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Entre Gigantes: Conheça os jogos de 2020 que podem surpreender

O ano de 2020 promete ser um dos grandes anos da indústria dos games desde 1998. A quantidade de lançamentos muito aguardados cresce a cada dia: The Last of Us Parte 2, Cyberpunk 2077, Final Fantasy 7 Remake e Doom Eternal são só alguns de uma lista de nomes fortíssimos. Com o foco voltado para nomes tão poderosos, algumas pérolas podem acabar escapando aos olhos. Então, vamos falar sobre alguns jogos que, apesar de não terem uma data cravada, podem roubar a cena no próximo ano.

Spiritfarer

Desenvolvedora: Thunder Lotus Games

Gênero: Adventure

Publisher: Thunder Lotus Games

Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, PC

Alguns games simplesmente marcam as nossas vidas. Trazem consigo alguma mensagem ou interpretação que nos muda, transforma ou evolui. Pode ser um simples jogo de cobrinha que marca uma época importante da vida ou um triple A que aborda assuntos sociais com uma narrativa de 50 horas. Jogos, assim como outras mídias, podem de fato contribuir para a nossa vivência, significar algo além de um simples entretenimento. E essa é a proposta de Spiritfarer segundo Nicolas Guérin, diretor criativo do game. Em suas palavras “queremos fazer um jogo que importa, uma experiência que significa algo e tem um propósito”.

Spiritfarer é descrito pelos seus criadores como um game aconchegante sobre a morte. Em um visual deslumbrante muito similar aos traços de animações 2D da Disney, iremos encarnar a protagonista Stella, a capitã da balsa dos mortos. Iremos construir um barco para explorar o mundo, fazer amizades com diversos espíritos e aprender como dizer adeus a eles. Além da criação de itens, devemos gerenciar fazendas, colheitas, mineração e a pesca. Mas Stella não carrega a responsabilidade de cuidar dos espíritos toda para sí, ela é acompanhada pelo gato Daffodil, que será jogável no modo co-op para dois jogadores.

Além das mecânicas interessantes para ações simples, o tema do game é o que mais chama atenção. Será que a Thunder Lotus conseguirá abordar um tópico tão complexo de uma forma não clichê, ao mesmo tempo em que nos faz gostar dos personagens e refletir sobre a vida?

Across the Grooves

Desenvolvedora: Nova-box

Gênero: Adventure – Visual Novel

Publisher: Nova-box

Plataforma: PC

O drama interativo da desenvolvedora francesa Nova-box, criadora de Seers Isle e Along the Edge, se passa em um universo onde magia e realidade andam juntas, e terá como elemento importante a música. Viveremos o papel de Alice em uma jornada de autodescoberta, encarando conflitos e buscando entender os próprios sentimentos.  O game tem um visual incrível completamente desenhado à mão, o que dá um toque de originalidade e sem dúvidas reforça a personalidade da obra. É particularmente intrigante como os desenvolvedores irão mesclar as nossas escolhas como jogador às músicas que se adaptam a cada novo cenário gerado.

Nossas escolhas afetarão o destino da personagem mudando completamente a realidade, nos permitindo explorar futuros alternativos ao modificar o passado, possibilitando vivermos diversas encarnações da personagem. Já imaginou como seria sua vida se naquele fatídico dia você tivesse feito tudo diferente? Esse é o mote de Across the Grooves.

Minute of Islands

Desenvolvedora: Studio Fizbin

Gêneros: Puzzle/ Plataforma

Publisher: Mixtvision

Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, PC

O Studio Fizbin é um estúdio independente de jogos alemão fundado em 2011 por Sebastian Mittag, Alexander Pieper e Mareike Ottrand. O estúdio se concentra em jogos baseados em histórias interativas com personagens, mundos e narrativas cativantes, e vem ganhando certo destaque no cenário de games alemão.

Nesse novo game publicado pela Mixtvision controlamos Mo, uma jovem engenheira que vive em um conjunto de ilhas poluídas. A poluição em forma de esporos mortais se deu após a falha no sistema de proteção da ilha, composto por uma coleção de antenas misteriosas construídas por gigantes na época em que os seres eram aliados dos habitantes humanos.

Mo parte para a jornada com sua ferramenta Omni-Switch para tentar salvar o que resta das antenas para proteger sua família e o ecossistema geral da ilha. Além de ter um visual incrível, o game promete puzzles desafiadores e NPCs marcantes. Do que podemos ver no trailer certamente não será somente mais um game plataforma entre os outros.

ScourgeBringer

Desenvolvedoras: Flying Oak Games, E-Studio

Gênero: Plataforma/ Rogue like

Publisher: Dear Villagers

Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, PC

Dos desenvolvedores de NeuroVoider, ScourgeBringer é um cruzamento entre Dead Cells e Celeste, jogos que foram destaques em 2017 e 2018 respectivamente. A inspiração nesses dois jogos é extremamente positiva, afinal, Dead Cells foi premiado como o melhor jogo de ação em seu ano de lançamento e Celeste ficou marcado como um dos grandes da década, ganhando diversos prêmios e influenciando a indústria.

Ele não promete abordar questões importantes como a saúde mental como vimos em Celeste, pois tem o foco total em sua gameplay. ScourgeBringer é um jogo de plataforma rogue like de movimento livre em ritmo acelerado. Situado em um mundo pós-apocalíptico onde uma misteriosa entidade espalhou caos por toda a humanidade, ScourgeBringer nos coloca no papel de um guerreira mortal, Kyhra, que irá explorar o desconhecido e abrir caminho através de máquinas antigas que guardam o segredo de seu passado e, talvez, a salvação da humanidade.

Seus desenvolvedores garantem controles de plataforma fluidos, uma dúzia de chefes gigantes e profundezas infinitas de uma masmorra em constante mudança. Há ainda um sistema onde podemos desenvolver o vínculo com Kyhra por meio de fragmentos sonoros do background da personagem.

ScourgeBringer está sendo desenvolvido com a ajuda da comunidade em um processo de desenvolvimento aberto, e com a ajuda de seus fãs a  Flying Oak e a E-Studio prometem entregar uma obra com gameplay extremamente refinada e divertida.

The Red Lantern

Desenvolvedora e publisher: Timberline Studio, Inc.

Gênero: Rogue-lite/ Survival

Plataformas: Nintendo Switch, Xbox One

“Olá, eu sou uma decepção. Então, eu decidi me tornar algo mais, algo que não pode ser esquecido. Eu tenho um plano: encher uma van cheia de cachorros, conseguir um trenó, ir para o Alaska, participar da corrida de Iditarod e terminá-la. E nada pode tirar isso de mim”

A corrida Iditarod é uma corrida anual de trenós de cães que ocorre desde 1973. O “prêmio” para quem termina a corrida em último é uma lanterna vermelha, para simbolizar a perseverança e determinação, daí vem o nome do jogo. A protagonista, The Musher, partirá em uma jornada para descobrir do que é capaz, e mais do que isso, para provar a si mesma de que pode atingir seus objetivos de vida e se convencer de que não é uma decepção como todos ao seu redor apontam.

O jogo de estreia da Timberline Studio é um rogue-lite focado em narrativa, onde fazemos equipe com cinco cachorros e devemos buscar nosso caminho em um Alaska cheio de desafios e eventos que podem tirar nossa vida, ou pior, a vida de nossos cães.

A narração tocante do trailer nos faz pensar que esse não será só mais um jogo de sobrevivência. Como no filme baseado em fatos reais “Na Natureza Selvagem” o objetivo da protagonista é marcante e altamente relacionavel. Quantas vezes você já sentiu que talvez não fosse capaz de algo? Que para todos ao seu redor você é somente uma decepção, um potencial desperdiçado? Essas questões fazem com que o game, até o momento, ganhe várias camadas. Além disso, as mecânicas de sobrevivência não só da personagem como dos cães que irão no acompanhar adicionam um senso de perigo ainda maior.


Ghost Runner

Desenvolvedoras: 3D Realms, One More Level, Slipgate Ironworks

Gênero: Ação em primeira pessoa

Publisher: All in! Games

Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, PC

Ghostrunner promete ser eletrizante do princípio ao fim. Com uma visão em primeira pessoa e movimentação que lembram muito Dishonored, Superhot e Mirror’s Edge, a proposta do game é fazer com que nós tenhamos um raciocínio ágil enquanto passamos pelas fases o mais rápido possível fatiando os inimigos com nossa katana cibernética. Sim, Ghostrunner se passa em um mundo cyberpunk. Aparentemente estaremos muito bem servidos do gênero no ano que vem.

Devido a um cataclismo a maior parte da humanidade e do meio ambiente são destruídos, forçando o que restou da população a viver em uma super estrutura: a Torre do Arquiteto. No papel de um guerreiro cibernético que pode lutar no mundo real e no mundo digital, iremos subir um nível da torre a cada fase superada para consertar a sociedade e descobrir os segredos por trás dessa grande construção.

Ghostrunner não aparenta ter uma narrativa tão profunda e complexa, mas talvez em sua gameplay que esteja o seu diferencial. Com a possibilidade de apresentar jogabilidade diferenciada para cada situação, assim como em Titanfall 2, e tendo como base jogos aclamados, ele pode conseguir um feito louvável de ser um amálgama de mecânicas tão interessantes reunidas em um único jogo.

Cloudpunk

Desenvolvedora: ION LANDS

Gênero: RPG

Publisher: ION LANDS, Maple Whispering Limited

Plataforma: PC

Alguns detalhes de Cloudpunk ainda não foram revelados, mas a estética e o conceito apresentados definitivamente atraem atenção. Afinal, quem não gostaria de dirigir pelos céus de uma cidade com fortes inspirações em Blade Runner?

Iremos controlar Rania, em sua primeira noite como motorista da agência semi-ilegal de entregas Cloudpunk. O game é um RPG e deveremos fazer diversas entregas, seja motorizado ou a pé, enquanto conhecemos a mais extensa gama de pessoas e androides, desde a camada de elite até os lugares mais barra pesada da cidade. É curioso imaginar que a cada escolha do jogador o destino de Nivalis, cidade onde se passa o game, pode ser fortemente alterado, afinal, o jogo todo se passa durante uma única noite.

Será que toda essa troca de experiências com as dezenas de personagens que prometem apresentar uma personalidade profunda, de fato contribuirão para o desenvolvimento da protagonista em tão pouco tempo? Será que as escolhas que faremos terão impacto real na cidade, levando a finais de fato diferentes entre sí? Bem, Cloudpunk é uma pulga atrás da orelha e um dos jogos que prometem entregar algo muito além do que somente uma estética interessante ano que vem.

12 Minutes

Desenvolvedor: Luis Antonio

Gênero: Adventure

Publisher: Annapurna Interactive

Plataformas: Xbox One, PC

Em desenvolvimento desde 2015 pelo diretor de arte de The Witness, esse thriller interativo atraiu muitos olhares quando foi revelado durante a conferência da Microsoft durante a E3 2019. Com inspiração em filmes como Feitiço do Tempo, Memento e Janela Indiscreta, o jogo em perspectiva top-down se passa inteiramente em um apartamento e tem como atrativo principal o loop temporal.

O protagonista está jantando com sua esposa e ela revela que está grávida. Após momentos de felicidade, um policial invade o apartamento, acusa a mulher de ter assassinado o próprio pai e acaba assassinando o casal. É aí que o loop de 12 minutos se inicia. A cada ciclo o protagonista mantém suas memórias e o objetivo do jogador é obter os melhores resultados possíveis através de suas ações dentro do tempo estabelecido. Apesar do loop de 12 minutos, espera-se que o jogo leve de seis a oito horas para ser finalizado completamente.

Adaptando o termo vindo da TV e do cinema, poderíamos chamar 12 Minutes de um bottle game, algo como “jogo engarrafado”. O termo vindo dos bottle episodes e bottle movies estabelecidos há décadas é utilizado para nomear histórias contadas inteiramente ou em grande parte em espaços contidos, como a cabana de Os Oito Odiados ou o banheiro de Jogos Mortais. Histórias contadas em espaços tão pequenos tendem a brilhar em diálogos fortes e soluções inteligentes por optarem a não contar com a ferramenta do deslocamento físico de seus personagens a novos locais que possam oferecer outros tipos de desafios e conflitos. Todos os novos elementos narrativos devem ser introduzidos a um local em que o consumidor da obra já está familiarizado.

Some os aspectos interessantes do gênero “engarrafado”, os mistérios estabelecidos da trama até então e uma mecânica de solução de problemas correndo contra o tempo, e temos um dos fortes candidatos à lista de grandes jogos de 2020.

E para você, quais jogos do ano que vem fora os grandes lançamentos estão fisgando sua atenção?