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Análise | Resident Evil 3 – Velhos conhecidos, novas experiências

 

É bem seguro em dizer que a cada jogo novo, a série Resident Evil sempre trás consigo uma grande comoção, atingindo ou não as expectativas de seus milhares de fãs. E quando se trata da releitura de um dos maiores hits dos anos 90 somada a qualidade do remake anterior, tudo isso vem em uma quantidade imensa. É inegável dizer que Resident Evil 3 é um ótimo jogo, mas a sua proposta, carregada de mudanças em relação ao original, pode decepcionar alguns. Porém, isso não significa algo ruim.

 

Mudanças que vem para melhor

Resident Evil 3 altera várias coisas do original, incluindo ordem de acontecimentos e até retirada de trechos do jogo original. Vale ressaltar que ainda assim, vários momentos ainda cumprem muito bem suas funções narrativas mesmo que distintas em relação ao original. Há elementos familiares aqui, mas a sensação é de que o terceiro capítulo toma muito mais liberdades que o segundo, que reproduzia os corredores da delegacia de Raccoon City com bastante fidelidade. Ainda assim, é possível reconhecer algumas ruas, becos e locações vistas no jogo original. Muitas dessas alterações foram feitas visando dar um ritmo melhor ao jogo e a narrativa que são dois grandes acertos dessa versão. É muito fácil se entregar ao jogo e não querer parar de jogar no momento em que você coloca as mãos no controle de Jill, já que a imersão é bem grande.  Os puzzles, que são uma marca registrada da série, se encontram em menor quantidade, mas eles estão lá. Certamente a falta de quebra cabeças mais complexos e em maior quantidade será sentida pelos fãs mais antigos, mas a forma que são dispostos aqui fazem bastante sentido com a proposta e a sensação de urgência que existe desde o primeiro minuto de jogatina. A sensação de que você precisa sair dali o mais rápido possível está presente o tempo todo.

 

Personagens mais interessantes

Se a narrativa ganha mais consistência, os personagens se beneficiam muito bem disso. Diferente do original, muitos deles, que tinham rápidas aparições, ganham mais desenvolvimento e tempo de tela. Nikolai, um dos antagonistas do game consegue ser bem mais odiável aqui. O destaque fica por conta de Jill e Carlos, que possuem uma química ainda maior, com diálogos muito bem construídos durante a trama. Jill é a grande estrela do game, protagonizando cenas ainda mais icônicas na campanha. Porém, Carlos ganha bem mais destaque aqui, se tornando um personagem muito mais significativo durante a história e com bem mais participação.

 

Mudanças que podem desagradar

Fãs mais puristas podem e vão sentir falta de muitas coisas, o que pode significar decepção na certa. Apesar de acertar a mão em boa parte das mudanças, a Capcom fez escolhas que podem causar polêmicas e debates calorosos entre os jogadores. Uma área inteira do jogo original foi retirada, alguns inimigos e  até uma luta contra um chefe. Para a maioria dos cortes há uma adição, mas a sensação após terminar a jornada é de que muitas das coisas deixadas de fora poderiam sim estar no jogo e não quebrariam de forma alguma o tom que é proposto desde o  primeiro minuto. É compreensível a reclamação de quem sentir falta, mesmo que as 6 horas compensem e ainda te incentivem a continuar jogando.

 

Um reformulado Nêmesis

A Capcom fez questão de concentrar todo o seu marketing em cima do icônico perseguidor de Jill, e não é à toa. Ele é o grande chamariz do terceiro jogo, que em narrativa era bem inferior ao segundo capítulo, mesmo se compararmos as suas primeiras versões. Porém, a tensão causada por Nêmesis e a sua marcante presença foi um dos grandes fatores que colocavam Resident Evil 3 em pé de igualdade. Se o novo Mr X causou arrepios no game do ano passado com sua presença constante pela delegacia, o mesmo não pode ser dito do Nêmesis. Sim, ele vai te assustar e muitas vezes te fazer pular da cadeira, mas a abordagem adotada é bem diferente do que a usada pelo Tyrant de sobretudo e chapéu. Você tem poucos encontros e perseguições livres contra Nêmesis. Felizmente quando tem são muito boas, mas certamente fica um gostinho de quero mais quanto a isso. Por outro lado, as lutas contra o monstrengo são sensacionais e muitas cenas envolvendo Nêmesis são de tirar totalmente o fôlego.

 

A Capcom acertou?

Para muitos, Resident Evil 3 será uma experiência maravilhosa, sendo um dos melhores jogos do ano até agora. Mas, muitos que esperavam pela versão definitiva do terceiro capítulo vão se decepcionar. A Capcom fez escolhas aqui, que na minha opinião foram acertadas em sua maioria e funcionaram muito bem para a proposta feita. Não da para condenar quem não gostar,mas definitivamente, o novo Resident Evil 3 é uma obra muito competente, uma bela experiência e que passa longe da mediocridade.

 

Resident Evil 3 estará disponível para PC Playstation 4 e Xbox One a partir de 3 de abril de 2020.

Esta análise foi feita na versão de Xbox One. O jogo foi gentilmente cedido pela Capcom Brasil para este review.