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The Batman é o filme que todo fã do Batman merece

Cinema

The Batman é o filme que todo fã do Batman merece

O Batman é hoje um dos personagens mais populares e amados da cultura pop, com diversas adaptações para animações, séries e filmes. Batman já se tornou o personagem com maior número de adaptações para o cinema da DC Comics, e como não lembrar dos filmes antecessores do Homem-Morcego e esperar algo inovador nas mãos de Matt Reeves?

O diretor da trilogia remake de Planeta dos Macacos, possui um currículo bastante extenso no cinema e um nome poderoso na indústria ao qual faz jus nesse filme. Trazendo elementos do gênero noir, The Batman é um dos raros filmes da DC que possuem uma identidade particular e inigualável em sua obra como um todo.

Mesclando gêneros como suspense, ação e até um ar dramático, temos um Batman no início da carreira desacreditado no seu trabalho como vigilante, mas trabalhando com a polícia quando necessário, apesar da sua relação bem complicada. Com uma abordagem muito mais violenta do que as adaptações anteriores, o Batman muitas vezes se autodenominando como A Vingança, sai do controle quando o assunto é partir para a porrada, o que assusta até mesmo a polícia, onde entra o papel do Tenente Gordon servindo como um mediador nessa relação e, muitas vezes, um parceiro fiel do morcegão.

O antagonista da obra, O Charada, é um dos pontos fortes do filme, se destaca na loucura de seus atos que trazem terror até mesmo ao espectador. Construído sob uma atmosfera justiceira que beira o anti-herói, muitas vezes interpretado como alguém que está apenas facilitando o trabalho do Batman, um parceiro nas sombras. Porém, seu plano é muito mais cruel do que o imaginado e então temos a grande virada na história em que o protagonista não necessariamente precisa lutar contra o antagonista no seu sentido literal, mas contra as consequências do personagem e suas idéias. Trazendo também ao longa uma crítica sobre os fóruns anônimos da internet e como as pessoas se reúnem para cometerem crimes virtuais ou no próprio mundo real.

Com um elenco de peso, temos ótimas atuações e uma trama que não deixa nenhum personagem de lado, pois cada um possui a sua função na história, por mais que em alguns momentos o filme opte pela suspensão de descrença e a interpretação própria do espectador sobre as ações dos personagens como por exemplo: apresentar duas versões da mesma história e deixar em aberto no fim. O que não é um problema, mas enfraquece o roteiro em aspectos específicos, pois não traz relevância para a história.

A trilha sonora é o grande destaque. Quase como uma personagem onipresente, ela traz mais do que apenas a ambientação da trama, mas revela personagens e dar o teor das suas ações. Quando uma cena tensa está ocorrendo temos a trilha trazendo a sensação de perigo quase que de forma angustiante, você está imerso. Quando temos a apresentação do Bat-Móvel, ele nem mesmo precisa aparecer, apenas o som do motor e a trilha revelam a imponência daquela máquina, sentimos o perigo apenas pelo som. É claro, este é apenas um dos exemplos, o próprio Batman possui uma trilha cheia de variações dependendo do contexto que está em cena. O maior exemplo talvez seja a trilha do Charada que traz diversas variações do clássico “Ave Maria” e sempre que as primeiras 3 notas surgem, você sente o perigo. É sobre transmitir a emoção pelo som e isso é incrível de se ver e ouvir.

The Batman é um filme melancólico e sombrio em sua fotografia e cenário. Não há sequer um momento de alegria no filme, não há sorrisos, não há cores vivas, apenas o tom de escuridão no olhar, nas expressões, nos atos e isso traz o aspecto de como aquela cidade está afogada em trevas, pelo crime, as drogas e a corrupção. Muitas vezes a fotografia é extremamente assertiva em focar em elementos de cena que remetem a ausência da felicidade no rosto dos personagens.

Quanto as adaptações, são feitas na medida certa. Não temos um Batman ninja, para falar a verdade, tá mais para um tanque que podem metralhar que ele continuará indo em frente incansavelmente. Em uma cena em particular, o Batman enfrenta várias pessoas armadas em um corredor escuro, onde apenas vemos o personagem batendo pela luz dos disparos e mostra o quanto ele é imparável e violento, indo até o limite. Lembro bem de como falaram que o Bat-Affleck era o Batman mais violento de todos, mas o Battinson com certeza supera nesse quesito e ele não precisa demonstrar forma física alguma, pois ele possui preparo e vingança, e apenas isso basta.

Se pode ser dito que o filme possui um defeito, é a sua duração. São 3 horas de filme que buscam a sua imersão e cumpre com o seu objetivo, mas em alguns momentos, a duração realmente chega a incomodar pelo tanto de conteúdo que é trazido para a história. É muita informação que é trazida para história e que chega de fato a ser pertinente, mas se fosse lançado no streaming, muito facilmente seria um filme que eu dividiria em partes, pois o espectador descobre tanto sobre aquele universo que é como se fizesse parte e em alguns momentos, eu particularmente, pensei: não, espera, deixa eu entender isso aqui. É um filme com tanto detalhe que a cada vez que você assiste, você descobre um elemento novo ou encontra um detalhe que não havia encontrado antes.

Quanto ao futuro do Batman, com certeza devem explorar mais sobre essa nova adaptação, seja em séries ou sequências. O alicerce é tão bem firmado nesse longa, que é possível várias ramificações e histórias paralelas. De fato, um exemplo de adaptação de universo para o cinema. Ouso dizer que é o melhor filme do Batman e o mais cinemático esteticamente falando, pois bebe de várias influências de filmes de investigação e mistério. A imponência do protagonista apresentada apenas em seus passos, traz o peso do personagem, assim como a Mulher-Gato que tem uma espécie de origem própria e seu momento de heroísmo, também um show de atuação da Zöe Kravitz no papel e que deixa em aberto se voltará no futuro ou não, mas esperamos que sim.

Por fim, Matt Reeves prometeu e cumpriu, é de fato O Batman em seu ápice. É como ler uma história em quadrinhos na tela, como voltar no tempo e vivênciar histórias que já leu e conhecer mais do Batman e toda a sua mitologia. Esperamos por mais Matt Reeves no comando e que a DC Comics continue explorando essa mitologia rica do Cavaleiro das Trevas na TV ou no cinema. Obrigado Warner por finalmente acertar em cheio em uma história cativante e que com certeza marcará gerações de fãs por muitos anos.

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