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Crítica | Parasite – A Obra Prima de Bong Joon-Ho

Você já ouviu falar em cinema coreano? Bem, ele existe e Parasite está aí pra provar. Não vemos neste filme apenas uma realidade em diversos gêneros. Vemos com perfeição a junção de elementos sociais como componentes de uma narrativa.

É extremamente claro no primeiro ato do filme a posição social dos protagonistas da trama e com isso já nos são apresentados diversos elementos sociais como a periferia coreana, o desemprego, a relevância da internet doméstica, e o nível acadêmico dos jovens desempregados, o que é adaptado de forma tão sutil por todo o longa até o seu final. Porém, como nem tudo são flores, Parasite usa de recursos narrativos um tanto clichês para que certas cenas aconteçam, e repete isso incessantemente por todo o filme, o que chega a fragilizar a consistência do roteiro.

Em Parasite, Bong Joon-Ho critica os déficits da luta de classes e como ela influência a vida dos jovens, assim como Ki-Woo/Kevin que após receber uma proposta de emprego e preenchê-la, age das formas mais antiéticas possíveis para que toda a sua família também tenha sucesso. A desigualdade social é trazida neste filme de uma forma tão explícita que leva o telespectador a questionar se deve ou não torcer pelo plano da família.

As escolhas fotográficas, de trilha e até mesmo de cenário são tão bem executadas que afirmam que foram elaboradas desde o roteiro. A ausência de trilha sonora por quase todo o primeiro ato é primordial para que o espectador se sinta adentrando na trama, pois em certos momentos a trilha é extremamente significativa para os acontecimentos em tela como as cenas de tensão. Falando em tela, a fotografia não usa de elementos muito sofisticados para compor o longa, mas as tomadas fechadas nos momentos de tensão ou apuro são bastante interessantes, enquanto as tomadas abertas apenas servem para mostrar o quão pequenos e humanos são aqueles personagens na sociedade. É quase que uma representação orgânica da sociedade pós-moderna e seus problemas.

Seus três atos são bem estabelecidos e em nenhum momento o diretor busca adiá-los ou preenchê-los com subtramas. Pelo contrário, quando o longa se encaminha para o fim, você já sabe que algo de muito grave vai acontecer e de uma forma quase “Tarantinesca ele encerra sem dar tantas explicações, reforçando que é necessário que o espectador tire suas próprias conclusões e decida se a tal família merece uma redenção ou uma punição maior.

Parasite é um filme para debater a sociedade. Assim como Matrix foi para seu tempo, Parasite é o retrato da nova década, onde o desemprego leva as pessoas ao extremo da ética. Um longa profundo e cheio de camadas que encerra brilhantemente sem pontas soltas. Um filme com início, meio e fim… Bem, talvez um fim.