Especial|PES, até breve, meu querido

Salve, PES, meu velho amigo. Como você está? Espero que bem. Já passamos por muitas coisas na vida, não é? Já atingimos o fundo do poço, e curiosamente, foi no mesmo ano, 2013. Mas eu sempre estive ao seu lado. Sempre. Te defendi várias vezes, mesmo sem você precisar, afinal, já são 25 anos de história.

Eu me lembro, lá atrás, quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, e ganhei a fita do International Super Star Soccer Deluxe, do Super NES. Com certeza foi um dos dias mais felizes da minha vida. Marquei vários golaços com o Coliuto. Adorava jogar com a seleção Italiana. Jogava o dia todo no modo liga que você tinha. Minha mãe até brigava comigo para deixar meu irmão brincar um pouco. 

Na época eu não entendia nada de games, não que entenda hoje, mas enfim. Um belo dia apareceram com uma fita escrita Campeonato Brasileiro 96. Minha cabeça explodiu. Eu podia jogar com as feras do Brasil! Mais uma vez a minha paixão cresceu, e lá estava eu, o molequinho de uns 7 ou 8 anos enfiado no meu SNES e jogando o dia todo. 

Alguns anos depois, já com uns 11 anos, minha mãe se matou de trabalhar em uma páscoa e finalmente comprou um PlayStation 1. Obviamente que um dos meus jogos escolhidos foi Winning Eleven 4. Todo em japonês sem entender patavinas, sem conhecer os jogadores, somente satisfazendo a minha paixão pelo esporte bretão. Um pouco depois eu descobri que já havia o Winning Eleven 2000, claro que peguei sem pestanejar. Passava horas e mais horas na Master League. Montava times, desafiava os amigos, marcava gols. Era ótimo.

Depois eu peguei o Winning Eleven 2002. Edição mais que especial, afinal, a Copa do Mundo seria em terras japonesas aquele ano. Considero esse um dos melhores jogos de futebol que já desfrutei na vida. Foi aqui que comecei a participar de campeonatos. Cheguei em algumas finais, mas nunca consegui levar o sonhado título, só batia na trave. Eu ficava triste, mas seguia em frente.

Uma das minhas melhores memórias é de quando acabou o jogo do Brasil contra a Alemanha naquela Copa de 2002. Eu fui para a sacada da minha casa, olhei pro sol, e pensei: “caramba! Somos penta campeões!”. Naquele momento, eu fui pro meu quarto, liguei meu PlayStation, coloquei meu WE 2002, e fui ganhar mais uma Copa com Ronaldo, Rivaldo e o resto dos caras.

Foi então que a gente se afastou um pouco. Não consegui seguir a transição para o PlayStation 2. Então só voltei a jogar em 2007, na época já te chamavam de PES, quando meu irmão comprou um aparelho. Voltei bem na época do Adriano Imperador. Montei verdadeiros esquadrões. Você estava sempre em evolução. Nessa época eu jogava somente sozinho. Os amigos da época já não mais te apreciavam. Eles preferiam outras coisas, mas tudo bem, acontece. Joguei muito, mesmo. Passava madrugadas jogando. Era ótimo. Mas a tecnologia evoluiu de novo e o PlayStation 3 saiu. Mais uma vez fomos separados. 

PES 2007 com uma imagem de Adriano Imperador após marcar um gol na Argentina
PES 2007, Adriano Imperador comemora o gol

Mas nessa época eu já estava trabalhando. Então, como todo bom adulto, eu comecei a guardar dinheiro para poder finalmente pegar um console novo e finalmente jogar. E em 2011 isso finalmente se tornou realidade. Eu prontamente adquiri uma cópia da sua renomeada versão, o Pro Evolution Soccer 2011, ou PES 11 para os íntimos. E joguei muito, mas muito mesmo. Na época eu estava fascinado pelo Online. Cheguei inclusive entre os 90 melhores jogadores do mundo. Era uma época muito feliz. 

Então saíram as versões 12 e 13, ambas eu joguei muito também, mas algo mudou na minha vida. Os videogames deixaram se ser importantes. E foi na época que sua pior versão saiu, a versão 14 no ano de 2013, e eu me desconectei totalmente do mundo dos consoles. Não estava nem aí para PlayStation 4, Xbox One. Eu tinha outras prioridades, além de várias coisas acontecerem na minha vida. 

Bom, jogar videogames sempre fez parte de mim, então após alguns anos de trevas, eu finalmente voltei a te encontrar, com o ótimo PES 2016. Comprei a sua versão daquele ano e vi suas melhorias, fiquei muito, mas muito feliz. E desde então, nos encontramos todos os anos. Sempre no dia de lançamento. Você é um dos poucos jogos que eu sempre fiz questão de pegar assim que possível.

Porém, em 2020, pela primeira vez desde o meu retorno aos joguinhos, não vamos nos encontrar. Você escolheu se preparar para a nova geração de consoles, então eu também me darei o direito de te esperar lá. Espero sinceramente que até lá você consiga pelo menos a Copa Libertadores de volta. Eu não estou nem aí para o futebol europeu, só quero jogar com a glória máxima o melhor torneio do planeta.

Winning Eleven, Pro Evolution Soccer, PES, seja lá qual for o seu nome, eu estarei contigo até o fim da minha vida. Mais do que um jogo, você é um amigo que eu me importo e muito. Fico bravo com seus tropeços e fico extremamente feliz com seus acertos. Então, meu velho companheiro de batalha, te espero no meu próximo console. Até lá a vida estará mais calma. Enquanto isso, continuarei criando times na Master League. Jogarei uma carreira no Become a Legend. E lembrarei com carinho da época do Coliuto, do Ronaldo Fenômeno no ataque, e do Adriano Imperador destruindo tudo. Te amo. Até breve.

Um treinador de Pokémon aposentado que quer se tornar profissional de futebol de botão. Ama joguinhos mais que tudo e prefere debater ideias e teorias sobre eles do que necessariamente jogar. Power metal é água, ou seja, a fonte de vida.