O legado do Nintendo 64: 25 anos de história

A alguns dias atrás, em 23 de junho de 2021, o Nintendo 64 fazia seus 25 anos de idade e história. Chega a ser cômico imaginar que já faz tanto tempo assim. Partindo de sofisticadas inovações para o período, especialmente no quesito de legado de games específicos, o N64 mora no coração de muitos fãs até hoje.

Por isso, mesmo que atrasado (oops…), resolvi separar um artigo e discutir com vocês algumas das características e jogos que marcaram (e muito) esse sucesso de vendas da década de 90, assim como discutimos há pouco tempo, em relação ao Game Boy Advance.

Lançado no momento certo, na hora certa

A caixa original do Nintendo 64. Confesso que não sou muito fã desse logo em ”N” colorido.

O console de maior hit na época era de fato o PSOne, é inegável isso. Não só num quesito de acessibilidade, mas num quesito de longevidade. Estreando nas prateleiras dois anos após o console da Sony, o Nintendo 64 ainda teria poder e conjuntura para aproveitar as tendências do mercado para a época.

Diferente do Dreamcast (tadinho dele), o Nintendo 64 conseguiria acompanhar esse fluxo de inovações, aproveitando ao máximo o poderio do console, proporcionando experiências excêntricas e, especialmente, marcantes.

O mercado e os consumidores ainda ficaram muito impressionados com os títulos de Zelda, Turok e principalmente o nosso querido GoldenEye.

32 VS 64 bits

Tendo, de fato, um hardware que processava melhor que o PlayStation, o Nintendo 64 não apresentava o mesmo nível de beleza que certos títulos do console da Sony mostravam. O que não é nem de longe uma coisa ruim, visto que mesmo assim, ele ainda dava um gostinho do que viria a seguir, no início de 2000.

Mesmo apresentando texturas mais ”esticadas”, a versão de 64 ainda preserva muito charme.

O que era estranho de se pensar é que muitas dessas ”melhorias” gráficas estariam confinadas em cartuchos de 64mb, comprometendo de fato a resolução de alguns títulos portados, pois as sprites acabariam sendo planificadas num esquema de renderização mais restrito, devido a capacidade limitada dos cartuchos. O diferencial para tecnologia dos CDs do PlayStation era enorme.

Jogos como Resident Evil 2 tiveram seus devidos downgrades na milagrosa versão do N64. Entretanto, mantiveram um padrão de qualidade e beleza que impressiona programadores até hoje, devido a complexidade da tarefa que foi o port do game.

Acessibilidade e competitividade

O Nintendo 64, possuiu uma vasta biblioteca de títulos, mais de 300 títulos foram publicados no console.

Arredondando, o console dessa geração da Nintendo vendeu por volta de 33 milhões de unidades pelo mundo todo. Um terço apenas dos números do gigante da Sony, que estariam por volta de 102 milhões de unidades.

É impressionante pensar que a acessibilidade do console, mesmo que mais barato que o console da Sony ($199 dólares o N64, e o PSOne $299), não ajudou muito nessa conduta e alavancagem do console. Contudo, a biblioteca e funcionalidades compartilhadas com o Game Boy permitia muita versatilidade para o aparelho de 64 bits.

Mesmo que nem tenha chegado perto da sombra gigantesca do PlayStation, o console da Nintendo teria mais força que o outro competidor, o Sega Saturn (não que isso fosse muito difícil).

Jogos que marcariam a indústria

O Nintendo 64, possui uma vasta gama de jogos influentes e nostálgicos, até hoje.
O clássico GoldenEye, recentemente foi refeito numa engine tool, dentro do Far Cry 5!

Todo console possui uma carga de títulos que influenciam para sempre a indústria. O próprio PlayStation teve diversos desses, desde Metal Gear Solid, Resident Evil, Silent Hill, Symphony of the Night…

Simples, fofo e bem dosado. Jogue esse game, imediatamente!

O Nintendo 64 não é diferente e possui diversos títulos originais, que teriam o poder de influenciar os anos futuros. Jogos como Super Mario 64 possuem sua devida influência até hoje, para títulos indies e 3A. ”A Hat in Time” é um desses jogos que bebe drasticamente das raízes do Mario 64, e cria uma experiência muito agradável.

Para aqueles que amaram GoldenEye, fica a recomendação da série TimeSplitters, dos mesmos criadores do clássico de N64.

Outros são menos perceptíveis devido a problemas que enfrentam até hoje, para sua acessibilidade (maldito seja o limbo de posses de publishers). Esse é o caso de GoldenEye 007, um jogo que possui tanta importância para os jogos de tiro, quanto Final Fantasy 7 possui para os JRPGs.

O mesmo jogo influenciou e designou um parâmetro de sucesso, que tentaria ser reproduzido anos e anos, por empresas como a Activision e EA, que abraçaram o que o nosso querido 007 tinha de melhor, junto do sucesso de Medal of Honor, culminando nos futuros sucessos de Call of Duty e Battlefield.

Nostalgia que merece ser revisitada

Não vou mentir: sou muito fã de remasters e coletâneas de jogos antigos para as novas gerações. Acredito que games possuem sua devida importância como parâmetros e documentos de progresso, e para isso é sempre importante desenvolver e celebrar a sua memória.

Vídeo-games possuem seu valor sentimental no peito de todos, seja pelas experiências alcançadas, pelas diversões proporcionadas (ou frustrações haha) e, inegavelmente, pelo amor depositado. O Nintendo 64 possui até hoje uma grande importância para a indústria num geral, obedecendo um limbo de mudanças tecnológicas, que não param de se transformar até hoje.

Ame joguinhos e consoles antigos, entenda-os! Eles são fontes de história, tanto quanto um livro didático consegue ser também. Lute sempre para a preservação dessa mídia, que pode ser perdida muito facilmente.

Conhecedor dos estudos históricos, amante da arte dos vídeo-games, streamer, ex pro-player de HearthStone, ilustrador e escritor.