carismático e execução quase perfeita, com uma jogabilidade excelente. É um jogo tão divertido e acessível, que é um daqueles poucos em que se pode recomendar para qualquer tipo de jogador de todas as idades. Está disponível na eShop e, em breve, no Xbox One e PS4. A cópia para esta análise foi gentilmente cedida pela Playful Studios.

A primeira vez foi com Golden Axe, tão pequeno que precisava usar um banco para alcançar os controles do fliperama. Passou por todas as gerações de consoles e joga no PC desde 199. Fã de RPGs, jogos de corrida, indies e qualquer jogo com uma boa história.