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Análise | Devil May Cry 5 – Estiloso e Empolgante

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Análise | Devil May Cry 5 – Estiloso e Empolgante

 

Foram mais de 10 anos de espera, mas finalmente a franquia Devil may Cry está de volta e dando sequência a sua saga original de jogos, com Devil May Cry 5.  Dante está de volta em nova aventura que vai colocar a prova todas as suas habilidades.  O jogo não é só a sequência que todo fã antigo da série aguardou depois de Devil May Cry 4, mas também a melhor porta de entrada para quem deseja entrar em seu universo. 

O jogo apresenta 3 personagens com características distintas: Nero, Dante e V. Eles devem unir suas forças para combater a maior invasão que aquele mundo já conheceu, a do Rei Demônio Urizen.  Resta ao jogador controlar os heróis e fatiar hordas de inimigos da forma mais estilosa possível. 

Entre Espadas e Tiros

Com seu gameplay frenético o jogador deve fatiar demônios, não apenas sendo efetivo, mas sendo estiloso. A marca da franquia sempre foi o quão estilosa é a performance em meio a uma luta frenética com inúmeros inimigos, fazendo dezenas de combos diferentes, enquanto os destrói.  O jogo possui sistema de ranks que vai aumentando conforme vai-se criando e variando ataques nos inimigos, quanto maior a variação maior será o ranking nas batalhas, que variam de D até SSS, podendo até usar provocações intercalando as sequências ofensivas para mantê-los altos.

Os 3 personagens jogáveis são bem diferentes em sua jogabilidade, cada um com uma mecânica própria e exclusiva, mas eles compartilham algumas características básicas em comum, como um ataque físico forte no corpo a corpo, além de ataques fracos e medianos em longa distância. Dante e V possuem uma barra de transformação chamada Devil Trigger, mais conhecida como DT, e ela proporciona efeitos individuais diferentes para cada um. Além disso, há habilidades para os três que só podem ser destravadas mediante compra, através de cristais, os Red Orbs, que são dados ao eliminar inimigos ou ao obtê-los em pontos distintos do mapa. 

A campanha do jogo é intercalada em missões, que faz com que o jogador controle um personagem específico em algumas e possa escolher com qual dos 3 jogar em outras. Existe um pequeno modo multiplayer no jogo, aonde uma pessoa encontra outra aleatoriamente e fazem a mesma missão juntas, mas com personagens diferentes. Não foi implementado de forma muito boa, pois os encontros são completamente randomizados. 

Com todos os pontos da jogabilidade esclarecidos, vamos aos personagens: 

Nero – Caçador de Demônios

O primeiro personagem que é apresentado para controlar é Nero, protagonista do jogo e também de Devil May Cry 4, que recebeu uma mudança visual em seu design e também recebeu algumas mudanças e seu estilo de combate. 

Por ter um estilo de combate mais simplificado em comparação a Dante, possuindo acesso apenas a uma arma de corte e uma de fogo, o personagem à princípio não tem um número tão grande de combinações de ataques para criar combos variados, mas ele possui os braços mecânicos chamados Devil Breakers, que dão ao personagem diferentes poderes para distintas situações. 

A arma principal usada é a Red Queen, espada modificada com uma característica que lembra um motor de motocicleta, a maioria de seus ataques mais simples são focados em investidas e golpes giratórios, sendo uma arma muito boa para hordas de inimigos em torno de Nero. Ela tem uma habilidade chamada Exceed, uma barra que poder ser carregada em até 3 níveis, que aumenta tanto o alcance quanto o dano dos golpes dessa espada. A habilidade em si é bem forte, no entanto, foram poucas vezes que precisei usar ela, devido a arma já causar um dano considerável na maioria dos inimigos. 

O revólver Blue Rose é a única arma de fogo que Nero possui, e ela tem basicamente um tiro duplo que pode ser carregado para causar mais danos. Ela foi um pouco modificada em relação a como funcionava no jogo anterior, lá tinha níveis de tiros carregados com danos diferentes, nesse foi adicionada uma barra de munição. A barra funciona de duas formas: enquanto tiver munição disparos comuns viram flamejantes ou pode-se dar um único disparo que consome a barra inteira para causar um grande estrago no inimigo. Quando ela estiver vazia disparos comuns serão mais fracos, e o jogador poderá recarregar a mesma novamente se segurar o botão de tiro. Foi um pequeno enfraquecimento na arma ao meu ver, mas necessário visto que agora o jogador não poderá abusar tanto dos tiros dela como anteriormente. 

A mecânica inédita relacionada ao personagem e a grande novidade desse jogo são os Devil Breakers, que substituem o Devil Bringer dele. Eles são braços mecânicos que dão diversos poderes, no entanto seu uso é limitado e isso pode ser um problema em algumas situações.  O jogo inicialmente te permite usar até 3 slots para um braço, podendo aumentar esses slots até 8. Todos possuem um ataque comum e um carregado, o primeiro pode ser usado de forma contínua até um braço quebrar e o segundo apenas uma vez, pois eles quebram depois de usar esse ataque. O jogador pode puxar inimigos pequenos com eles ou avançar em direção a inimigos grandes, com uma garra retrátil. Também podem ser destruídos de outras formas: se Nero levar um golpe, enquanto executa uma animação comum de ataque de algum braço, ou explodidos propositalmente para escapar de certas investidas de inimigos e chefes. O ponto negativo de tudo isso é que não se pode trocar de Devil Breakers a vontade, podendo trocar apenas depois que o atual em uso for destruído, e isso limita os combos que o personagem pode criar, visto que são poucos braços que interagem com diferentes tipos de ataques. 

Nero com todas essas habilidades e armas, a princípio, parece um pouco limitado pra variação de combos em um mesmo set de movimentos, mas variado em possuir diferentes poderes com usabilidades tão distintas. Este seria meu parecer sobre o personagem, se não fosse as duas últimas habilidades, que são liberadas na última missão, com elas o combate muda completamente. Ele consegue ter um novo set de movimentos que amplia todos os outros, podendo usar um deles ser ao mesmo tempo que se usa um Devil Breaker e dessa forma eliminando seu principal ponto fraco, a pouca variedade de golpes. 

Dante – Lendário Caçador de Demônios

Dante, protagonista da série, tem passado por uma evolução gradativa desde o primeiro jogo. Após terem finalmente encontrado a melhor forma de combate para ele em Devil May Cry 4, no 5 temos um aperfeiçoamento desse sistema e algumas outras novidades relacionadas a suas armas. 

A começar pela sua diferença em relação aos outros personagens, Dante possui o maior número de armas e estilos de combate. Sua jogabilidade permite uma vasta criação de combos diferentes em estilos distintos, para pessoas que estão acostumados a jogar com ele é uma maravilha. Um diferencial dessa versão em comparação aos jogos anteriores, é que suas armas demoníacas possuem também mais de uma forma de batalha, com algumas delas possuindo até 3 formas. Desta forma, pode-se alternar dentre tudo isso, até durante a execução dos combos. 

Falando um pouco das armas demoníacas em si, o jogo conta com 4 armas inicialmente: sendo uma delas a saudosa espada Rebellion e outras 3 inéditas. Como dito anteriormente, cada uma possui mais de uma forma de luta, sendo essas formas bem distintas entre si. Usando como exemplo, temos a arma King Cerberus: ela se transforma em um nunchaku triplo com ataques de gelo, um Bastão com poder flamejante e uma barra tripla que solta relâmpagos. Todas essas variações possuem dano e velocidades diferentes. Além disso, pode-se trocar de armas durante os combos, o que torna seu combate bem livre e  seu principal ponto forte.

Não é só apenas de combate com armas de corte que vive a franquia, sendo também a luta com armas de fogo algo extremamente divertido. Dante  tem 4 armas de fogo, que funcionam das mais distintas maneiras para auxiliar nos combos. No entanto, a arma Dr. Faust merece uma citação especial e o motivo disso é a gama de opções que vai oferecer aos jogadores mais criativos, tendo uma forma única de combate em relação as outras, que vale muito a pena ser explorada. Um ponto negativo sobre todas as armas de fogo é que só servem como auxiliares para as demoníacas, não incentivando seu uso como armas principais durante combates. 

Outro ponto que torna seu gameplay tão vasto, são os estilos de luta chamados de Trickster, Swormaster, Gunslinger e Royalguard. Todos são acessíveis à vontade durante os combates e cada um aumenta a possibilidade de movimentos que o personagem consegue executar. Eles tem uma curva de aprendizado distinta entre si e adequam-se a diferentes perfis de jogadores. Para realização de bons combos, dominar pelo menos 2 estilos é essencial. 

Ao final de tudo que Dante ainda possui o Devil Trigger, uma transformação que aumenta todos atributos ofensivos. Ela pode ser acessada ao se preencher no mínimo 3 unidades de uma barra roxa que se localiza em baixo do HP, assim ele ganha poder regenerativo, além de uma grande velocidade e um aumento de poder em seus golpes, por um tempo limitado. Com a barra da transformação podendo ser preenchida com extrema facilidade, ela pode usada várias vezes em muitas situações e isso torna as coisas extremamente fáceis. Existe uma segunda transformação no jogo, que para todos os efeitos torna o filho de Sparda imbatível, literalmente. 

Ao jogar bastante com o Dante pude sentir que desenvolvedores quiseram o deixar o mais completo possível, estando em sua melhor forma e pleno auge de suas habilidades. Simplesmente não há ponto negativo relevante sobre ele.

V – Misterioso Humano

Chegamos ao misterioso V, a grande novidade em termos de jogabilidade, um homem que apresenta poderes voltados ao combate a distância e inicialmente adequado para novatos na franquia. 

A principal característica é invocar demônios, um com ataques elétricos a distância e outro para golpes físicos. Ambas as invocações auxiliam V em outras ações de movimentação, além de terem barras próprias de HP e ficando inutilizadas por alguns segundos, caso essas barras se esvaziem. Um elemento especial do personagem é sua bengala, apenas com ela se consegue finalizar inimigos em definitivo, e além disso, ela possui outras habilidades como um teletransporte para se aproximar dos inimigos e matá-los com uma animação aérea, e o poder de criar duplicatas de si pra atingir múltiplos alvos. Temos aqui um personagem extremamente fácil de utilizar e conseguir ranks altos de combos, proporcionado pelos movimentos combinados que suas invocações podem fazer. 

Falando um pouco sobre os demônios mais individualmente, eles se chamam Griffon e Shadow.  Não há muito a falar sobre o pássaro, pois suas únicas funções são ataques elétricos de longo alcance, com algumas variações nas formas, além de auxiliar o V em movimentação de pulos. Agora o Shadow é uma grande arma ofensiva metamórfica, pois pode alterar sua forma para distintos ataques que são bastante variados entre si, e realiza ofensivas que vão desde virar uma serra giratória até ficar espetando inimigos no ar com algo que lembra lanças. Os jogadores que se aperfeiçoarem com este personagem vão adorar as combinações de ataques que os demônios fazem juntos. 

A última habilidade é algo relacionado a barra de Devil Trigger, V fica com cabelo branco quando usa esse poder. Quando ativada ela invoca um último demônio, o Nightmare, um golem gigante que pode executa ataques físicos e dispara um laser do olho. Ele é totalmente autônomo em sua movimentação e ataques, normalmente atacando os inimigos mais próximos dele e cada ação ofensiva consome energia da barra da habilidade, funcionando de forma diferente de Dante, onde a energia se esgota por tempo. O jogador pode, ao se pendurar nele, controlar suas ações, mas isso deixa os outros demônios autônomos e são poucas vezes que vale a pena este artifício. Em sua totalidade, Nightmare é um grande salva vidas para muitas situações aonde falta dano para inimigos mais resistentes que o normal, mas só vale a pena o usar quando a barra de DT estiver no máximo para aproveitar todo tempo possível do poder bruto.

V se prova uma grande adição ao jogo, devido a suas características únicas e voltadas para um combate mais estratégico. O personagem se sai muito bem nas dificuldades mais medianas, mas a partir das dificuldades mais altas requer um grau de aprendizado maior do jogador, principalmente pela sua fragilidade. Valeu a pena as horas jogando com ele.   

Ambientação com Sonoridade e Desafios diferenciados

Existem pontos interessantes a se comentar sobre a ambientação do jogo, principalmente a forma como os cenários e exploração foram construídos. Os cenários são construídos de forma que, em alguns momentos, eles se modificam enquanto o jogador avança, seja por obstáculos destrutíveis ou por alteração própria, e isso tudo remete a como o Devil May Cry(2013), da Ninja Theory, funcionava a respeito da exploração de cenários. É interessante ver que mesmo o jogo que era para ser um reboot da franquia que não deu certo, tenha tido algumas de suas mecânicas implementadas em Devil May Cry 5. 

A trilha sonora, que é muito boa por sinal, é um dos pontos chaves da ambientação. Conforme vai-se conseguindo ranks mais altos em combos, o volume da música irá aumentando e a partir do rank S é tocado o refrão, sendo que os ranks anteriores serão acompanhados apenas por trechos instrumentais durante as batalhas de cada cenário. Isso serve como mais uma motivação para os jogadores quererem melhorar no jogo, sendo uma grande implementação para a franquia, usando um sistema que foi criado no reboot da Ninja Theory. 

A série sempre teve uma dificuldade elevada, mesmo em seus níveis mais baixos, só que este novo jogo apresenta uma proposta diferente: ele deixa seus níveis baixos como sendo algo mais amigável e mantém algo mais punitivo apenas nos mais elevados. Essa é uma sensação que eu tive ao finalizar o modo “Dante Must Die”, que seria o Very Hard, e comparar com os jogos mais antigos. Não que isso seja ruim, é muito bom na verdade.  Dessa forma ele um possui balanceamento de dificuldade, tanto para jogadores novatos quanto para os mais experientes. 

Rank baixo em alguns aspectos

Há um ponto em questão que o jogo falha e pode desencorajar alguns a comprá-lo, a falta de um bom conteúdo pós-game que não seja simplesmente rejogá-lo em dificuldades mais altas e melhorar sua habilidade com os personagens. Não que eu pessoalmente me incomode com isso, já que uma das filosofias da franquia é justamente elevar sua habilidade nos modos mais difíceis, no entanto, esse tipo de fator pode incomodar um pouco algumas pessoas.

Uma atualização gratuita será disponibilizada em Abril com o Bloody Palace, modo clássico na série, e talvez esse seja o fator extra que o jogo precise para estar completo. O modo consiste em uma torre com vários andares, aonde se enfrenta várias hordas com inimigos específicos a cada andar, isso proporcionará o enfrentamento de grupos com tipos diferentes e combinações de inimigos que não se encontram na campanha, dando talvez uma maior variedade de combates que aumentariam bastante o fator de replay. 

Veredito 

O jogo, no fim das contas, é praticamente um presente da Capcom aos fãs mais entusiastas, tudo nele foi pensado cuidadosamente para ser um grande retorno para a série, mas ao mesmo tempo, abraça todos os novatos que entrarem em seu universo. Com boas fases e uma jogabilidade muito bem construída, o jogo é o ápice de tudo que já foi feito na franquia. Com tudo isso, Devil May Cry 5 vale muito a pena ser jogado. 

Devil may cry 5 está disponível para PC, Playstation 4 e Xbox One. 

 

Jogador há mais de 20 anos, adorador de jogos plataformas, principalmente antigos. Streamer, nas horas vagas, de jogos da franquia Castlevania e speedrunner de jogos da série Mega Man Zero. Twitter:@raf_valente

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