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RoadOut – Fique de olho!

 

Hoje vamos falar de um jogo em desenvolvimento que acho que você também devia ficar de olhoRoadOut!

RoadOut é um jogo que está sendo desenvolvido pela RastroLabs, um pequeno estúdio indie brasileiro situado em Fortaleza (cujo desenvolvedor tive o prazer de conhecer em um evento relacionado a jogos). É um jogo em terceira pessoa visto de cima, com mecânicas de Action RPG e corrida de carros (inspirado por The Legend of Zelda e Rock n’ Roll Racing) passado em um futuro distópico puxado para o cyberpunk. Uma demo foi lançada em meados de Outubro de 2019 para o público através da 45ª Game Jam Ludum Dare, e é através dela que vamos adentrar o universo de RoadOut.

 

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Ao iniciar o jogo, imediatamente seu carro pára de funcionar (transicionando diretamente do menu principal, o que é um belo toque que lembra o que jogos como inFAMOUS fizeram) e nossa protagonista é obrigada a parar para procurar uma célula de energia em um prédio abandonado. É nessa exploração de ambientes internos que RoadOut faz sua parte de Action-RPG, colocando os jogadores de espada e escudo em punho (e por espada e escudo quero dizer ‘um cano’ e ‘uma calota de carro’) atravessando os corredores de uma velha construção a procura de itens e resolvendo quebra-cabeças.

Em uma perspectiva isométrica, os jogadores começam a explorar o prédio seguindo um pequeno mapa indicando a ‘planta’ deste, defendendo-se dos robôs de segurança ainda presentes e ativando mecanismos para destravar portas e abrir novos caminhos. O jogo é controlado com as teclas W A S D e o mouse, utilizado para mirar os golpes e posicionar o escudo. Os golpes são realizados em um arco próximo à personagem, cada golpe forte o suficiente para atordoar um inimigo comum, fazendo com que derrotá-lo seja uma tarefa simples. Assim como a grande maioria dos Zeldas 2D, o desafio não está em derrotar um inimigo, e sim em conseguir se defender e sobreviver contra grupos deles.

 

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Cada um dos inimigos derrotados deixa cair materiais (representados como formas geométricas, algo que não tenho certeza se é uma representação temporária – o chamado ‘placeholder‘ – ou não) que podem ser usados para construir novas melhorias e upgrades para a personagem, como melhorias para a arma ou o escudo, ou até mesmo habilidades como uma esquiva que se torna praticamente obrigatória para desviar de certos obstáculos – mas RoadOut não deixa os jogadores em situação injusta quanto a isso, a ‘compra’ da esquiva é feita obrigatoriamente durante o decorrer do jogo, situação que é usada como ferramenta para mostrar aos jogadores que o sistema de upgrades existe.

 

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Os quebra-cabeças encontrados no jogo vem através de alavancas que se encontram escondidas pela perspectiva do terreno, fazendo com que o jogador tenha de movimentar a câmera manualmente – com as teclas Q e E, e portas que só podem ser abertas por ativar mecanismos com cores diferentes ou cartões de acesso. São quebra-cabeças simples, mas alguns requerem uma boa dose de tentativa e erro, falando especificamente dos mecanismos de cores diferentes.

A ideia é, existe um número par desses mecanismos em uma sala, e cada dois deles são conectados por uma cor em comum. Ative cada um dos pares com as cores iguais, e a porta se abrirá. Por exemplo, em uma sala existem dois com a cor azul e dois com a cor verde. Ativar os dois azuis em sequência e depois os dois verdes em sequência abre a porta, e vice-versa. Simples, não é? O problema é que não há – ou pelo menos não parece haver – jeito de saber qual a cor de cada mecanismo até que você o ative, ou seja, o único jeito de resolver esse quebra-cabeça é errando, e toda vez que você erra, os inimigos de uma sala se regeneram, o que torna o quebra-cabeça mais frustrante. Sem falar que ao errar uma sequência, o mecanismo pisca de vermelho, o que pode acabar confundindo os jogadores, fazendo-os pensar que vermelho é uma das cores que devem procurar. Quanto aos cartões de acesso, é apenas uma questão de achar o cartão e colocá-lo na porta que possui uma leitora de cartões, mas o fato que as portas não possuem uma leitora visível até que você se aproxime da porta dificulta um pouco as coisas. Não são coisas que estragam o jogo, mas são inconvenientes notáveis.

 

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Visualmente falando, RoadOut possui uma estética pixelizada (algo similar a um Enter the Gungeon simplificado, ou um Mana Spark um pouco mais detalhado) que é agradável aos olhos, e a visão isométrica dá um efeito mais tridimensional aos ambientes, especialmente ao mudar a visão da câmera. A estilização dos personagens é simples mas fácil de identificar, e os efeitos de iluminação são bem trabalhados, o que pode ser uma descrição que explica bem a identidade visual do jogo. Musicalmente falando, o jogo procura um sentimento puxado para o synthwave, que casa perfeitamente com a temática. A música é surpreendentemente cativante, e é bem provável que algumas faixas fiquem presas na sua cabeça, especialmente se a música for algo que você goste em um jogo.

Ao encontrar a célula de energia no prédio abandonado, nossa protagonista retorna ao seu carro para continuar sua viagem, apenas para encontrar bandidos saqueando seus pertences. Ao dar conta de todos eles, ela percebe que eles já haviam levado um pacote em especial que ela carregava, e cabe a ela procurar o covil aonde foi levado o pacote. Aqui é onde tomamos controle do carro da protagonista, e é aqui que o segundo estilo de jogabilidade se encontra – corrida de carros. Os controles são fluidos e agradáveis de manejar, mas infelizmente a parte em si não dura muito – apenas o suficiente para mostrar o controle do carro e para levar o jogador ao covil dos bandidos. O que acontece em seguida? Bom, eu poderia dizer, mas por que dizer se você pode descobrir por si só?

 

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Vou só deixar essa imagem aqui pra dar um leve spoiler e despertar sua curiosidade.

 

RoadOut é um indie cativante que se encontra bem alinhado com a empolgação em torno do gênero cyberpunk, especialmente com Cyperpunk 2077 chegando ao longe no horizonte. É um jogo em desenvolvimento que com certeza merece sua atenção, e se relatos dos desenvolvedores são verdade, em breve estaremos recebendo uma nova demo com melhorias, correções e mais jogabilidade de corrida que foi pouco explorada!

Confira a demo  aqui.

Cientista Ambiental, Ilustrador, Tradutor e Editor que vive de cabeça nas nuvens. Anda ouvindo a OST de Danganronpa, é pai de 4 gatos, ri de coisas sem sentido, é vegetariano e tem uma paixão por maracujá. Ama jogos de plataforma, histórias bem contadas e tem mania de jogar coisas esquisitas, e seus jogos favoritos incluem as sagas The Legend of Zelda e Metal Gear, Super Metroid, Persona 5 e Shadow of the Colossus.