Torre dos J-RPGs | A magia dos RPG japoneses

Interpretar um personagem de um game é uma coisa que particularmente me deixa bastante feliz. A vida real às vezes é tão difícil, e temos tantas coisas para fazer, que desejaríamos ser apenas aquele adolescente fora dos padrões e de cabelo colorido que sai em uma aventura e acaba salvando o mundo de alguma catástrofe ou demônio.

Os RPGs já estão em nossas vidas há muitos anos. Já tratei sobre esse assunto aqui onde falo sobre as origens do passatempo e sua invasão ao mundo digital e a chegada ao Japão. Mas agora eu gostaria de focar em um outro aspecto: a sua imersão.

Geralmente, o protagonista é sempre o que mais se destaca em um grupo de personagens na tela, então é fácil de identificá-los. Ele então começa com nada e vai evoluindo até muitas vezes conseguir chutar a bunda de algum deus, e isso é insanamente divertido. Além disso, os jogos de J-RPG  passam uma mensagem que atingem o cerne das pessoas e as inspira. Alguns momentos dos jogos nos fazem perder completamente a noção de tempo, inclusive brincam com ele, como Chrono Trigger, e nos transportam para jornadas épicas.

Um bom exemplo disso é Final Fantasy 4. Começamos o jogo no papel do Cavaleiro Negro Cecil, que vê o seu credo ser desafiado pelas ordens de um rei louco. Ele passa então a questionar as suas próprias ações até encontrar uma resposta que satisfaça a sua necessidade de mudança. Ou seja, ele evoluiu. Às vezes temos também protagonistas como Adol Christin, da franquia Ys. Ele passa a aventura inteira sem dizer nada, então é apenas o nosso invólucro que está na tela e descobrimos o que está acontecendo ao seu redor, enquanto lidamos com perigos a todo instante. Nesse caso quem evolui somos nós, já que vemos detalhes da história do personagem e do mundo onde ele está situado.

Esses dias eu fiz um texto contando um pouco das minhas aventuras pelos jogos da franquia Tales of, acho que podemos dizer que esse texto é um embrião para essa coluna. Ainda penso nos acontecimentos na vida da Velvet e de como ela se quebrou inteira, duas vezes, para ressurgir e fazer o que tinha que ser feito.

A série Tales of é o que podemos chamar de suprassumo dos J-RPG. Eles mantêm a sua origem desde o primeiro jogo e ao invés de fazer mudanças mirabolantes na jogabilidades, eles apenas a evoluem de maneira correta sem meter os pés pelas mãos, diferente de Final Fantasy, depois do décimo título da franquia.

Enfim, jogar RPGs é fugir da realidade de uma maneira saudável e recomendada. É como ler um bom livro onde nós controlamos os acontecimentos e podemos definir o ritmo, na qual tudo acontecerá. Nas próximas semanas eu pretendo abordar muitos jogos específicos e destrinchar algumas coisas que chamam a atenção neles, além é claro de trazer algumas curiosidades e listas sobre o gênero. Nos vemos lá.

Um treinador de Pokémon aposentado que quer se tornar profissional de futebol de botão. Ama joguinhos mais que tudo e prefere debater ideias e teorias sobre eles do que necessariamente jogar. Power metal é água, ou seja, a fonte de vida.