Análise | Cosmonauta – Entre as estrelas

 

Cosmonauta é um jogo indie de plataforma lançado pela QUbyte Interactive em 11 de fevereiro deste ano no Switch. Na sua página da eShop são ressaltadas as seguintes qualidades: gráficos inspirados nas eras 8 e 16 bits, 64 níveis com puzzles desafiadores e que é um jogo fácil de jogar, mas difícil de dominar. Mas será isso mesmo? É isso que vamos descobrir.

A história de Astronauta Taikonauta Cosmonauta é bem simples e curta:

Durante uma expedição espacial, nosso herói enfrenta problemas com os sistemas de navegação em sua nave e agora precisa enfrentar os perigos do desconhecido para encontrar o caminho de volta.

A jogabilidade também é bem simples: somente o direcional e um botão de ação, que serve para pular ou para acionar o jetpack, item coletável em algumas fases. Os 65 níveis do jogos são em sua imensa maioria bem curtos, com uma variedade de dificuldade bem absurda, onde é possível passar na primeira tentativa em alguns e tentar mais de 50 vezes em outros. Um ponto positivo é que com um pouco de treino logo se aprende a controlar o personagem e o jetpack, ou seja realmente é bem fácil de jogar.

 

 

O design das fases possui inspirações em clássicos como Mega Man 2, Dangerous Dave e em jogos mais atuais, como VVVVVV e Super Meat Boy. Além do design de fases, Cosmonauta também pega emprestado outros elementos destes jogos: de Mega Man 2, os espinhos e a temática mais futurista; de Dangerous Dave, o jetpack; de VVVVVV os saltos e quedas longas entre os espinhos; e de Super Meat Boy, o reinício automático. No entanto, o jogo peca pela pouca variabilidade de obstáculos, com apenas mudanças na posição e repetições dos mesmos.

 

 

Os gráficos, apesar de serem em pixel art, não lembram muito os jogos de 8 ou 16 bits, tendo uma estética mais próxima de VVVVVV. Temos apenas um plano de fundo, que por “acompanhar” o jogador, cria a ilusão de que plataformas móveis estão paradas, aumentando ainda mais o desafio em algumas fases. Um ponto bastante negativo é a pobre variação nos cenários, onde os blocos apresentam quatro cores (branco, azul, verde e cinza), sendo que a cor branca, somente na última fase.

 

Pouca variação do cenário.

 

O som é simples, com poucos efeitos sonoros e uma música bem baixa ao fundo, sendo quase imperceptível.

Alguns jogos clássicos possuem um único aspecto de design de fase que pode comprometer o jogo. Como exemplo temos, o trecho do barril na Carnival Night Zone de Sonic 3, que apresentava uma mecânica única sem nenhum tipo de indicação do que fazer (na minha primeira vez, na época pré-internet, foram meses até descobrir como passar) ou até mesmo Cosmonauta, que não é um clássico, mas sofre com o mesmo mal: na fase 62, em um determinado trecho somente foi possível transpassar com a utilização de um glitch, que aproveita o checkpoint imediatamente depois do obstáculo. O nível de precisão nos controles é tão absurdo que é maior até mesmo do que a fase do túnel de Battletoads, onde um controle ruim, com um alto input lag, pode tornar impossível a jogatina. E, bem, não fui o único a ter esse problema.

 

 

Além do problema na fase 62, temos alguns glitchs que auxiliam o jogador em outras fases, como a possibilidade de realizar pulos duplos sobre determinados obstáculos.

Cosmonauta é um jogo bem curto, apesar das 65 fases. Poderia ter um bom fator replay caso tivesse um sistema de ranqueamento das fases por tempo. Sem isso, apesar de ser bem recompensador passar daquela fase mais difícil, não se vê nenhum incentivo para revisitá-lo, mas uma sequência seria muito bem vinda.

E voltando à dúvida do primeiro parágrafo “gráficos inspirados nas eras 8 e 16 bits, 64 níveis com puzzles desafiadores e que é um jogo fácil de jogar, mas difícil de dominar. Mas será isso mesmo?“: Quase. Os gráficos não lembram muito bem os 8 e 16 bits, são 65 (e não 64) fases com puzzles desafiadore, mas é bem fácil de jogar  e de dominar.

Cosmonauta é recomendado para aqueles que gostam dos jogos que o inspiraram e também para aqueles que gostam de jogos de plataforma. Mas se você se incomoda com jogos simples e com poucos recursos, é melhor deixar de lado.

Esta análise foi realizada com uma cópia do jogo recebida pelo autor em um sorteio realizado pela QUByte Interactive no Twitter.

A primeira vez foi com Golden Axe, tão pequeno que precisava usar um banco para alcançar os controles do fliperama. Passou por todas as gerações de consoles e joga no PC desde 199. Fã de RPGs, jogos de corrida, indies e qualquer jogo com uma boa história.