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John Boyega discursa em manifestação antirracista em Londres

Cinema

John Boyega discursa em manifestação antirracista em Londres

“Não sei se eu vou continuar tendo uma carreira depois disso, mas que se f***” diz o ator John Boyega em meio às manifestantes em Londres, em um vídeo que circulou as redes sociais essa semana.

Desde o final de maio, o mundo vêm vivenciando revoltas antirracistas em escala global. Iniciadas em 26 de maio na cidade americana de Minneapolis em protesto à morte de George Floyd, que foi asfixiado em uma abordagem policial, as manifestações se espalharam para todos os 50 estados do país e, posteriormente, para diversos países ao redor do mundo, sob a bandeira do movimento Black Lives Matter. Mesmo em meio à uma pandemia global e repressões violentas da polícia, o mundo está vendo um movimento global contra a opressão policial à população negra. E vozes importantes se manifestaram para dar visibilidade aos protestos.

Nessa última quarta (03), o ator John Boyega fez uma aparição pública nas manifestações realizadas em Hyde Park, Londres. Aos prantos e em meio aos aplausos dos manifestantes, ele fez uma pronunciamento passional sobre a experiência negra, destacou a importância da comunidade negra lutar para um futuro melhor, além de mencionar outros negros vítimas de violência policial, como Treyvon Martin e Sandra Bland.

Segue a transcrição de seu discurso

Primeiramente eu gostaria de agradecer cada um de vocês por virem. Isso é muito importante. Isso é muito vital.

Vidas negras sempre importaram, sempre fomos importantes, sempre vivenciamos sofrimento, e mesmo assim perseveramos. A agora é a hora, eu não vou mais esperar.

Eu nasci nesse pais. Eu tenho 28 anos. Nascido e criado em Londres. E por um tempo, toda pessoa negra entende o que é a primeria vez que te fazem se perceber como negro. Você se lembre. Toda pessoa negra aqui sabe quando outra pessoa te lembra que você é negro. Nenhum de vocês so outro lado, nenhum dos manifestantes do outro lado, protestando contra o que nos representamos, protestando contra a meta que queremos atingir. Vocês que se danem, porque isso é vital. Eu preciso que vocês entendam. Eu preciso que vocês entendam o quanto isso é doloroso.

Eu preciso que vocês entendam quanto isso é doloroso. Ser lembrado todo dia que a sua raça não significa nada. E não é mais assim. Nunca foi assim. Hoje nós vamos tentar. Nós somos uma representação física do apoio ao George Floyd. Somos a representação fisica do apoio à Sandra Bland. Somos a representação física do apoio ao Trayvon Martin. Somos a representação física do apóio ao Stephen Lawrence, ao Mark Duggan.

É muito, muito importante que nos detenhamos o controle desse momento e o deixemos o mais pacífico possível. O mais pacífico e organizado possível. Porque vocês sabem, eles querem nos sabotar. Eles querem que sejamos desorganizados, mas hoje não. Hoje não. Essa mensagem é especificamente para homens negros. Homens negros, precisamos cuidar das nossas mulheres negras. Precisamos cuidar delas. Elas somos nós. Elas são o nosso futuro. Não podemos demonizar as nossas.

Somos os pilares da família. Imagine, uma nação é composta de famílias individuas prósperas, saudáveis, que comunicam, que criam seus filhos com amor, tem uma chance maior de se tornarem seres humanos melhores. E é isso que precisamos criar. Homens negros, depende de vocês.

E a coisa tá feia, gente. Não podemos mais confiar em ninguém. Temos que fazer melhor. Vocês não entendem. Eu estou falando do coração. Eu não sei se a minha carreira vai sobrevier, mas que se f***. Hoje é sobre as pessoas que ainda estavam vivendo esse processo. Não sabemos onde George Floyd teria chegado, não sabemos onde Sandra Bland poderia ter chegado. Mas hoje vamos garantir que nossos jovens não sejam alienados desses fatos. Eu sei que quando vocês vieram aqui, os seus filhos ficaram brincado, sem saber do que acontecia.

Eles não sabem o que está acontecendo. Hoje é o dia de lembrá-los que somos dedicados, e que essa dedicação é pra vida toda. Pessoal, isso não pode acabar quando a gente voltar pra casa. A gente não pode deixar isso acabar.

Isso é sobre longevidade. Alguns de vocês são artistas, alguns são banqueiros, alguns são advogados, alguns são comerciantes. Vocês são importantes. Seu poder individual, seu direito individual é muito, muito importante. Podemos todos nos unir para formar um mundo melhor. Podemos nos unir em prol de algo especial. Todos nós podemos nos unir.

Em resposta à declaração que sua carreira estaria em risco, diversos diretores de cinema demonstraram seu apoio ao ator. Rian Johnson, JJ Abrams, Edgar Wright e Olivia Wilde asseguraram em suas redes sociais que adorariam trabalhar com Boyega. Abrams, através da sua produtora Bad Robot, prometeu dar um milhão de dólares para causas antirracistas.

O ator teve sua primeira em cinema em 2011 no filme Ataque ao Prédio, e desde então ganhou destaque ao interpretar Finn na terceira trilogia de Star Wars. Ele, junto com a atriz Kelly Marie Tran, sofreram constantes ataques racistas por fãs da série na internet. Nas redes sociais, a Disney expressou apoio para os protestos, dizendo que valoriza seus funcionários e fãs da comunidade negra.

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