Especial | GTA V – It is just a ride

O mundo dos videogames tem jogos e jogos. Existem aqueles jogos com mensagens significativas, aqueles com uma narrativa profunda, outros onde destruímos absolutamente tudo, e tem aqueles jogos que nos marcam profundamente. E um desses jogos, para mim, é Grand Theft Auto V, ou GTA V para os íntimos. 

Minha vida mudou completamente em uma sexta-feira 13 do ano de 2013. Uma coisa bem ruim aconteceu comigo e quase que não escapei com vida. Foi horrível. Nesse período, eu já estava afastado completamente do mundo dos jogos. Passava meus dias no Netflix. O ano de 2014 teve o 7×1 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e também na minha história. Perdi uma grande oportunidade profissional, me afastei de amigos, enfim, muita coisa ruim aconteceu.

Em 2015 eu resolvi que precisava voltar à um antigo hobby meu: jogar vídeo game. Com muito esforço eu consegui juntar uma grana e pegar um PlayStation 4, e junto com ele vieram dois jogos: The Last of Us e GTA V. O primeiro jamais me apeteceu e jamais terminei, mas o segundo, meus amigos, o segundo…

A jornada de Trevor, Michael e Franklin me sugou de tal jeito que eu trocava o dia pela noite para poder jogar mais e mais. Fazia muito tempo que não tinha uma experiência tão legal e eu joguei tanto, que algumas vezes eu saia de casa e o primeiro pensamento era roubar um carro. Sim, eu fiquei afetado, mas logo passou. 

Uma das coisas mais fascinantes para mim era o quão orgânico aquele mundo era. Os NPCs pareciam que tinham vidas. Era um mundo de oportunidades que eu nunca havia desfrutado antes. Além de poder aliviar todo e qualquer estresse do dia-a-dia. Eu me joguei de cabeça na história e fiquei extremamente feliz quando pude salvar os três personagens. 

Alguns anos depois eu comprei o Xbox One e novamente eu adquiri o GTA V para o console da Microsoft. Joguei tudo de novo como se fosse a primeira vez, e, para minha alegria, foi tão bom quanto eu me lembrava. Revisitar aqueles amados personagens me encheu de alegria, igual ou melhor do que a primeira vez que eu tive o prazer de jogar essa jornada.

Os anos se passaram, eu me formei na faculdade, passei por muitas dificuldades e chegamos até esse momento de hoje. Me bateu uma saudade de fazer uma coisas que mais gostava em GTA V: pegar a autoestrada e sair dirigindo por aí. Com o rádio ligado, simulando a vida real, e as canções disponíveis no game, eu me senti livre novamente. Parecia até que meus problemas ficaram para trás naquela rodovia digital. Dei pelo menos umas 3 ou 4 voltas naquela rodovia e me senti leve de novo. Os problemas ainda existem, terei que enfrentá-los, mas agora sinto que estou com as energias renovadas. 

GTA V, para mim, é mais que um jogo onde saímos barbarizando pedestres ou roubando tudo e todos. GTA V é quase como uma terapia. Rodar aquelas ruas digitais me traz alegria, até um sentimento de nostalgia. É diferente de dirigir em Forza Horizon, por exemplo. Forza é mais alegre, e GTA é mais sóbrio, muito mais parecido com a vida real. Confesso aqui que quando anunciaram uma versão do game para os consoles de nova geração, eu senti meu coração se encher de alegria. Vou poder apreciar mais vez uma aquela jornada ao lado de personagens que são quase como velhos amigos.

Para finalizar esse texto eu gostaria de deixar uma sugestão: dê uma volta sem compromisso por Los Santos. Pegue um carro e dê uma volta. Olhe a paisagem, veja a transição do dia para a noite, a chuva, observe a obra prima que a Rockstar criou. Já que, afinal, todos estamos aqui de passagem, então lembre-se de dar a sua volta.

Um treinador de Pokémon aposentado que quer se tornar profissional de futebol de botão. Ama joguinhos mais que tudo e prefere debater ideias e teorias sobre eles do que necessariamente jogar. Power metal é água, ou seja, a fonte de vida.