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Análise | Deathloop é divertido, humorado, complexo e cult!

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Análise | Deathloop é divertido, humorado, complexo e cult!

Deathloop é novo game de FPS (jogo de tiro em primeira pessoa) da Arkane Studios (Dishonored, Prey) com a premissa de ser algo muito diferente, mas que com o tempo você reconhece uma junção de fórmulas de game design e storytelling já consagradas sem que isto seja necessariamente ruim. Dito isto, preciso fazer o exercício de tirar o elefante branco da sala: o jogo é isso tudo que as expectativas apontavam? Tem o potencial de ser o jogo do ano?

Deathloop foi cedido gentilmente pela Bethesda para a realização desta análise 

Bem, deixe-me dar a resposta pela via curta e explanar a ideia ao longo do texto. Sim, Deathloop é uma boa pedida e atende grande parte das expectativas que foram criadas em torno dele, ainda mais contando que seu lançamento ocorreu num mês tão recheado de bons games como este setembro de 2021 – e com a nossa carteira apitando o tempo todo, não é verdade?.

Mas, talvez o game não seja uma boa pedida tão universal assim. Se você é um jogador muito direto e cuja premissa para jogar videogames é avançar o tempo todo sem ficar perdido, confuso ou investigativo demais, talvez – e eu digo talvez, porque é sempre válido dar uma chance a novos projetos – Deathloop não seja o seu prato principal. Isto não significa que você deixará de apreciar o que este estúdio francês (agora pertencente a Xbox Game Studios) fez. O jogo estava em produção oficialmente desde 2019, o que nos leva a pensar que com a pré-produção até o “gold” deve ter sido trabalhado em 4 ou 5 anos. 

Visão geral e gameplay

Imagem de Colt

Colt vai tentar quebrar o ciclo!

O jogo segue um clima que de início parece um nonsense, mas que migra rapidamente para um sci-fi bem elaborado, divertido e cheio de humor, cuja premissa é entregar a experiência completa a partir de um looping temporal que te obrigará a jogar o mesmo “mapa” diversas vezes. O jogo conta com quatro áreas da ilha chamada Blackreef: O Complexo, Baía do Karl, Updaam e Fristad Rock. Nestes quatro mapas você deverá investigar através de quests o que é que está rolando. Você fará isso através de quatro períodos de tempo básicos que mudam as quests e os mapas: manhã, meio-dia, tarde e noite. 

Espere uma boa dose de frustração até dominar as mecânicas básicas, como por exemplo a da “infusão” das armas, que te permite iniciar os ciclos com as armas que você já adquiriu. As primeiras horas de Deathloop são caóticas e tão cheias de informação que é de se esperar que alguns jogadores logo desanimem e deixem o jogo de lado. É preciso passar pelo primeiro dia de looping como uma tutorial do que virá a seguir.

Há uma quantidade obscena de textos, menus e navegação que mais confunde do que propriamente orienta. Todavia, para te tranquilizar é possível que você passe rapidamente por essas informações sem perder a essência ou mesmo a noção das próximas horas de jogo. Apreciar o game é um exercício de desapego, no sentido que de não compreenderemos tudo o tempo todo. Essa clima caótico, anarquista e as vezes insalubre faz parte da trama e da proposta de jogo. 

A mecânica do jogo é explorar a área, encontrar pistas e realizar a missão daquele período de tempo enquanto você alterna ou escolhe entre jogar de modo mais stealth – que garante uma melhor passagem pelo mapa – ou agressivo, te deixando mais vulnerável. 

Conforme você avança, as pistas e informações vão se afunilando para a compreensão da história. Deixe-me então falar deste aspecto crucial do jogo. 

História, Multiplayer e outros elementos

Gameplay retrofuturista

Stealth ou direto ao ponto? Faça a sua escolha!

A história de Deathloop segue de perto a jornada de Colt, o personagem que você controla. Colt acorda na praia de Blackreef depois de achar ter experimentado um pesadelo em que ele é assinado pela outra protagonista, Julianna, que em breve falaremos mais. Inicia-se aqui toda a questão de looping temporal e a busca “gato-rato” que orienta a trama. 

A sociedade da ilha reflete a morosidade de indivíduos condenados a viver eternamente o mesmo dia, que só pensam em festejar e se aliviar do vazio existencial. Colt é um revoltado do sistema que não sabe exatamente o que está fazendo, mas que sente uma orientação de ir contra o sistema e quebrar o ciclo maldito.

A partir dos diálogos com Julianna, sua adversária desde o momento que acorda e a grande responsável por, digamos, orientar as ações de Colt, o protagonista junta as peças e entende que o único jeito de interromper esse ciclo é se aventurando numa caçada de matar oito alvos, chamados de Visionários, que mantém o ciclo lunático de Blackreef. Como ele é capaz de passar pelos ciclos com o acúmulo de informações e memórias, isso conta a seu favor e alterna a dinâmica de como o mesmo dia se passa na ilha. 

O jogo é sobre acumular conhecimento e informação a fim de que você interprete os elementos narrativos, mas também se dê bem na gameplay. A ilha de Blackreef é cheia dessas informações espalhadas e elas garantem que você consiga recursos melhores e também entenda o que diabos está acontecendo. 

Os finais possíveis se dão em três possibilidades que pesam num fechamento não tão bom como poderia ser ao se mexer com looping temporal, ou seja, há conservadorismo demais aqui, enquanto o game é tão ousado em outros aspectos. Cabe ao jogador ir até o fim e dar-se ou não por satisfeito depois de ter vivido tantos ciclos. 

O multiplayer também se encaixa no elemento narrativo, uma vez que ao abrir o jogo lhe é permitido escolher entre dois modos: quebrar o ciclo ou preservar o ciclo. Ao preservar o ciclo, você joga com Julianna e invade o jogo de outros players. É bastante divertido, mas desbalanceado. Invadir com Julianna não pesa para o jogador, enquanto ser invadido na pele do Colt é colocar em risco todo o progresso feito ao longo de um ciclo. Enfim, o multiplayer se justifica narrativamente, mas pesa para a gameplay. 

Outros elementos que valem a pena ser destacados é a customização do personagem e das armas. A gameplay seria mais tediosa se não fosse possível alterar os elementos cosméticos de Colt, tal como seu traje e também a opção de melhorar os seus poderes – obtidos através das placas que os visionários deixam após morrerem – e suas armas. Você terá que infundir tudo o que considera importante ao fim de cada ciclo, e isso pode ser frustrante ao mesmo tempo que te coloca numa certa urgência daquilo que é realmente importante para a progressão. Quando eu peguei uma boa sniper durante o jogo e a perdi no ciclo, eu senti uma leve vontade de abandonar o game, por exemplo. 

Veredito 

Personagem Julianna

Julianna é a antagonista e também a responsável por preservar o ciclo temporal

O jogo é definitivamente um marco no ano de 2021 por justamente não ser algo que encontramos todos os dias na indústria. Não se trata de um roguelike por excelência e nem de um fps genérico de ficção científica. Ao contrário disso, traz a forte personalidade da desenvolvedora e todo o carisma de um jogo divertido e humorado, mas que consegue ser cult e complexo. 

Há tantos elementos emprestados de outros jogos que valeria a pena citá-los num artigo a parte. De antemão é legal ver como a influência dos jogos antigos da desenvolvedora, somadas a técnicas narrativas de jogos como What Remains of Edith Finch, com pinceladas das mecânicas de Hitman e do visual nos cenários de Bioshok Infinite, contribuem para uma rica experiência. 

Se você me perguntasse uma nota, eu diria que Deathloop se encaixa bem num jogo de nota 85 (100). Diria mais: a sua apreciação precisa ser quase que uma degustação em doses controladas do que um sprint para finaliza-lo. Se você tiver muita pressa em terminar o jogo, poderá acabar entediado ou decepcionado com a proposta.  

O jogo está disponível para PS5 com exclusividade temporária e também para PC por meio da Steam. O jogo foi testado no console da Sony e respondeu muito bem graficamente e também no desempenho.

 

Veredito da Torre
4.2 / 5 Nota final
Prós
Jogo com premissa atraente;
boa performance no Playstation 5;
Gráficos bonitos; Divertido e bem-humorado;
Contras
Pode se tornar repetivo demais;
início confuso de gameplay e história;
muitas informações.
Veredito da Torre
Trata-se de um jogão para esta janela de jogos no mês de setembro. Vale a pena investir nele agora caso você queira um jogo com boa duração e boa história, ou mesmo ficar de olho para quando ele pintar em uma promoção.
História
Jogabilidade
Trilha sonora
Arte
Diversão

Renan Vianna é graduado em Filosofia pela PUC-GO e também graduando em Teologia. Possui uma enorme paixão na Cultura e como ela pode nos ensinar coisas úteis. Os videogames são o seu hobby favorito.

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