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Artigo | Sheep Raider – Um dos puzzles mais inteligente dos games

Em sua grande maioria, games de quebra-cabeças são simples em 90% de sua estrutura. Entretanto de vez em quando temos algumas surpresas e a ideia do puzzle não só é aplicada, mas é usada de uma forma que nos instiga a pensarmos naquilo por horas ou até dias. Atualmente os games usam os puzzles como uma ferramenta para passar de “fase”, mas acabou se tornando algo cômodo demais e são raras as vezes em que encontramos bons puzzles.

Em Sheep Raider, jogo inspirado no desenho do Lobo Willy e do Cão Sam, Willy trabalha todos os dias tentando roubar as ovelhas do cão pastor Sam – que faz um excelente trabalho. Cansado de ver a vida miserável de Willy, Patolino, que é extremamente famoso aqui – e ainda tem um reality show – vai atrás de Willy no intuito de finalmente vê-lo prosperar no seu ramo. É daí que nós players entramos na pele de Willy e o show começa.

A história é basicamente essa e o jogo trabalha por fases. Em cada uma delas o objetivo é roubar uma ovelha de Sam. No caminho vamos ganhando diversas bugigangas da ACME – aquela empresa dos Looney Tunes que fornece tais coisas -, fora o auxílio de Patolino e aparições de diversos personagens da “mitologia” Looney Tunes. Um ponto interessante da história é que ela começa bem despretensiosa só com o lance de melhorar um pouco a vida de Willy, mas sofre um plot twist bem legal no final ficando bem xarope, mas muito boa.

Apesar de simples, o jogo ganha diversos pontos em coisas específicas, algumas levando em conta a época de lançamento e outras válidas até hoje. Um ponto que marca por causa da época de seu lançamento original – março de 2001, para o Playstation 1 – é o fato de o game ser localizado para o nosso idioma. Sim, menus e legendas eram todos em português do Brasil e eu como criança adorava isso. Já o outro grande destaque fica para a jogabilidade e a genialidade do game como um puzzle e é o que quero falar sobre nesse texto.

Gameplay

Ao começar Sheep Raider nos deparamos com um game tradicional de plataforma. Pulamos, damos um segundo pulo, mas temos algumas diferenças. A primeira delas é que temos um botão para andarmos nas pontas dos pés – e evitar barulho e chamar a atenção de Sam -, outro botão para corrermos super rápido e um botão de interação. Além disso temos vários slots para itens. Neles conseguimos itens ACME como foguetes, elásticos, bombas ou simplesmente pegamos alfaces e outras coisas para atrairmos as ovelhas. Há um botão para deixar a câmera em 1ª pessoa também, mas não lembro de ter usado mais de 1 vez.

O legal dessa jogabilidade é que ainda hoje, quase 20 anos depois de seu lançamento ela continua funcional e o jogo continua extremamente divertido – e vai fazer você queimar muitos neurônios em algumas fases – e com certeza merece sua atenção.

E diferente de talvez 80% dos games de plataforma da época, a câmera não é um grande problema. Apesar de não usarmos os analógicos para mexermos na mesma, é fácil lidar com ela e tudo funciona bem nessa área. Acredite, eu joguei o game recentemente na esperança de apanhar para a jogabilidade, mas é tudo tão redondinho que eu não vou ficar falando tanto sobre ela. Apenas que funciona. E isso nos leva ao grande x do jogo que é o seu Level Design.

O objetivo do game e o Level Design

O objetivo do game, como já expliquei antes é roubarmos as ovelhas de Sam. No entanto isso é dividido de uma forma muito inteligente. A primeira fase, que é um tutorial, nem conta com o Sam e serve apenas para nos ensinar a jogabilidade, mas no fim temos uma ovelha. O jogo seria extremamente bobo e sem objetivos se simplesmente tivéssemos que roubar uma ovelha do pasto e pronto. Ao invés disso temos um local específico em cada fase marcado com um círculo branco no chão. Ao levarmos uma das ovelhas até lá, a fase é completada.

É aí que o jogo brilha. Com raras exceções, você terá que usar todos os itens ACME e recursos naturais possíveis para enfim levar a ovelha até o objetivo. E é excelente como em suas 16 fases, cada uma delas tem ideias únicas para você pensar, além de coisas bizarras que fazem parte do mundo dos Looney-Tunes. Um exemplo disso é uma das fases te permitir viajar no tempo e trazer um dragão pros dias atuais. Por incrível que pareça o cão Sam gruda o dragão no soco e nossa vida continua difícil na busca por mais uma ovelha. Em outra situação, para conseguirmos roubar uma das ovelhas somos obrigados a usar um traje de ovelha e bom… Sam passa a nos tratar até de uma forma diferente.

O foguete em uso

O jogo em momento nenhum coloca algum tipo de pressão no jogador. Não temos um tempo para completar as fases, muito menos temos quantidade de vidas. A única coisa que ele não garante é salvar o progresso no meio de uma fase, afinal ele salva o jogo a cada ovelha roubada ou então manualmente quando vamos em um local específico do lobby do show do Patolino. Por último, mas não menos importante temos uma espécie de bônus. Em cada fase temos um relógio. Nesse relógio, Willy consegue bater o ponto – e também ganha 1 – e com esses pontos conseguimos trocar por artes do game e dicas para acesso às fases bônus do jogos.

Por fim, o game é até hoje uma excelente opção, caso queira passar um tempo usando o cérebro junto a amigos, ou se simplesmente curtir um desafio. A trilha sonora é muito boa e não cansa mesmo depois de horas tentando decifrar um enigma e muitas das fases grudam na sua cabeça. Como disse no começo do texto o game foi lançado originalmente para o Playstation 1, mas com o passar do tempo recebeu sua versão para o PC. Nessa versão conseguiram colocar uma dublagem em português e o mais legal é que ela conta com as vozes oficiais dos personagens aqui no Brasil.

Sheep Raider com certeza ainda merece a sua atenção e é um dos poucos jogos que ao escrever esse texto, não faria sentido algum ter um remake ou um remaster, afinal  ele continua elegante até hoje e envelheceu muito bem em cada aspecto. Joguem Sheep Raider e depois me agradeçam.