TGA 2019 | Conheça mais sobre Death Stranding – A ponte que conecta o mundo

Hideo Kojima nunca foi conhecido pela sua lucidez, tão pouco por sua seriedade. Sempre citado como sinônimo de qualidade, o seu trabalho na série Metal Gear Solid é revolucionário, sendo referência para novos desenvolvedores e a todos que atuam na industria dos games. A mente de Kojima trabalha em ritmo incomum, sendo muitas vezes tida como genialidade e outras só como pretensão. E sim, Kojima é um pouco dos dois, e mesmo que seja exatamente seja o motivo de algumas manias um pouco desagradáveis em seus jogos, é também sua maior qualidade: Coragem. E coragem é um dos ingredientes que tornam Death Stranding algo especial.

O mercado de jogos AAA tem a tendência de seguir alguns padrões, as vezes aproveitando boas ideias com outras novas, trazendo um ar de originalidade a um jogo ou outro dentro de gêneros e formatos que são levados a exaustão. Alguns estúdios conseguem equilibrar as coisas muito bem, mesmo não tendo a autonomia que desenvolvedores indies tem para levar pra frente as mais variadas e diferentes ideias. É muito difícil ver uma produção grande sair tão fora da curva sair do papel, quanto mais dar certo. E Kojima conseguiu.

Em Death Stranding você tem que andar. Sim, você anda muito. É um walking simulator? É um jogo de aventura? É um jogo de ação? Talvez ele seja os três, talvez ele não seja nenhum dos três, ou os três. E isso é o menos importante aqui. Aqui você acompanha a história de Sam Porter, um entregador que tem a missão de reconectar os Estados Unidos, depois de um evento que dizimou milhares de pessoas, o Death Stranding. Ir de cidade em cidade, abrigos em abrigos entregando suprimentos e atendendo pedidos. O jogo inclui momentos de stealth, ação e até lutas contra chefes, mas na maior parte do tempo, você vai estar preocupado com o seu próximo passo, o estado da sua carga, dos seus equipamentos e do que vem pela frente. Normalmente veríamos esse tipo de sinopse atrelada a um jogo independente, onde a equipe de produção tem mais liberdade para colocar em prática ideias incomuns.

Dizer que Death Stranding só aconteceu porquê veio de Hideo Kojima não é bem uma verdade. O seu prestígio claramente é uma grande vantagem, mas a Sony tem um certo histórico em financiar projetos que nadam contra a maré da industria. Foi o que aconteceu com Fumito Ueda, que aos 26 anos,  saiu de uma reunião com gigante japonesa  uma equipe e carta branca para desenvolver como queria o seu jogo. E mesmo que Ico não tenha vendido bem, pode desenvolver Shadow Of The Colossus  e The Last Guardian, que demorou quase 10 anos pra sair. O trabalho de Ueda pode não ter chegado até as massas, mas tem uma importância histórica grande, influenciando uma legião de desenvolvedores. Coragem essa, que outro desenvolvedor japonês teve em 1987, lançando um jogo lento e cadenciado, onde o seu objetivo era evitar seus inimigos a todo custo para chegar a seu objetivo, em uma época em que era impossível pensar que algo assim fizesse sucesso. O jogo que ganhou o nome de Metal Gear mudou os rumos da industria e de seu criador, que a gente conhece muito bem.

Death Stranding talvez não seja um jogo para todos, mas é um sinal de amadurecimento da mídia em que está inserido. É um projeto corajoso e os frutos dessa coragem já podem ser vistos, não só na industria, mas como em nós que produzimos conteúdo sobre games e acima de tudo, os jogamos. Mudanças que são importantes e que nos amadurecem, nos tornam capazes e abertos a enxergar jogos além de suas notas dadas pela crítica, a sermos mais receptivos propostas diferentes e leva-las adiante. É saber que vídeo game é feito de experiências diferentes, para pessoas diferentes e com intuitos diferentes. E são com jogos como Death Stranding que nos proporcionam uma vivência única e que vai muito além do jogo em si, construindo uma ponte, um caminho promissor para o que vem pela frente.