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As inspirações do filme do Coringa

O filme do Coringa, que estréia comercialmente no dia 3 de outubro, apesar das roupagens e personagens do universo Batman, sempre foi concebido não como um filme de super-heroi, mas como um drama de personagem, no estilo das obras de Martin Scorcese, que é produtor executivo neste filme. O diretor Todd Phillips admitiu que a sua intenção era “Fazer um filme de verdade disfarçado de um filme de quadrinhos”. Palavras fortes para o diretor da trilogia Se Beber, Não Case.

Mas de fato, é extremamente interessante para os estúdios Hollywoodianos que um filme como Coringa tenha sucesso. Os tais “filmes adultos” com temáticas mais pesadas e provocativas tendem a ser elogiados pela crítica mas sem faturar muito a menos que o seu nome seja Quentin Tarantino. Por outro lado, os filmes mais rentáveis atualmente, os de super heróis, não costumam ganhar nas premiações. O filme do Coringa oferece o melhor dos dois mundos, uma história “adulta” sobre um homem lentamente enlouquecendo, com questionamentos sociais e políticos que ao mesmo tempo é protagonizado por um dos maiores ícones da cultura pop. Juntando isso com o publico nerd, desesperado para as suas histórias serem levadas a sério, temos uma combinação perfeita.

Então segue a lista dos quadrinhos e filmes “de verdade” que serviram de inspiração para Coringa.

A Piada Mortal

Uma das obras mais famosas do escritor Alan Moore, A Piada Mortal redefiniu o personagem para o que conhecemos hoje. Não só um criminoso fantasiado, a obra retrata o Coringa não só como o arqui-inimigo do Batman, mas também propõe que os dois sejam dois lados da mesma moeda. O Coringa propõe que qualquer pessoa só precisa de “um dia ruim”, uma experiência suficientemente traumática, para se transformar em alguém como ele, e faz o Comissário Gordon passar por uma série de torturas físicas e psicológicas (Incluindo aleijar sua filha Barbara, a Batgirl) para provar essa teoria. A história também mostra uma possível origem para o Coringa, um comediante fracassado que é forçado pela máfia a servir de bode expiatório num assalto à uma usina química, que o leva à fatídica queda num tanque de ácido. Até hoje, os fãs consideram essa a história definitiva do Coringa.

Taxi Driver

O clássico de 1976 de Martin Scorcese mostra a vida do veterano de guerra Travis Bickle (Al Pacino) que tem dificuldades em se reinserir na sociedade. Vivendo uma existência monótona e sem sentido conduzindo um táxi nas ruas sujas e decadentes de Nova Iorque dos anos 70, cheias de prostituição e violência. Travis vai se amargurando cada vez mais com a sociedade que habita, e quando a sua inaptidão social faz ele perder a unica mulher que chegou a se interessar por ele, e isso vai deixando-o cada vez mais violento e radical, encontrando uma causa em limpar a sujeira da sociedade com as próprias mãos.

Taxi Driver foi um dos primeiros sucessos de Martin Scorcese e também um dos maiores expoentes da “Nova Hollywood” dos anos 70, trazendo uma nova geração de cineastas que renovaram o cinema americano tanto em temática quanto estética. A atmosfera suja da cidade, junto com os temas delicados expressados pelo anti-herói do filme influenciaram estudos de personagens de moral ambígua desde Dia de Fúria até Breaking Bad. Mas na mesma proporção, o filme gerou polêmicas. E a maior delas foi a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan em 1981, orquestrada por John Hickley Jr., que adotou o mesmo moicano usado por Al Pacino em Taxi Driver, e disse que cometeu o assassinato em nome de Jodie Foster, que participou do filme.

O Rei da Comédia

Elogiado pela crítica em geral, mas ignorado pelo público em  1983, O Rei da Comédia de Martin Scorcese raramente é mencionado em listas de seus melhores filmes, mas ainda assim é uma das histórias mais singulares no repertório do diretor. O filme apresenta Rupert Pupkin (Robert De Niro), um aspirante a comediante que é obcecado em conhecer seu ídolo Jerry Langford (Jerry Lewis) para conseguir sua chance de se apresentar e se tornar igual a ele.

Seguimos a trajetória de Rupert, que conforme vai arquitetando uma sequência de esquemas cada vez mais insanos para conseguir fama fácil. É uma história difícil de se ver, com a ambição do personagem de De Niro passando dos limites do aceitável e chegando ao nível de absurdo, numa crítica forte da adoração de celebridades e de como o “sonho americano” facilmente vira uma luta desenfreada para quem consegue chegar no topo. Apesar de não ter tido sucesso quando lançou, o filme ter se tornado cult mostra o quanto a história ainda é relevante décadas depois.

O Homem Que Ri

Baseado no romance do autor francês Victor Hugo, que mostra a vida de Gwinplaine, que teve seu rosto mutilado na infância de forma que tenha um sorriso eterno no rosto. Trabalhando como aberração de circo, ele ganha a afeição da camareira cega Dea, mas a rejeita por vergonha da própria feiura. Porém, quando descobre que na verdade é um herdeiro de um lorde inglês que foi executado quando era criança, ele se encontra no meio de uma cilada para uma família nobre se apossar de sua herança.

Já se sabe que a caracterização do ator Conrad Veidt como Gwinplaine foi a base da aparência do Coringa desde os anos 40, mas principalmente a versão interpretada por Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas, que assim como O Homem que Ri tem um sorriso permanente no rosto por causa de cicatrizes. E mesmo que o personagem de Victor Hugo seja um herói trágico, a ideia do vilão criado pelas circunstâncias sociais é um dos principais temas da mitologia do Batman, e parece que vai ser amplamente explorado no filme de Todd Phillips.

Coringa estréia dia 3 de Outubro no Brasil