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Estúdio Ghibli | Produtor explica porque lançou seu catálogo em streaming

Que o diretor Hayao Miyazaki sempre foi protetor das suas obras e impassivo com seus ideais todos nós já sabemos, vide a famosa história de quando o produtor Harvey Weinstein recebeu uma katana com o bilhete “sem cortes”, quando o mesmo sugeriu que cortasse 15 minutos do longa Princesa Mononoke, ou quando não compareceu no recebimento do Oscar de melhor animação de A Viagem de Chihiro em protesto à guerra do Iraque.

Então foi uma surpresa imensa quando foi revelado que o Estúdio Ghibli fechara uma pareceria com a Netflix para a distribuição mundial em streaming de todo seu catálogo de longas metragens. Se as produtoras japonesas são extremamente exigentes com os direitos de suas obras, uma produtora de Miyazaki deveria ser impossível.

Mas a Netflix (E nos EUA, a HBO MAX) conseguiu, e de acordo com o co-fundador da Ghibli e amigo de longa data de Miyazaki Toshio Suzuki No fim das contas foi uma questão de dinheiro.

Em entrevista para a Yahoo Japão, Suzuki explicou que “Miyazaki está produzindo um filme no momento, mas está demorando bastante. Naturalmente isso causa um aumento nas despesas. Quando eu disse que [a parceria] poderia cobrir a produção ele disse ‘Bom, então não tenho escolha‘”. Ele ainda relata a dificuldade de explicar o conceito de streaming pra ele, que é famoso por não confiar em tecnologia “Hayao Miyazaki não entende exatamente o que são serviços de streaming como a Netflix. Ele não usa computador nem tem smartphone, então quando você menciona distribuição digital pra ele, ele simplesmente não entende.”

O produtor também explica por que escolheu a Netflix: “Com a Netflix, estamos vendo filmes sendo feitos para o próprio serviço, o que eu acho interessante. E ao mesmo tempo, estão bancando projetos que produtoras nunca aceitariam antes. Isso se deve à distribuição digital., e eu acho isso ótimo.” A Neflix vêm de fato expandindo seu repertório de animes, fechando um acordo de exclusividade com artistas japoneses como Shin Kibayashi, CLAMP, Yasou Ohgataki, Otsuichi, Mari Yamazaki e Tow Obukata para criar projetos novos. Muito também se comentou que a aclamada série Devilman Crybaby, de Masaaki Yuasa, não seria realizável pela industria tradicional japonesa.

O filme que a Ghibli está produzindo é Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka (Como você vive?), baseado em um livro infantil de 1937. A produção desse filme marca também a sétima vez que Miyazaki descumpriu uma promessa de se aposentar. Nesse caso, foi por uma boa causa: O diretor, com 79 anos, queria deixar um último presente para o seu neto antes de partir.

Amor de vô não tem limite.